Uma das marcas dos jornais de agora é a falta de memória, o que pode significar primeiro carência de memória colectiva, depois de memória especializada dos responsáveis sectoriais e dos redactores de serviço (a regra tornou-se a mutabilidade constante das pessoas, do desporto para o internacional, etc., só para instabilizar a hierarquia dependente - "flexibilidade" é outra coisa), e por fim falta de recurso aos arquivos. Seria curioso verificar o encerramento dos arquivos na passagem do papel ao digital (a destruição ou inacessibilidade das bibliotecas, dos arquivos documentais, dos acervos fotográficos em película ou papel), ou a externalização (?!) dos centros documentais, transformados em empresas associadas nos melhores casos. O que não é consultável na rede interna ou no Google deixou de procurar-se.
Sobre este pequeno caso Paula Rego vs Dalila Rodrigues (ou vice-versa), os jornais publicam e repetem uma notícia sintetizada em duas linhas e umas frases soltas vagamente justificativas oriundas de uma vereadora da Câmara de Cascais e vice-presidente da Fundação PR. Para os numerosos comentadores (o público atento) é o bastante para poderem dizer não importa o quê, na confortável situação de ter-se tanto mais opinião quanto menos se sabe sobre um qualquer assunto. Uma vez que em matéria de arte contemporânea impera (ou parece) o não importa o quê (*), a adequação da atitude dos comentadores à matéria em causa é evidente - não existe.
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