Google search


  • a web
    alexandrepomar.typepad.com
Blog powered by TypePad

Twitter Updates

    follow me on Twitter

    « Siza 1996 - retrospectiva e ESE Setúbal | Main | 1993 Sebastião Salgado, "Trabalho" »

    06/15/2007

    Siza 2003 - Torres de Alcântara

    EXPRESSO/Actual de 08-11-2003
    "Extracatálogo" (coluna de opinão) sobre as torres de Alcântara de Álvaro Siza
    «Práticas rasteiras»

    Nem o mais leve vestígio de disponibilidade para pensar como se transformam as cidades, ou o mais ténue desejo de que o futuro não seja a mera repetição de um passado medíocre. O imobilismo preguiçoso, apenas. Uma oposição rotineira que se compraz nas derrotas.
    Álvaro Siza apresentou o que parece ser um grande projecto arquitectónico para Lisboa. O «Público» (31-X) publicou a fotografia e citou alguns números e argumentos que justificam uma posição de expectativa. Três torres a construir em Alcântara, com as formas de um cilindro, um estreito paralelipípedo e um tronco de pirâmide, erguidos em materiais diversos. Com 105 metros de altura (35 andares, apenas) e a ultrapassar um pouco o tabuleiro da ponte.

    Torres1

    maquete das torres de Alcântara na exp. da Central Tejo (15-06-2007)

    Antecipando o medo das alturas, explicou que as torres permitem libertar vastos espaços verdes e de usufruto público: cerca de 3,3 hectares, em 4,5 hectares de terreno. Explicou que construir edifícios com oito pisos, nos limites do Plano Director Municipal (PDM), iria gerar uma excessiva e monótona ocupação do espaço: "Pareceu-me monstruoso, resultava numa espécie de casernas e ficava muito denso". A abertura de uma alameda quase perpendicular ao Tejo e uma construção baixa que faz a ligação à beira-rio, ultrapassando a barreira do caminho de ferro e da estrada, integram o projecto, mais seis edifícios de quatro pisos e parques de estacionamento.

    As primeiras torres desenhadas por Álvaro Siza parecem ser um desafio capaz de marcar a área ribeirinha com uma nova imagem emblemática. Mas a resposta imediata foi tão revoltante como o projecto é empolgante.
    No «Público» do dia seguinte falou o que passa por ser a esquerda, uma esquerda que já não é revolucionária nem reformista: é conservadora, reaccionária. Podia reivindicar o realojamento da população de Alcântara que vive em áreas degradadas, discutir os custos energéticos da construção em altura, defender a municipalização do solo urbano, pensar qualquer coisa. Mas não sabe fazer mais do que agarrar-se à letra de um regulamento datado, rígido e constantemente desprezado. E, aliás, já em processo de revisão.

    Cumprida a obrigação mínima de o considerar "um projecto interessante, como qualquer projecto com o traço de Siza Vieira", a vereadora Margarida Magalhães (PS) diz que as torres «violam o PDM porque ultrapassam mais de quatro vezes a altura máxima permitida para os edifícios daquela zona». Acrescenta que "este projecto é actualmente uma utopia e não tem condições para avançar com o actual PDM" (utopia é uma palavra obscura neste contexto). Refere que «é importante respeitar a decisão dos lisboetas, que se mostraram "contra a construção em altura", durante a discussão pública que antecedeu a aprovação do actual PDM, no início da década de 1990».
    Que pensavam os lisboetas quando a cidade moderna se começou a fazer com o Bloco das Águas Livres, o Ritz e os prédios do cruzamento das avenidas de Roma e EUA? «As torres ficarão "desenquadradas" da restante malha urbana e da zona ribeirinha », diz. Como foram desenquadradas, antes de construídos, o Aqueduto e a Torre de Belém. Não é com os casos da torre da Margueira ou dos antigos blocos de Abecassis no vale de Alcântara que importa fazer comparações.
    O PCP resolve o problema com a fórmula da ofensiva da direita. Basta-lhe a cassete para alimentar os fiéis: "Inscreve-se na ofensiva violenta que a direita vem prosseguindo em obediência aos ditames dos sectores mais especulativos do imobiliário, a quem só interessa o lucro, nem que seja à custa da total desfiguração da cidade". Decreta que «o projecto ofenderia a lei, a cidade e o bom senso", mas é ele quem ofende o especialista em urbanismo que Siza também é.
    Que condenação à pequenez nos amarra à monotonia urbana dos oito andares oito e à rotina desta oposição rasteira?

    TrackBack

    TrackBack URL for this entry:
    http://www.typepad.com/services/trackback/6a00d8341d53d453ef00e008c616b58834

    Listed below are links to weblogs that reference Siza 2003 - Torres de Alcântara:

    Comments

    Verify your Comment

    Previewing your Comment

    This is only a preview. Your comment has not yet been posted.

    Working...
    Your comment could not be posted. Error type:
    Your comment has been saved. Comments are moderated and will not appear until approved by the author. Post another comment

    The letters and numbers you entered did not match the image. Please try again.

    As a final step before posting your comment, enter the letters and numbers you see in the image below. This prevents automated programs from posting comments.

    Having trouble reading this image? View an alternate.

    Working...

    Post a comment

    Comments are moderated, and will not appear until the author has approved them.