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17 de agosto de 2008

José M. Rodrigues VI

o retrato (Self-control / Auto-domínio, 1983)

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as gavetas da memória, álbum de retratos (... )

ConfrontaÁ„o

a homenagem (a máquina de escrever  Lettera 22 de Ernesto de Sousa)

  Leterre 22


Há várias antologias possíveis da obra de José M. Rodrigues. Esta antologia concebida por Rui Oliveira e que se mostra em Évora investigou e reuniu uma direcção experimental em que a construção de objectos fotográficos ou relacionados com a fotografia e com o cinema assume uma especial importância - poderá chamar-se-lhes foto-esculturas. São objectos raros, únicos, que não se constituem como um género ou uma linha de produção, de múltiplos ou variantes (em muitos casos, feitas as "experiências", o experimentalismo estabelece-se como um estilo).  Esses objectos atravessam fronteiras entre disciplinas para interrogar e pôr à prova a natureza da fotografia e as suas condições de visibilidade ou de eficácia. O happening e a performance (através dos seus registos fotográficos, dos seus restos), a instalação (a construção de ambientes, para além da exploração das possibilidades de montagem das obras, o que é outra coisa, embora próxima), e ainda o cinema ou vídeo são outras direcções muito presentes nesta exposição.
Outras antologias poderiam isolar o trabalho documental, tanto de carácter topográfico (a paisagem) como antropológico (em especial, os levantamentos levados a cabo no Alentejo, e em Cabo Verde), sem esquecer a fotografia de arquitectura; ou, pelo contrário, incidir na abstracção fotográfica, que é sempre  menos formalista do que simbólica (os elementos, a natureza viva, plantas e corpos, o tempo). Ou ainda isolar como tema a intimidade pessoal, uma vida fotografada, ultrapassando a divisão entre auto-retratos e retratos.
Poucas obras fotográficas são tão extensas e tão variadas, e tão competentes nos vários géneros em que se podem catalogar - sem incluir, porém, a fotografia de acontecimentos, a reportagem, o documentário social mais imediato ou directo. E poucas obras expõem tão claramente a contiguidade que pode existir entre géneros e entre práticas; entre fotografias do real e do imaginário; entre observação e encenação.

A dimensão experimental pode ser uma evocação ou assimilação das vanguardas históricas (a homenagem a Man Ray, por exemplo),  enquanto ruptura com produções conformistas. Não é, no entanto, e felizmente, o neovanguardismo como paródia triste de a reapropriação de uma retórica política (dita vanguardista) que em geral recobre práticas ensimesmadas numa sequência do formalismo mais exangue em versão conceptualmente auto-referencial (a arte sobre a definição do reducionismo estético). O princípio abstracto da indistinção entre a arte e da vida - que é tantas vezes uma petição de princípio vanguardista, ou uma legitimação de objectos indiferentes - é aqui substituído por uma real dimensão autobiográfica: os retratos das mulheres, dos filhos, etc. E em especial por uma dimensão performativa que inclui a acção colectiva, a encenação e a precaridade ou desaparição dos objectos produzidos.

Entretanto, se de uma experiência se esperam resultados que comprovem ou impugnem uma hipótese, experimenta-se para chegar a algum lado, do experimentalismo de JMR resulta não a repetição de atitudes  e de ensaios, mas o encontrar de formas próprias e diferentes de fotografar a natureza, as coisas e as pessoas. As suas fotografias "convencionais" (planas e singulares) são também experimentais.


9 de agosto de 2008

José M. Rodrigues V

Lá para baixo fica o mapa da exposição com as suas oito salas, corredores e acessos, que constituem um itinerário experimental - uma experiência rara de exploração de uma obra e de um espaço - criado para uma antologia expressamente dedicada ao carácter "experimentalista" da obra do JMR.
Divergindo de variadas maneiras da fotografia canónica (a superfície impressa), essa é uma direcção mais presente num período particular do seu trabalho (anos 1982-86), em objectos fotográficos e nas performances, mas tem antecedentes  em anteriores trabalhos (desde 1972 - fotografias encenadas e "acções", impressões "irregulares" ) e foi reanimada recentemente em novos objectos, em instalações fotográficas e em remontagens de trabalhos anteriores.

Solo
"Solo a Solo" (0.9). Retratos sobre o chão (diferentes chãos). A "verdade" do rosto, a intimidade do retratado, a cumplicidade do modelo, o fotógrafo como predador. As normas do retrato postas à prova - a passagem à cor e à impressão digital finalmente conquistadas.

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7 de agosto de 2008

José M. Rodrigues IV

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de http://aervilhacorderosa.com

Rio

Lucefece, 2007. 67'

É o nome de um afluente do Guadiana, entre o Redondo e Alandroal.  E uma projecção  onde o olhar é arrastado  pelas águas  que fluem ora para lá ora para cá,  com uma pequena e variável ondulação, batida pela luz. Um filme fotográfico e a  fotografia em estado líquido, água de prata, ou a vida.

Um das obras de "cinema de exposição" mais cativantes, e somos nós espectadores que somos directamente cativados, captados, capturados pelo dispositivo fotográfico.

É outra das mais fascinantes salas da Antologia Experimental do José M. Rodrigues  em Évora.

(Lucifece Lucefecit Lúcifer Pode ser o que leva a luz', a estrela da manhã. A versão Lucefece tb sugere fazer (a) luz, mas a história pode ser longa  http://www.celtiberia.net/articulo.asp?id=2989 )

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José M. Rodrigues III

Um objecto fotográfico
Corte
(?) Corte, 2008
Tribunal 

e uma instalação na Sala do Tribunal (os tubos de luz expoem tiras de auto-retratos - se a observação não foi demasiado rápida...). São marcas deixadas na terra, um dos quatro elementos que a obra de JMR persegue - há também uma mala de viagem com retratos e diferentes terras; e há corpos e rostos fotografados sobre a terra, ou relva. O fogo e a água estão tb muito presentes, e já vimos o ar na fotografia animada Ao Vento 1982.

Em cima. O objecto real e o objecto fotográfico, a fotografia. O objecto e a sua presença fotográfica.  O objecto ele mesmo e a sua marca (empreinte, impressão) e réplica, exacta e com a mesma exacta dimensão; mais do que uma representação ou imagem (substituição, sucedâneo, engano - platónico), uma presença concorrente. Positivo e negativo. O objecto (árvore) desrealizado, como metáfora do tempo, e a realidade tangível da imagem. Duas materialidades perfeitas em si mesmo, de uma visualidade intensonde o olhar se demora, tácteis.

Se com as experiências de aprende, e esta é uma antologia experimental, aqui também se ensina a ver, ao longo de um percurso inesgotável.
Em Évora (a árvore, a terra)

5 de agosto de 2008

José M. Rodrigues em Évora II

Palácio da Inquisição, a primeira sala que se vê ( 02- "Corpo e alma")
021

é uma aproximação à obra do JMR centrada no retrato (no auto-retrato, no corpo), com trabalhos que vêm de 1981 até ao presente: as duas pequenas versões vintage, com olhos fechados e abertos, da rapariga com a concha fotografada no claustro do Museu de Évora J83 (Évora 1981, capa de "A Viagem", de 1983, e chamavam-se então "O Sonho Marítimo"), onde se instabilizam as orientações espaciais, tornando mais misteriosa a presença da figura, como uma revelação em que se alteram todas as imagens canónicas de Venus; o casal nu embrulhado nos seus invólucros separados, de Amsterdão 1983, à direita, passando do retrato à encenação performativa, e aqui da vida à morte, ou ao sono, numa prova agora de grande formato. À esquerda um dos retratos a cores, invertidos e digitais da série "Solo", 2005.

Numa obra em que o auto-retrato tem uma presença muito insistente (como espelho narcísico e como interrogação do acto fotográfico), o retrato do outro, igualmente importante, é sempre uma procura da maior intimidade possível, por todos os meios possíveis.

Olhos

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Noutra sala, um objecto fotográfico dotado de movimento (o olho giratório, o relógio) e algumas fotografias recicladas ou reapresentadas em novas condições de visibilidade, e com novos sentidos. Trabalhos originais, alguns agora redescobertos, e novas impressões, novos formatos, montageJamestns em sequências e com diferentes instalações
À esquerda, Ao Vento, de 1982 (fotografia-objecto original, numa caixa com ventoinha; experiência da literalidade da representação e/ou de recusa da imagem fixa); depois,  a série das bolas que saltam, Amsterdão 1982, numa montagem inédita em sequência, e à direita uma grande composição que agrupa imagens de plantas (paredes ou texturas vegetais) dando uma nova eficácia a  paisagens "abstractas", algumas já vistas e outras inéditas.

Reciclar imagens, sujeitá-las a novas disposições ou sequenciações é uma das estratégias desta antologia - e, aliás, já presente em menor grau em diversas exposições anteriores. Por vezes como resposta ao espaço de apresentação e como experiência das imagens no espaço, no prolongamento da atitude experimental do autor. A começar pela grande ampliação aumentada de uma imagem já vista em formatos e orientações diferentes - um beijo de Narciso intitulado Garvão 1996 na antologia da Culturgest, nº 50, impresso ao baixo; sem título e ao alto no cat. de S. João da Madeira 1997 - que agora se vê logo no átrio de entrada por trás de uma porta de vidro, que foi uma solução de recurso e também de grande efeito visual.


4 de agosto de 2008

A Évora: José M. Rodrigues

Atrasei-me demasiado - desde 6 de Junho! - a ir ver a exposição "Antologia Experimental" do José Manuel Rodrigues no Palácio da Inquisição em Évora. Comissariada por Rui Oliveira e apresentada pela Fundação Eugénio de Almeida.
Evora Nokia

Agora, apesar do calor (mas lá dentro não há calor), tenho de voltar e também de esperar que o encerramento anunciado para 31 de Agosto se atrase um mês.
O catálogo ainda não saiu (mais 8, 10 dias), a informação*  sobre a exposição circulou pouco e esta exposição não se vê com pressas: não é tudo igual ou repetido e não há imagens indiferentes.

E engana-se quem disser que já viu, já conhece. As condições de montagem (também e/ou em especial graças ao Rui Oliveira) são magníficas e criam novas pistas de entendimento para uma das mais importantes obras que por cá se fazem, de fotografia e não só (que se fez também pela Holanda, antes e depois do regresso a Évora, em 1993). Ao associar obras antigas e actuais, ou ao restabelecer, nalguns casos, as originais condições de apresentação (anos 70/80) e, noutros, ao inventar diferentes condições de instalação (ou de reeedição) dos originais, as surpresas são muitas e tb a necessidade de entender doutro modo o que se viu antes noutras apresentações. Reeditar, reciclar, transformar são operações que a fotografia torna possível e que aqui ganham uma plena justificação.

Há antigas obras que se julgavam perdidas (esculturas fotográficas e um filme dedicado a Ernesto de Sousa - que conheceu nos 3ºs Encontros de Coimbra em 1983 e foi, além de uma referência vanguardista para o Zé, seu patrono enquanto bolseiro). E há tb obras inéditas, em especial o filme Lucefere, de 2007.

Ze2
 

Ze1 

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três fotos furtivas e péssimas só para se ver que a instalação das fotografias e a construção de objectos e esculturas fotográficas é sempre uma surpresa
aqui há melhores imagens: http://aervilhacorderosa.com/blog/2008/08/fotosensivel.html

(Dá para perceber que esta exposição não tem nada a ver com as chatices oficiais e académicas que dominam as instituições artísticas de Lisboa, e que foram construindo o justo desinteresse dos visitantes, transformando-o em não público. Aqui vale a pena arriscar entrar, e pagar os dois € do bilhete (os folhetos referem 1 €, mas...).

TODOS OS DIAS DAS 9H30 ÀS 18H30
http://fundacaoeugeniodealmeida.pt/agenda_detail.asp?ID=24

#

Também está em Évora, na anterior galeria da Fundação, outra exposição de um grande artista: Léger. São 78 desenhos, guaches e gravura, mas desta vez não vi. A urgência era outra.

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30 de julho de 2008

TN

Um tiro no pé e uma indecorosa cena doméstica

Não é fácil ter amigos ministros na Cultura, e tem acontecido. Amigos pessoais e amigos políticos, por vezes ambas as coisas. Como não faço parte dos happy-few do meio teatral (farei parte involuntária dos das artes plásticas?) não percebo a cena que se passa no Rossio - é só mais uma, esta certamente mais grave por ser obscura, e mais próxima.
Como não há justificações públicas e políticas, pelo menos até agora (e é sempre preciso  justificar antes), parece-me um tiro no pé e uma cena doméstica indecorosa. Explico-me: Conheci o Fragateiro de algumas tentativas para que o PS viesse a ter, ou pelo menos a discutir, uma política para a Cultura (uma cultura política). Era essa uma fundada aspiração, mesmo se uma gente que sempre circulou de gabinete para gabinete prefere que as águas em que navegam sejam declaradas extra-partidárias (passa-se o mesmo com os jornalistas para todo o serviço, desde que confidencial).
Assim, acho um mau espectáculo pôr o governo a atacar o partido que o sustenta. Depois, recomendar-se-ia prudência e razões firmes muito bem publicitadas, se as houvesse, para que as alterações de rumo não sejam ou pareçam ser só atestados de má conduta passados ao precedente titular - ou leviandades do seguinte -, isto é, incoerências de um mesmo governo. Houve imprudência manifesta (e até impudência Infantil) na encenação da peça há muito anunciada e faltaram argumentos para interromper um mandato em curso e com vários êxitos.
Além de tudo o mais, nunca se explicará a recusa ao diálogo (público e político) por tanto tempo. Ou melhor, parece uma teima do pequeno círculo dos detentores das artes.
A cultura - à falta de ministério, felizmente - é hoje cada vez mais a iniciativa e a imaginação dos agentes e actores culturais. E cada vez se percebe melhor que a Cultura de Estado passa hoje, em especial, pelas vereações camarárias, as coordenações regionais, os orçamentos de Bruxelas - e também por Ministérios que se têm dado mais ao respeito (a Economia, Negócios Estrangeiros, Educação, etc). Em geral está-se no bom caminho. Por vezes há acidentes.

http://alexandrepomar.typepad.com/alexandre_pomar/2008/07/as-intrigas-da-cultura.html
(isto já incomodava a 4 de Julho...)

27 de julho de 2008

Goldblatt em Serralves (3)

Ele mesmo apresentando as suas fotografias durante a inauguração:Dg1
(Nokia; 25/07/2008)

Parece-me que Serralves não conseguiu, ou nem sequer tentou, passar a informação de que David Goldblatt é possivelmente o maior, o mais importante, fotógrafo actual.

Não é uma questão de longevidade (não é só o maior fotógrafo vivo), embora ele continue, de facto, uma carreira com 58 anos de actividade, que foi tardiamente consagrada e posta em circulação mediática já depois de 2000. O que aqui importa, para lhe chamar o maior fotógrafo do presente, é que aos 77 ou 78 anos, DG ampliou com grande energia e inventividade a sua obra com a passagem à cor, à impressão digital, ao grande formato, avançando ao mesmo tempo da imagem isolada para a instalação de dípticos e a criação de trípticos, como se pode ver em Serralves, numa exposição de obras muito recentes e algumas inéditas que é também uma revisão da carreira sob uma nova abordagem.
Novas pistas temáticas e diferentes maneiras de ver tornam ainda mais exemplar (e único) o trabalho de um fotógrafo que interroga a história, a situação actual e o futuro possível do seu país, a África do Sul. É tambem por nos mostrar o que sabe da África do Sul (com tudo o que este país significa e importa no seu continente e no mundo) - e por nos mostrar como a fotografia pode hoje como sempre (e sempre por novos caminhos) investigar e documentar uma história, um lugar e as suas contradições e conflitos, que DG é o mais importante fotógrafo do presente.

Ao apresentar as suas fotografias na inauguração (e na gravação que se irá poder ouvir no audio-guia da exp.), ao comentá-las numa sessão pública no dia 26 em Serralves, respondendo às questões do comissário Ulrich Loock e do público, David Goldblatt foi tb, em pessoa, o mais fascinante dos fotógrafos, o mais lúcido e empenhado informador sobre o seu trabalho.

Ter conseguido cruzar o mundo da chamada arte contemporânea (Documenta, MACBA, Serralves...) e os circuitos da fotografia (Arles, por exemplo), ambos tendencialmente fechados sobre si mesmo, é igualmente um dado importante, com o qual a sua obra tb abre e consolida caminhos.

COM AS EXPs. DE GOLDBLATT E MANOEL DE OLIVEIRA, SERRALVES TEM UM GRANDE VERÃO

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23 de julho de 2008

Goldblatt (2)

David Goldblatt a partir de dia 25 (6ª) em Serralves e Guy Tillim em 2009

"Intersections  Intersected "

Michael Stevenson Gallery  Cape Town  (January - March 2008)

http://www.michaelstevenson.com/contemporary/artists/goldblatt.htm

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"David Goldblatt’s photographs of the last decade are an ongoing exploration of the intersections between people, values and land in post-apartheid South Africa. They develop and take into new terrain the approach underlying his major essays from the years of apartheid.

In this exhibition these continuities and developments are exemplified in two bodies of work.

In the first, photographs from essays undertaken in the years of apartheid have been paired with photographs from Goldblatt’s post-apartheid work. The tensions, congruities and incongruities to be found in these pairings speak in varying ways and layers of life here and, not least, of continuity and change in South Africa.
The second is a series of triptychs in each of which complexities of time, space and meaning surrounding a number of subjects are explored through the intricate relationships yet separateness of their three images.
Clearly revealed in both bodies of work is the connectedness of vision and thought that threads through all of Goldblatt’s photography – early and recent, black-and-white and colour.

Goldblatt has been critically exploring South African society through his photographs for more than half a century, has published a number of books and has received international recognition for his work. His retrospective, David Goldblatt: Fifty-one years, toured galleries and museums in New York, Barcelona, Rotterdam, Lisbon, Oxford, Brussels, Munich and Johannesburg between 2001 and 2005. He won the 2006 Hasselblad Award in recognition of his lifelong achievements."

Picture 3

 ver  http://www.michaelstevenson.com.../intersections200

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22 de julho de 2008

Adelino Lyon de Castro III

O mais antigo texto sobre Adelino Lyon de Castro que conheço é precisamente a notícia da sua morte aos 43 anos:

Adelino
publicado no jornal Ler, Jornal de letras, artes e ciências, nº 18, Setembro de 1953, pág. 1.
ALC era o editor e Francisco Lyon de Castro o editor; propriedade de Publicações Europa-América (o último nº seria o 19, porque não foi aceite pelo governo a substituição do editor).

Não conheço o seu trabalho de foto-repórter desportivo (onde?)

(Entretanto, seria o cinema o velho sonho prestes a concretizar-se?)

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Molder & Cia

O "Público" de domingo - dia 20 - dedicou um grande trabalho duplo (1º e 2ª cadernos, vão-se lá perceber quais os critérios editoriais) aos 25 anos do Centro de Arte Moderna e ao que seria a sua cinzenta inoperacionalidade actual?*. Para além do péssimo retrato do fotografo em acumulação também se percebe que a administradora Teresa Gouveia contou na antiga SEC com um conjunto de técnicos que contribuiram para o boa memória que deixou - na FG faltam-lhe esses colaboradores (ou não os ouve, e as entrevistas em Londres só a baralham).
Para quem coloca a competência da administração pública abaixo da privada, está aqui (como no BCP e noutros muitos lugares) exemplo contrário. O pântano ameaça em qualquer o lado.

Mas a questão decisiva é que enquanto se discute Molder, Costa Cabral e Gouveia, e nos vamos afundando com eles, estamos a perder a possibilidade de conversar sobre um muito pouco interessante escultor brasileiro que ocupa por seis meses (!!) toda (!!!) a grande nave do CAM, um tal Waltercio Caldas (quem?), ao tempo em que pela pequena sala também passam pequenas curiosidades (porquê?), e a  galeria da sede se ocupa com uma muito débil escolha de uma poderosa colecção alemã, recoberta por um nome em inglês pateta. Tudo vazio claro, até porque se pede 4 € em cada uma sem haver razões para lá entrar - não é a crise, é a ausência de estímulos e de razões. (Mas, apesar de tudo, a montagem temporária da colecção permanente tem vários motivos de interesse <e alguns lugares fluentes, numa acertada opção de expôr muita coisa em pouco espaço - dia 22>.)
Não há público, porque o afastam com escolhas impróprias. O caso é geral. Na Culturgest também não há e, para dar outro exemplo, o conjunto das exposições do Ar.Co não ajuda ninguém a manter o antigo hábito de percorre exposições. Aliás, nas galerias também não há público, há só clientes (muito poucos). E, claro, vai sempre havendo algum "público especializado" nas inaugurações, o que faz parte do sistema ou espera lá entrar.

O trabalho do "Público" é, pelo que diz e pelo que silencia, um bom momento cultural (<no terreno da cultura impera o jornalismo reverente e obrigado, enquanto nos da polkítica ou do desporto predomina a imaginação>). Mas mitifica bastante o que foram os primeiros anos do CAM (depois da vinda da colecção do Museu de Eindhoven em 1984, e da excepcional exposição "Diálogo" em 1985, esta bastante criticada na sua vertente nacional).
Sem programa e com escassos meios, Sommer Ribeiro foi tentando fazer o melhor que sabia e podia. Não foi isso que se quis fazer a seguir.

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16 de julho de 2008

trânsitos


1 - Xana 
Sala do Veado, in "No Connection", até 31 Xanaweb
"Flower Power, 2008 - esboço para desenho no espaço /  objectos de consumo / dimensões a descobrir" (foto Nokia)
- é a "grande obra" sobre a crise energética e os debates actuais sobre os combustíveis.

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12 de julho de 2008

DAVID GOLDBLATT em Serralves

Em 2002, o CCB apresentou David Goldblatt, um dos grandes fotógrafos da África do Sul, revelando uma longa carreira iniciada no início dos anos 60 e pouco conhecida no exterior (ou pouco mediática), também devido aos tempos do appartheid - pelo menos até à retrospectiva itinerante que então passou por Lisboa.

Gold1 ed. MACBA, Barcelona 2001

Goldblatt vai voltar a Portugal, agora no Porto e em Serralves, numa mostra com um estranho título < é de facto o título da mostra original apresentada em Cape Town > que vai ser preciso ultrapassar para dar passagem à obra e ao seu autor - fotógrafo nascido na África do Sul em 1930 de pais judeus lituanos.

DAVID GOLDBLATT: INTERSECÇÕES INTERSECTADAS
26 JUL - 12 OUT 2008 - MUSEU DE SERRALVES

    "Internacionalmente reconhecidas, as fotografias de David Goldblatt estão profundamente radicadas na realidade da África do Sul. Até à abolição do regime do apartheid, em 1994, o artista confinou-se deliberadamente às imagens a preto e branco, escrutinando as condições de vida da dominante classe branca e as da restante população, fortemente discriminada. Depois de 1994, Goldblatt aventurou-se no domínio das imagens a cores de paisagens de grande escala. Que significado tem para um artista uma mudança profunda na realidade a que estivera ligado anos a fio?"

do press release: "A exposição das obras de David Goldblatt no Museu de Serralves é principalmente  composta por pares de fotografias que confrontam imagens a preto e branco (tiradas durante o apartheid) e imagens a cores (do pós-apartheid). Por vezes, os pares de  fotografias retratam o mesmo local 20 anos depois. Noutros casos, Goldblatt agrupa fotografias de acontecimentos semelhantes em diferentes momentos. Através das imagens assim agrupadas, o fotógrafo introduz um forte elemento temporal no seu
trabalho. Esse elemento, no entanto, não é linear, não estabelece relações de causa-efeito, cria sim resultados imprevisíveis. Na exposição que agora inaugura, estes pares de fotografias têm a sua primeira apresentação fora da África do Sul.

'Intersecções Intersectadas' traz ainda ao público de Serralves imagens de outras séries de trabalhos, a cor e a preto e branco, trípticos que mostram o mesmo local de vários ângulos e imagens da série “In the time of AIDS”, bem como cerca de 40 imagens da cidade de Joanesburgo, dos vários períodos da carreira de Goldblatt.
 
Esta exposição será composta por cerca de 100 fotografias e representa uma pequena parte do vastíssimo arquivo fotográfico de Goldblatt, resultado de quase 50 anos de carreira."

Comissariado: Ulrich Look
Produção: Fundação de Serralves
Conversa com David Goldblatt e Ulrich Loock (em inglês)
26 JUL 2008 (Sáb), 17h00

Ver texto sobre a exposição de  2002 no CCB que até foi capa do Cartaz do Expresso

Sobre David Goldblatt está acessível o peq. volume da Col. 55 da Phaidon (2001) com texto de Lesley Lawson.

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Entretanto, seria interessante dar a conhecer Roger Ballen (New York, 1950), sul-africano de adopção desde os anos 80, de quem a Col. Photo Poche de Robert Delpire (ed. Nathan, 1997) publicou "Cette Afrique là". Em 2007, durante o PhotopEspaña a Gal. Max Estrella apresentou "Shadow Chamber", livro de 2005. Ver www.rogerballen.com

E mais ainda descobrir os fotógrafos que animaram desde os anos 50-60 o magazine"Drum", como Jürgen Schadeberg, Bob Gosani e Peter Magubane, enquanto em Moçambique se afirmava a obra de Ricardo Rangel...

4 de julho de 2008

As intrigas da cultura

Do EXPRESSO online (04/07/2008):
"A direcção do Teatro Nacional D. Maria II, tutelado pelo Ministério da Cultura, é desde ontem apontada no meio cultural como o novo desafio de Diogo Infante. Contactado pelo Expresso, o gabinete de José António Pinto Ribeiro não confirma que tenha havido qualquer convite ao actor nesse sentido, mas não nega a hipótese.
A vontade do ministro da Cultura em nomear nova direcção para aquele teatro nacional já é conhecida há alguns meses. Pinto Ribeiro está desde Abril preocupado com os destinos do D. Maria devido às divergências internas no seio da administração do teatro.
A carta de demissão apresentada por José Manuel Castanheira na última sexta-feira terá acelerado o processo. Porém, com Carlos Fragateiro ainda como director artístico, nenhum membro da administração do Teatro Nacional tinha sido informado até há instantes de qualquer intenção do MC, não havendo também qualquer reunião agendada com a tutela.
O Expresso sabe, no entanto, que Carlos Fragateiro prepara um memorando desde a sua entrada para o cargo para enviar a Pinto Ribeiro.
Diogo Infante mantém-se incontactável desde quarta-feira à tarde, altura em que o Expresso avançou com a notícia da sua demissão. As razões que levaram à sua decisão são agora mais claras".

O espectáculo - teatral - é lamentável (se o Expresso não  especula, e julgo que não é o caso da Alexandra Carita).

Está-se no meio de enorme confusão, e mais uma vez "a Cultura" é um terreno de intriga incompreensível  (irracional?), de famílias mundanas que rondam todos e quaisquer poderes e de uma enorme falta de lógica política - é de política que se trata aqui e não de gosto artístico.
"A vontade do ministro já era conhecida"? - como é isto possível?, por via de que consultores, conselheiros ou portavozes? Quem é que "aponta no meio cultural"?
O presidente do conselho de administaração e director artístico do Teatro - Carlos Fragateiro - nunca teve acesso a um encontro com a tutela? - como é isto possível?  O ministro estava preocupado desde Abril mas não reúne com o responsável em causa? E isso sabe-se? A próxima temporada devia estar aprovada, contratualizada e divulgada e S. Excia não recebe, não diz, não fala?
O caso José Manuel Castanheira (é mesmo um "caso", não um problema de divergências) é julgado por si mesmo ou está a ser apenas usado como argumento de uma manobra mais vasta?
Que lobies, que figuras aconselhantes pairam pela Ajuda? E que têm eles a ver com qualquer entendimento político (socialista, PS, claro) da cultura? Pior - quem é aqui mais socialista?

Isto já corria mal quando o Carrilho percorria o país a distribuir cheques, a alimentar clientelas e a enredar expectativas inverosímeis. Sem dinheiro, era preciso melhorar o discurso. E não tem acontecido.
LoveslaboursLost
Tanto Amor Desperdiçado, encenação de Emmanuel Demarcy-Mota, no TNDMII em 2007

3 de julho de 2008

Terra Incógnita

A partir de dia 8, 3ª feira:

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Fotografias de  Santimano Santimano na P4

e tb, 4ª feira, dia (19h30)

MOÇAMBIQUE / A ILHA / A PRETO & COR,
de Sérgio Santimano e Luís Abélard

produção do Instituto Camões, 2007, na FÁBRICA BRAÇO DE PRATA

Lha 

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2 de julho de 2008

Colecção Pente 10

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Pente4

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30 de junho de 2008

agenda

JOSÉ PEDRO CORTES na Módulo, dia 5, sábado

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e a seguir Sérgio Santimano e "Terra Incógnita" na P4 - dia 8

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Dia 1, a partir das 19h
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FLOR GARDUÑO
Pente 10.  até 9 de Agosto
Horário: 3ª a Sábado, 11H00 às 19H00
Travessa da Fábrica dos Pentes, 10 (ao Jardim das Amoreiras)
Tel. 91 885 15 79 /21 386 95 69

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FILIPE FELIZARDO na KGaleria, dia 2

CONVITE

25 de junho de 2008

Steichen hoje, perto

EDWARD STEICHEN. Una epopeya fotográfica

Lugar: Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía.
Fechas: 25 de junio – 22 septiembre 2008

Casi trescientas fotografías originales, acompañadas de material documental, componen "Edward Steichen. Una epopeya fotográfica". La muestra, que ha contado con préstamos de importantes colecciones de museos de Estados Unidos y de varios países de Europa, hace un repaso completo y preciso por la prolífica obra de Steichen (Bivange, Luxemburgo, 1879- Umpawa, 1973). La retrospectiva, que llega a Madrid tras su paso por París, Lausanne y Reggio Emilia, se convierte en la exposición más  completa realizada hasta ahora sobre el trabajo de una de las figuras clave de la historia de la fotografía

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Edward Steichen, Enlisted Men Relax on the USS Lexington, 1943, Ink jet print, printed in 2007, 32,2 x 47,4 cm. © Photo Courtesy US National Archives, Washington, DC, USA. (in
http://www.artdaily.com/index.asp?int_sec=11&int_new=24826&int_modo=1


E também, no Museu do Traje:
"Steichen. Fotografía de Moda: los años de Condé Nast, 1923 -1937"

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Fotografias não artísticas



" Se quisermos uma história da fotografia
a sério e não apenas uma história
selectiva de umas tantas fotografias
artísticas, ela vai ter de expandir as
suas fronteiras e incluir uma série de
coisas que até agora tem ignorado,
como os instantâneos. "

Há sempre quem invente outra vez a pólvora, ou surgem sempre alguns académicos a tentar vender uma originalidade qualquer que já foi inventada há muito: gato por lebre. Não percebi porque é que, com tantos temas à espera de ser tratados se deram duas páginas de um diário a uma conversa sobre instantâneos familiares anónimos amalgamados com a questão mais vasta da fotografia vernacular, que viriam sustentar uma outra história da fotografia.

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22 de junho de 2008

Lisboa, São Tomé, Maputo

Mudaulane Celestino Mudaulane, Jardim Gulbenkian (Toldos de artistas)

1 - Os toldos começam por ser úteis, por causa do sol de verão. Dão sequência a um dos números bem sucedidos do programa de 2007 (o aniversário da FG, "O Estado do Mundo"). Permitem o regresso de um artista de Moçambique (escultor, e que faz um uso notável da cerâmica, o que aqui ainda não houve oportunidade de ver - ou eu não me lembro). Entre outros artistas de muito diversas origens e com diferentes êxitos neste programa.
Vêm a propósito do diálogo intercultural, coisa que se decretou em Bruxelas, que está na moda (antes era o multicultural,  o posmoderno, etc), e que por isso mesmo é às vezes uma conversa burocrática pouco credível. Mas o que importa é a mudança de ares, o contacto com alguma vitalidade exterior, a saída do gueto.

2 - Outro sinal de abertura é (pode ser) a Bienal de São Tomé e Príncipe cuja 5ª edição se vai iniciar já  no dia 26, sob o título "Partilhar Territórios", e de que é comissária ("curadora") Adelaide Ginga - ex-subdirectora do Instituto das Artes, agora no Museu do Chiado - e "curadora técnica" Marta Mestre - do Centro das Artes de Sines. O programa constitui um notório upgrade duma iniciativa local dinamizada por João Carlos Silva (artista e autor de Na Roça com os Tachos, director do Centro Internacional de Arte e Cultura, CIAC, promotor da Bienal). Emídio Rangel foi localmente apontado como responsável pela comunicação e imagem da Bienal. O design gráfico é de Henrique Cayatte, o web design de Tiago Borges.

Na agenda estão em destaque uma Exposição Internacional  (Portugal, Angola, Benim, Brasil, Espanha, etc) e a presença de Mário Soares, evocando a passagem de 40 anos sobre o seu exílio em São Tomé

Picture 1

A Bienal é anunciada no site www.artafrica.info promovido em 2001 pelo Serviço de Belas Artes da Fundação Calouste Gulbenkian, no quadro da política de ajuda ao desenvolvimento daquela Instituição, e mais tarde  associado ao projecto "Dislocating Europe", com sede no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

site da Bienal: www.bienalstp.org

3 - Terceiro motivo de atenção "intercultural" é o regresso à feira Arte Lisboa, em Novembro, do Muvart, o Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique, animado por Jorge Dias e Gemuce. A candidatura foi apresentada e aceite, voltando a colocar-se a perspectiva de a feira de arte de Lisboa projectar uma dimensão própria de plataforma de circulação da arte que se faz na África de expressão africana.
Jorge Dias é, alias, o único artista de Moçambique anunciado pela Bienal de São Tomé.

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21 de junho de 2008

Secla, 1959


Secla1
António Quadros, sem titulo, 1959, diam. 38,5 cm, barro vermelho com engobes e vidrado transparente. Fábrica Secla, Caldas da Rainha.  (col. particular - in António Quadros, O Sinaleiro das Pombas, Porto 2001/Árvore. Pág.138)

ver:    http://dn.sapo.pt/2008/06/20/dnbolsa/o_da_ultima_grande_fabrica.html

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