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02/10/2008

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Miguel Amado

Caro Alexandre,

Pertinente esta entrada sobre os artistas portugueses e Nova Iorque (só não se percebe se o texto é seu, do Pedro Reis ou conjunto, mas pela escrita creio ser do Pedro Reis). De facto, tardava que as entidades e agentes portugueses notassem o dinamismo da comunidade artística portuguesa nesta cidade; afinal, já não é só em Berlim que alguns artistas portugueses fixaram residência na sequência da residência da Kunstlerhaus Bethanien financiada pela Fundação Gulbenkian. Gostaria de aproveitar esta oportunidade para fazer uns pequenos reparos ao texto - que em nada o beliscam mas que, já agora, vale a pena enunciar – e acrescentar alguns dados. A exposição inaugural do New Museum não foi comissariada apenas pelo Massimiliano Gioni, mas também pelos restantes membros principais do staff curatorial do museu: Richard Flood, Laura Hoptman e Lauren Cornell (esta apenas na componente sonora e “new media”). A visita ao atelier/apresentação do Carlos Bunga inseriu-se nas actividades para os “members” do New Museum, indivíduos que financiam o museu em troca de benefícios e programas especiais, como a visita a ateliers; neste caso concreto, este programa foi conduzido pela Laura Hoptman. O Carlos Bunga já trabalhou em vídeo, quando ainda estava na ESAD, e estas obras revelaram-se importantes na definição dos seus interesses, posteriormente desenvolvidos noutros meios de expressão. O Swiss Institute não pode, nem de longe nem de perto, ser comparado à FLAD; trata-se de um pequeno mas muito dinâmico centro de exposições, financiado pelo governo suíço mas com um programa apenas parcialmente sujeito a este vínculo, já que muitos dos artistas que por lá passam não têm esta nacionalidade; integra a rede de espaços alternativos às galerias comerciais composto por, entre outros, a Art in General, a White Columns e o Artists Space. Outros artistas actualmente a fazer residências artísticas em Nova Iorque: Pedro Barateiro e Mafalda Santos. Outros artistas a viver em Nova Iorque, em situação permanente (que vieram estudar ou fazer residências artísticas e ficaram na cidade): Alexandra do Carmo, Carlos Roque, Rita Sobral Campos, Ricardo Valentim, Susana Gaudêncio, Ana Cardoso, João Simões (espero não estar a esquecer-me de alguém); além, claro, dos já nova-iorquinos Rita Barros, Judite dos Santos e Jorge Colombo. Outros que viveram durante alguns anos mas que residem agora noutras cidades: Jorge Queiroz, Alexandre Estrela, Sancho Silva. Outros que virão em breve: Luís Nobre e, certamente, mais uns quantos...

Abraço,

Miguel

ap

Não percebo as dúvidas sobre a autoria do texto, uma vez que vem a mesma identificada três vezes (o que comecei por achar excessivo e afinal não bastou!): no título, no início e no fim. Mas ainda bem que você veio acrescentar alguns dados a uma colaboração que sublinhou acontecimentos recentes ou em curso, sem pretender esgotar os respectivos temas - espero que haja matéria e oportunidade para mais notícias e comentários próximos. E não se terá esquecido você do Pepe Diniz e do Martim Avillez? Obrigado pela sua disponibilidade e participação.

Pedro dos Reis

Olá Miguel,
Obrigado pelas correcções.
Relativamente à enumeração dos artistas, não quis fazer uma resenha histórica ou mostrar uma perspectiva global, mas sim de falar de algumas pessoas que na minha opinião estão a fazer um trabalho interessante e que merece ser destacado (como mencionei no início do texto, aliás) - não querendo dizer com isto que as outras não o estão.
Espero que todos estes artistas, e já agora curadores (como é o teu caso ou ainda, por exemplo, a nossa amiga Rita Palma, que passou por aqui ainda há bem pouco tempo), tenham enorme sucesso na sua estadia permanente ou passagem por esta cidade.
Ja' agora e porque mencionaste os nomes da maioria das pessoas que cá estão neste momento, gostava de acrescentar o Nuno de Campos e a Isabel Pavão, também.
Gostava também de te agradecer pelo feedback, pois entendi pelo teu comentário que talvez tenhas ficado com a impressão que me reduzi demasiadamente a apenas estes três artistas e à exposição do Iowa (da qual fizeste parte, se não estou enganado), quando muitas outras coisas aconteceram há tão pouco tempo, como o "Stream", por exemplo, mas achei que não seria aqui a altura de fazer um texto muito exaustivo, visto que a cidade é muito dinâmica, como bem sabes, e existirão sempre temas interessantes a abordar.
Pedro

Miguel Amado

Caro Alexandre,

Talvez fosse melhor escrever "texto de Pedro Reis" em vez de "colaboração de Pedro Reis", pois esta última expressão pode, por exemplo, significar que o Pedro Reis lhe forneceu alguns elementos com os quais redigiria um texto da sua autoria, como aliás se espera na medida em que o "post" é seu e o texto do Pedro não aparece como um comentário. Adiante, porque se tratam apenas de detalhes e das condições fluidas de leitura e escrita de "blogs". Seguem algumas observações extra, que espero que enriqueçam o que já foi dito sobre este assunto. O meu comentário destinava-se não a colocar em causa o que o Pedro disse mas a complementar as suas observações. Pretendia, assim, salientar que os artistas que o Pedro destaca não constituem casos isolados, mas integram uma dinâmica que surgiu já há algum tempo e que certamente continuará. Tal deve-se ao facto de a Fundação Gulbenkian e a FLAD financiarem, todos os anos, duas residências artísticas de seis meses (e de outros artistas conseguirem diversos apoios para passarem temporadas em Nova Iorque, como aconteceu com o Carlos Bunga e o Miguel Palma e acontecerá com o Luís Nobre, que obtiveram fundos da Fundação Ilídio Pinho em troca de obras para a colecção que esta entidade desenvolve). Mas tal deve-se, sobretudo, ao facto de outros artistas, como a Catarina Leitão, os que mencionei e os que o Pedro acrescentou (eu bem disse que me esqueceria de alguém...) viverem na cidade, participando com maior ou menor intensidade na sua cena artística. Outros há ainda que trabalham parte do ano em Nova Iorque, como o Miguel Ângelo Rocha, que ainda agora expôs duas vezes seguidas na ATM Gallery (com direito a uma recensão na Artforum.com não escrita por mim, o que quer dizer que o seu trabalho, talvez mais do que o de qualquer outro artista, chamou bastante a atenção da comunidade artística local recentemente). E outros expuseram a solo recentemente, como o João Onofre, o Carlos Roque, o Ricardo Valentim, o Edgar Martins ou, antes, o Nuno de Campos (que entretanto saiu da LFL Gallery quando esta se transformou em Zach Feuer), isto para não falar do Julião Sarmento, há muito representado por uma galeria prestigiada. De um ponto de vista crítico, importaria portanto contextualizar mais a situação para não dar a impressão de que havia uns “heróis” a “safar-se” em Nova Iorque, por mais que o trabalho que cada um dos artistas referidos pelo Pedro seja super-meritório. Quanto à exposição no Grinnell College, apenas o reparo de que não participei no projecto, mas que apenas fui convidado a fazer uma visita guiada. Como ainda não a vi, não posso tecer mais comentários; porém, independentemente da boa-vontade de todos os envolvidos, não acredito que traga qualquer coisa de novo à parca visibilidade dos artistas portugueses em Nova Iorque, em particular, e nos EUA, em geral, porque como o Pedro disse – e bem – o Iowa é um estado totalmente periférico e, porque, na minha opinião, exposições do tipo “selecção nacional” são completamente desinteressantes em termos curatoriais e não geram mais do que indiferença – e mesmo desdém – por parte da comunidade artística internacional. O problema, como o Miguel Palma referia ao Pedro, assenta mesmo na infelicidade de se ter nascido em Portugal, não porque o país seja pequeno, mas porque pequenas são a mentalidade, o empenho e o sentido de risco dos portugueses. Infelizmente, para a maioria, o mundo ainda acaba em Vilar Formoso...

Um abraço,

Miguel

Joana

Caro Alexandre, Pedro e todos os demais leitores,

Visito diariamente este blog, por todas a razões e mais umas quantas. Gosto do que aqui se lê. Neste momento não estou em Portugal por razões profissionais, mas interessa-me saber o que por lá se passa, pensa e, consequentemente, escreve. Acompanho os apontamentos que o Alexandre vem fazendo.
Confesso que achei uma boa aposta abrir as portas a palavras de outros fora do espaço traçado pela tradição blogueriana pelos comments. Simplesmente porque faz respirar o que ali se escreve e, como sabemos, ao contrário do inbreeding, diálogos saudáveis, que promovam outros contextos, só enriquecem.
Parece-me que o Alexandre tem a capacidade editorial para tomar decisões com qualidade e estou pasmada com este fuzz acerca da autoria do post. É óbvio desde o começo, e como o Alexandre já apontou, até de um modo excessivo, mas pelos vistos o | e v i d e n t e | não o é para todos.
Assim, colaboração é no blog, colaboração é na distância, colaboração é no ponto de vista, que é, de resto assumido como pessoal, colaboração é um texto/post pessoal e transmissível…
Seria bem mais profícuo para todos que em vez de "reparos" à boa moda escolástica se apontassem pistas, novas entradas. De resto, os detalhes são sempre bem vindos, mas fiquei com a sensação que o texto do Pedro Reis tinha como intenção dar uma visão pessoal e global daquilo que ele entendeu que merece ser destacado relativamente aos pontos de encontro entre a comunidade artística portuguesa em NY, a cidade e, consequentemente, o mundo.
Finalmente, gostava de referir que, sendo NY um dos principais centros criativos no domínio das artes visuais, talvez fosse interessante, abrir um espaço de discussão sobre o que está acontecer, como se processam esses pontos de comunicação, o que se faz, onde acontece.
Um abraço a todos,
Joana

lj

"[...] indivíduos que financiam o museu em troca de benefícios..." — É só hipocrisia. Onde está a autonomia da arte? Pois... os hippies transformam-se em yuppies!

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