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Seven stories about modern art in Africa: an exhibition / organized by the Whitechapel Art Gallery; concept and general edition, Clémentine Deliss. Ed. Paris; New York: Flammarion, 1995. 319pp. : Catalog of the international exhibition held at the Whitechapel Art Gallery, Malmo Konsthall, and the Solomon R. Guggenheim Museum (Soho), New York, Sept. 27, 1995 - Sept. 1996. Includes bibliographical references. (pp. 290-318). (in http://www.sil.si.edu/SILPublications/ModernAfricanArt/maadetail.cfm?subCategory=1990s ) via The Book Depository 14,40€
As sete histórias passam-se na Nigéria (Chika Okeke), no Senegal (El Hadji Sy), Sudão e Etiópia (Salah M. Hassan), África do Sul (David Koloane) e Kenia e Ugana (Wanjiku Nyachae). Os narradores são africanos. Os textos gerais são de Clémentine Deliss e Everlyn Nicodemus (Third Text).
São acompanhadas por recolhas (Recollections) de entrevistas, depoimentos memorialistas, manifestos de cada uma das áreas em questão. E por índices e cronologias sobre escolas, workshops, movimentos, exposições e bibliografia.
A entrada sobre Seven Stories no "Sampler" de Africa Remix (Thomas Boutoux e Cédric Vincent) parece-me a mais correcta apresentação do catálogo, que teve à data críticas pouco favoráveis (os artistas expostos não eram os habitualmente cooptados).
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Os capítulos sobre a Nigéria alargam a informação disponível sobre a Zaria art Society de Uche Okeke e Demas Nwoko, a "Síntese Natural", o Mbari Club de Ibadan (Julho 1961 - 1971) e "The Oshogbo Experiment", associando Ulli Beier, Susanne Wnger e Georgina Beier...
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depois de
"Africa explores. 20th century african art" Exhibition catalogue by Susan Vogel, with contributions by Walter E. A. van Beek, Bogumil Jewsiewicki, Ima Ebong, Donald John Cosentino, Thomas McEvilley, and V. Y. Mudimbe.
Published and distributed by The Center for African Art and Prestel, Munich, February 1991. 300 pp.
http://www.africanart.org/index.php
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Revisto, 1 Maio
Depois de uma primeira apresentação da pintura de Malangatana no Mbari Club de Ibadan, em Setembro de 1961, através de fotografias, Ulli Beier expõe os seus quadros em Junho de 1962,
acompanhados por um texto de convite e apresentação que ele próprio assina. Beier refere que é a primeira mostra individual fora de Lourenço Marques e que a revista "Black Orpheus", de que é um dos directores, já publicara no seu nº 10, de 1962, uma "brilhante análise" da obra de Malangatana da autoria de Julian Beinart.
A imagem é um pormenor do quadro "Feitiço" reproduzido em Contemporary Art in Africa, de Ulli Beier, 1968: "Witchcraft (Lourenço Marques). Oil. Scene with self-portrait.", pág. 71.Um auto-retrato, portanto.
O texto (tal como as notas do convite de 1961) não é referenciado na extensa bibliografia de U.B. publicada sob o título THE HUNTER THINKS THE MONKEY IS NOT WISE , A BIBLIOGRAPHY OF WRITINGS BY ULLI BEIER, OBOTUNDE IJIMERE & CO.
A mostra repetiu-se na galeria do clube Mbari Mbayo, que abrira em Oshogbo na 1ª metade de 1962 (é o que U.B. refere na entrevista com Pancho Guedes, já antes transcrita - ver entrada sobre 1961), e certamente o texto publicou-se de novo. Malangatana não se deslocou à Nigéria, ao contrário do que é por vezes referido (por exemplo, cat. Africa Remix, pág. 273). E por outro lado a exposição não é referida na Biografia incluida no catálogo de Malangatana, SEC/SNBA 1989, embora o texto de Beier aí seja parcialmente transcrito (in Excertos de textos sobre M., pág. 142), tal como sucede no livro Malangatana, org. Júlio Navarro, 1998.
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O cartaz
E sobre a pintura de Luiz Cunha publiquei em 2005 uma pequena nota, por ocasião de uma sua exposição:
Luiz Cunha
Antiga igreja do Convento das Mónicas
A obra do arquitecto (Porto, 1933) foi mais divulgada por ocasião da vaga pós-moderna, mas a sua originalidade é anterior e sobrevive-lhe, com marcas muito próprias de revisitação das tradições históricas e de heterodoxa modernidade. Parte substancial dela são igrejas e residências religiosas, para as quais realizou várias vezes pinturas, baixos relevos e outras intervenções sobre temas litúrgicos, sempre tão pouco convencionais umas como outras. A mostra «Janelas para o Reino» fez deslocar várias dessas peças instaladas (em Aveiro, Apúlia, Guarda, Lisboa, Porto, Terras do Bouro, Ponta Delgada, etc.) e acompanha-as com outras, incluindo retratos, que revelam um itinerário longo de pintor secreto.
Surpreende de imediato o ecletismo das apropriações estilísticas, que vão da pintura bizantina e do românico catalão aos códigos do cubismo e da pintura de Corbusier, ou ao realismo popular, praticado com notável perícia e largo sentido de humor, que é também manifestação de profunda devoção própria. São notáveis ou muito curiosos os baixos-relevos em madeira e em cartão (Jesus Cura Um Paralítico, Jonas Regurgitado pelo Grande Peixe), o políptico de Santa Joana Princesa, os retábulos de formatos recortados, a instalação-réplica do altar dos «Pastorinhos de Fátima» com auto-retrato, o Cristo em majestade que segura o computador portátil, entre outras obras. A montagem improvisada com materiais pobres (madeiras de caixotes reutilizáveis) é também exemplar.
EXPRESSO ACTUAL, Cartaz Exposições de 26-11-2005
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Dá-me muito gosto colaborar numa publicação que acompanha a próxima mostra.
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Ulli Beier (1922-2011, recentemente falecido em Sidney, Austrália) - o professor alemão da Universidade de Ibadan, na Nigéria dos anos 1950 e 60, autor de vários livros sobre a cultura Yoruba e a literatura e arte modernas africanas, um dos fundadores do Mbari Club e da revista "Black Orpheus", mais tarde também activo na Papua Nova Guiné... - desempenhou um papel essencial na apresentação e na muito rápida internacionalização da obra de Malangatana (*N1).
Pouco depois da primeira mostra individual de Malangatana em Lourenço Marques - Maputo (inauguração a 10 Abril de 1961; organizada com o apoio de Pancho Guedes, que assinou o texto do catálogo, "O pintor completo", como A. d'Alpoim Guedes), Ulli Beier mostrou a sua pintura - através de fotografias - numa das primeiras exposições do Mbari Club, em Ibadan (*N2), de 23 Setembro até 7 Outubro de 1961. Expôs também e em simultâneo a arquitectura de Amâncio Guedes.
"SEEN IN SOUTH AFRICA" (título da mostra) contou com a edição de uma folha/convite onde se anuncia como uma iniciativa do Departamento de Extra Mural Studies da Universidade de Ibadan :
an Exhibition of Photographs documenting
Art and Architecture in Mozambique and the Union of South Africa.
"Recentemente, Ulli Beier viajou para a África do Sul e Moçambique com uma bolsa Rockefeller para estudar novos desenvolvimentos em Arte e Literatura. Esta exposição apresenta algumas das coisas que viu:"
Seguem-se 4 breves notas sobre VALENTE MALANGATANA, AMANCIO GUEDES, as CASAS NDEBELE (Transval) e a WEST NATIVE TOWNSHIP
(actualizado a 30 Abril)
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Technorati Tags: Amâncio Guedes, Julian Beinart, Malangatana, Mbari Club, Pancho Guedes, Ulli Beier
Cloth Only Wears to Shreds: Textiles and Photographs from the Ulli Beier Collection, by Rowland O. Abiodun, Ulli Beier, John Pemberton III
ed. Mead Art Museum, Amherst, Massachusetts (from New Orleans, via Biblio.com)
Rowland O. Abiodun, Ulli Beier, John Pemberton III (textos)
...
"Tribute to Ulli Beier" (a obra, registo biográfico), pp. 11-14.
...
"An Afterword", Ulli Beier, pp. 59-77 (The crisis of the Yoruba culture; On being a reluctant photographer; Paralle thruths: about Yoruba tolerance; Children in Yoruba society)
...
Bibliography. Selected works by Ulli Beier (1954-2002)
( while she looks towards the camera, he – in an elaborately-embroidered etu [one of Yoruba’s three classic textiles] – looks straight ahead. Taken at the Berlin Theatre Festival in 1964 where Late Duro Ladipo’s Oba Koso was performed ) **
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algumas outras capas:
THE PENGUIN BOOK OF MODERN AFRICAN POETRY - THIRD EDITION, Moore, Gerald and Ulli Beier (edited by) Penguin Books, 1984 (?). [Augustinho Neto, Antonio Jacinto, Costa Andrade, Ngudia Wendel, Jofre Rocha, Ruy Duarte de Carvalho, Onesima Silveira, Wole Soyinka, Christopiher Okigbo, Gabriel Okara, John Pepper Clark, Aig Higo, et al]
from the Penguin African Library series, 1963 (?)
Cambridge: Cambridge University Press, 1966 1st ed - African poetry from Sotho, Ewe, Yoruba, Swahili, Ibo, Galla and Egyptian and more. illustrated with 10 silkscreens by Susanne Wenger. Introduction by Beier
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outra foto:
Late Ulli Beier and Late Ataoja of Osogbo Oba S.A. Adenle I, admiring an aluminum panel by Asiru Olatunde, donated to
His Highness by Professor Beier in the early l960′s at Ataoja’s Palace, Osogbo.
(a picture sent by Professor Beier after reading a book, OBA S.A. ADENLE, Portrait of a Yoruba Oba, written by Dr. Depo Adenle and Tola Adenle) ** http://emotan.wordpress.com/2011/04/03/ulli-beier-artists-patron-of-the-artists-teacher-passes-away-far-from-home/
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Para além do que se mostra no Museu do Chiado, há várias coisas que se podem ou devem conhecer sobre a produção fotográfica de Adelino Lyon de Castro:
1 - A lista de títulos de fotografias apresentadas em Salões que vão de 1946 a 1952/aliás, até 1954* (de facto, segundo refere Emília Tavares no catálogo do Chiado, ALC esteve representado no Salão do Grémio em 1953 e tb em 1954 a título póstumo*).
Conhecemos pelos catálogos dos Salões vários títulos que podemos associar a provas referenciadas noutros lugares, mas para muitos outros não dispomos de ilustrações associadas. Com a excepção provável de uma só fotografia - Barros e sombras - publicada em 1949 no catálogo do 11º Salão Internacional de Arte Fotográfica, organizado pelo Grémio Português de Fotografia - Secção da Sociedade Propaganda de Portugal (Touring Club) - que se apresentou na Sociedade Nacional de Belas Artes e no Clube dos Fenianos Portuenses. Incluo entre os Salões, a V Exposição Geral de Artes Plásticas (também na SNBA), que no ano de 1950 contou com uma secção de Fotografia - Francisco Keil do Amaral foi o outro ilustre participante, mas comparecem também Manuel Peres e Rodrigo de Vilhena.
Barros e sombras (rep. catálogo do 9º Salão do GPF, 1949)
Um número reduzido de fotografias mostradas em Salões pode ser identificada associando-se o título indicado a uma reprodução posterior, nomeadamente no livro monográfico de 1980 O MUNDO DA MINHA OBJECTIVA. É o caso da foto intitulada Ex-Homens, que acompanhou um artigo "In memorian" publicado em 1956 no Boletim do Foto Clube 6x6 e que é a sua imagem mais exposta e mais emblemática.
Deve notar-se, porém, que as mesmas fotografias foram por vezes expostas sob diferentes títulos em diferentes salões, e que, noutros casos, fotos de Adelino Lyon de Castro foram atribuídas a diferentes autores: ao irmão Francisco, que não seria praticante, e ao sobrinho Tito, à data uma criança pequena. Eram práticas então correntes aos salonistas. Surgem também provas impressas em diferentes formatos, quadrado ou rectangular, a partir do mesmo negativo.
2 - Além da imagem publicada no catálogo do 11º Salão, as outras fotografias que conheço como publicadas em vida do autor são 10 ilustrações do livro de Maria Lamas, AS MULHERES DO MEU PAÍS, 1948-1950 (edição em fascículos sob a chancela Actualis; reed. Caminho 2002), o qual constitui um grande acontecimento editorial e fotográfico insuficientemente divulgado. Aparecem atribuidas na 1ª edição a A. Lyon de Castro e depois, em 2002, a Alberto Lyon de Castro (!), sendo acompanhados por legendas descritivas da autoria de Maria Lamas.
Três delas vieram a ser publicadas na referida monografia de 1980, duas com títulos diferentes que se indicam a seguir, e essas mesmas duas (uma delas é uma variante...) estão agora expostas no Museu do Chiado em diferentes provas. São todas elas publicadas nos fascículos finais, portanto em 1949 e 1950, e não parecem corresponder a fotografias apresentadas em Salões (a confirmar).
pág 353, Mulheres de Buarcos
pág. 358 - Os barcos partem para a pesca do bacalhau... (formato quadrado) / 1980: Hora da partida (rectângulo ao alto, pormenor) / 2011, Museu do Chiado nº 42, exposta outra versão próxima, negativo integral
360 - A vida das mulheres dos pescadores da Costa da Caparica...
392 - Descarga de areia nos cais de Lisboa...
393 - A carregadora do cais... (Lisboa)
395 - Habitação improvisada num velho barco do Cais do Sodré...
410 - "Ensaboadeira" de Coimbra, na volta do rio , depois de um dia de trabalho...
412 - Vendedeiras de peixe, no Porto / 1980: Peixeiras
414 - Lavadeiras do Mondego /1980: idem / Exposta no Chiado, nº 30, idem, vintage, cortada no cat.
420 - Descarga de molhos de mato, num cais do Mondego, em Coimbra...
Outras fotografias, relativas aos Jogos Olímpicos de 1952, em Helsínquia, a que assistiu como foto-reporter, terão sido publicadas à epoca em jornais desportivos.
Vendedeiras de peixe, no Porto (rep. As Mulheres do Meu País, negativo integral) / rep. em 1980 como Peixeiras em formato rectangular, com o corte das figuras e sombras em cima (foto 36 da ed. 1980)
Nem os catálogos dos Salões (em especial o de 1949) nem o livro de Maria Lamas se mostram na exposição do Chiado, apesar de que tal apresentação facultaria uma contextualização significativa do autor na sua época. O livro de 1980, ed. Publicações Europa-América, encontra-se numa vitrine, vendo-se apenas a capa não ilustrada.
3 - Um terceiro conjunto de fotografias - 70 no total - foi publicado em 1980 em O MUNDO DA MINHA OBJECTIVA, seguramente a partir de provas de época (ver NOTA 1), com títulos atribuídos pelo autor, mas sem datas (e sem numeração das páginas ou das fotos). O volume não inclui qualquer informação sobre as exposições em que o autor participou, agrupamentos fotográficos, prémios, etc - apenas as datas de vida e morte, 1910-1953. Entre as 8 (ou 9?) provas de época que são expostas no Museu do Chiado (e apenas 7 são reproduzidas no catálogo*), encontram-se só quatro que correspondem a fotografias editadas naquele volume, embora a partir de diferentes provas:
Ex-Homens, 1946 (exposta pela 1ª vez em 1946, no 9º Salão do Grémio; exposta em 1950 na V EGAP e certamente no 1º Salão de Arte Fotográfica do Jornal do Barreiro, 1950, sob o título Vagabundos, a que foi atribuído o Grande Prémio), rep. em 1956 no Boletim 6x6, rep. em 1980 - foto 56. Nº 52 do cat. do Chiado*
Sem destino (1950-53, MChiado, MC - nº 54 do cat., dat. 1953*), rep. 1980 - foto 25
Lavadeiras do Mondego (1948, MC - nº 30 do cat., versão rectangular*), rep. As Mulheres... 1949/50 , rep. 1980 - foto 6
Os Meninos e as redes (1951, MC, não emoldurada em vitrina - nº 63 do cat.*), exposta no 14º Salão do GPF em 1951, rep. 1980 - foto 20
entre outras provas de autor também expostas:
Ala-Arriba (1950-53 - nº 22 do cat., dat. 1950*), foto da mesma série (e outro ângulo) da que se intitula Esforço no livro de 1980 . foto 37
Foto intitulada Esforço no livro de 1980 (foto 37) - uma outra prova de grande formato (páginas iniciais vista com retrato de Francisco Lyon de Castro) reduz substancialmente a área do céu com núvens. O que na exp. do Chiado se mostra como Ala-arriba corresponde a um outro ponto de vista da mesma cena, revelando que não se trata de instantâneos mas de poses
Esforço (1946, MC - nº 21 do cat.* - o mesmo título atribuído a outra imagem)
Contra~luz (1950-53, MC - nº 43 do cat. dat. 1945-53* - não identificada no livro de 1980)
Sem título (corpo de atleta contra-luz), não emoldurada.
4 - A pesquisa da fortuna crítica do autor, ou do silêncio que o envolveu, é outra abordagem necessária.
* e em itál.: Adendas em 4 Junho 2011
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A exposição do Museu do Chiado e o livro editado em 1980 sobre a obra fotográfica de Adelino Lyon de Castro (O MUNDO DA MINHA OBJECTIVA, um livro póstumo). A questão das provas de autor e das impressões modernas. Os inéditos póstumos.
A relação entre as provas de época ou de autor e as impressões modernas inclina-se esmagadoramente para as segundas na exposição apresentada pelo Museu do Chiado: é uma exposição maioritariamente constituída por inéditos póstumos.
O acervo da obra de Adelino Lyon de Castro cedido ao Museu não inclui, pelo que se depreende, o conjunto das provas positivas de época publicadas em 1980 no volume O MUNDO DA MINHA OBJECTIVA, que constitui certamente a base para uma mais fiável aproximação ao universo criativo do autor. Essa colecção de provas originais não se encontrava na mala de cabedal que continha o seu espólio fotográfico quando o pude consultar em Julho de 2008 nas instalações das Publicações Europa-América. Elas existem mas certamente não foram (ainda) doadas ou não foram cedidas ao Museu (terão sido solicitadas?).
Na actual mostra (que é seguramente a sua primeira exposição individual ou monográfica) optou-se por expor um grande número de impressões realizadas para esta oportunidade, distinguindo-as das provas de época pela cor das molduras e dos passepartouts (pretos os das provas recentes) - não se indica se as provas actuais foram realizadas a partir de negativos que já tivessem sido previamente impressos pelo autor (fotografias expostas e/ou reproduzidas) ou que se encontrassem escolhidos/assinalados (aprovados) por ele. Tratar-se-á em geral de "inéditos" - o que coloca sempre a questão de se saber se são inéditos escolhidos e desejados pelo autor, ou "inéditos" involuntários e mesmo indesejados. Certamente a respectiva escolha é da autora da exposição, Emília Tavares.
Aquele livro, publicado 27 anos depois da morte do autor, 1953, não inclui a indicação de um responsável editorial, nem esclarece quais os critérios utilizados, incluindo apenas, além de uma sumária nota biográfica, um prefácio de Fernando Piteira Santos - "Adelino Lyon de Castro - um poeta das imagens" -, o qual constitui uma apresentação e um ensaio de reflexão sobre a sua obra, assinado por um contemporâneo, cúmplice cultural e político, de quem não conheço outras abordagens à fotografia. As 70 reproduções de página inteira são acompanhadas por excertos de poemas ou breves textos alusivos.**
Pode depreender-se que nesse livro 1 - se reproduziram apenas provas positivas deixadas pelo autor; 2 - os formatos quadrados e rectangulares são os das provas impressas originais ( obtidas a partir de negativos quadrados 6 x 6 e rectangulares); 3 - os títulos atribuídos são (sempre?) da autoria de Adelino L.C.. Não há qualquer razão para supor que o livro (escolha das fotos, ordenação e associação a poemas - essa colagem literária foi pedida pelo editor a Fernando Piteira Santos - ver prefácio de Tito L.C. ao cat. de 2011**) corresponda a um projecto iniciado ou previsto pelo fotógrafo, que este tivesse deixado preparado ou delineado, quando morreu com 43 anos. As fotos nunca são datadas nem são acompanhadas por qualquer referência informativa (publicações, concursos, etc).
"O regresso da escola" (ed. 1980 - foto 15 - com a frase "Na sacola, os livros, no peito, os sonhos - / tão grandes como o vasto mundo a conquistar.", não atribuída: F.P.S. ?)
As crianças, a ida para a escola ou o regresso, as crianças a ler, a brincar ou a pescar (juntando o tema das crianças e o da beira mar ou rio, os dois mais numerosos), e ainda os casais "românticos" , têm uma larga presença no livro.
** No catálogo, um breve prefácio de Tito Lyon de Castro, sobrinho do fotógrafo, refere a propósito do livro de 1980 que a Fernando Piteira Santos "foi pedida uma frase que sublinhasse cada imagem e uma nota introdutória". Essas frases são em geral extractos de poemas. Esclarecem-se assim parte das responsabilidades editoriais, e os títulos serão os atribuídos pelo fotógrafo.
"Francisco Lyon de Castro reuniu num livro uma colecção de fotografias do Tio Adelino" tem um sentido menos preciso. Reuniu uma colecção não significa fazer uma escolha - se não for localizado nas PE-A outro conjunto de fotografias que se possam entender como provas deixadas de lado, como uma segunda escolha, o livro reuniu praticamente todas as provas positivas deixadas por Adelino Lyon de Castro. Na mala de cabedal existiam apenas algumas variantes das fotografias reproduzidas, por vezes em provas de exposição com referências aos salões onde estiveram - além dos negativos e das provas de contacto. 4Jun.
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"PORTUGAL 75", DE ELIZABETH LENNARD na Galeria PENTE 10
Silver gelatin print, hand-painted
© Elizabeth Lennard
Na altura certa, uma descoberta simpática. Inéditas em Portugal, terão algumas sido publicadas em 1975 na Rolling Stone (Nov. 1975) e expostas em S. Francisco (e parece que em Arles também num salão-concurso para jovens fotógrafos)
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Não sei o que aconteceu, ou a quem se deve a mudança, mas este ano o Prémio BES vale a deslocação. Pode ter sido a saída do gheto nacional com o alargamento ao espaço lusófono que trouxe uma lufada de ar fresco, pode ter sido a renovação do júri, ou só a vontade de corrigir os dislates anteriores, o certo é que a confusão mediocremente instalada se dissipou. Agora, o prémio de fotografia acertou com vários caminhos possíveis da incerteza indisciplinada e exploratória do que pode ser fotografia (há outros caminhos para além dos documentais...), e todos os nomeados têm suficiente mérito (ou quase) para o terem sido - tratando-se embora sempre mais de revelação do que de consagração. Depois, as produções com que se candidatam são, nos casos em que conhecia os itinerários, mais interessantes do que os trabalhos anteriormente vistos, ao contrário das produções desiquilibradas das edições anteriores, que afundavam sem remédio os pobres candidatos.
Carlos Lobo (Portugal), Kiluanji Kia Henda (Angola), Manuela Marques (Portugal/emigração/França), Mário Macilau (Moçambique) e Mauro Restiffe (Brasil), no Museu Berardo / CCB. Por uma vez parece haver um projecto estratégico, uma ideia sustentada de internacionalização, uma oportunidade para intervir no mercado das trocas, etc. Esperemos que não tenha sido apenas um episódio ocasional.
Kiluanji Kia Henda
Manuela Marques
e mais...
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"Adelino Lyon de Castro, O fotógrafo cúmplice", por Lucinda Canelas, no Público de hoje (11 de Abril), é uma aproximação à exposição de um fotógrafo quase sempre ocultado, esquecido, mas não ignorado, agora exposto no Museu do Chiado. Atenção: ainda está à venda (na Wook, por exemplo) o livro que o homenageou e antologiou em 1980, com prefácio de Fernando Piteira Santos: O MUNDO DA MINHA OBJECTIVA. Não é referido no artigo, o que é um exemplo de desinformação. É pena, porque é um artigo esforçado e bem escrito. (ver extractos abaixo)
Já agora, a primeira frase é um erro: "Adelino Lyon de Castro não é um fotógrafo neo-realista." Nenhum fotógrafo se reconheceu ou foi reconhecido no seu tempo como neo-realista, pelo que sei. A "central" neo-realista (?), se existisse, não tinha secção de fotografia, mas isso não é hoje o que mais importa. Além de que valorizar o "humanismo", o "interesse humano", a "visão humana", como então se dizia, era o mesmo que falar em neo-realismo. O seu "In memoriam" escrito por Manuel Ruas no Boletim do Foto Club 6x6, em 1956, é muitíssimo claro.
Fica então aqui o artigo do neo-realista Manuel Ruas (um homem do cinema) sobre o neo-realista Adelino Lyon de Castro, publicado (três anos depois da sua morte) no Boletim do Foto Clube 6 x 6, nº 3, de Nov.-Dez. de 1956. (O Foto Clube era salonista..., formalista, se se quiser, e não neo-realista, mas Manuel Ruas era à data o seu editor.)
ou, com a ilustração, "Ex-Homens", a mais exposta, mais emblemática, mais reproduzida foto de A.L.C., desde 1946.
Para a justificação de entender A.L.C. como neo-realista pode ler-se em especial:
http://alexandrepomar.typepad.com/alexandre_pomar/2011/03/cuf.html
também em: http://www.scribd.com/doc/51430537/O-neo-realismo-na-fotografia-portuguesa-1945-%E2%80%93-1963
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"Adelino Lyon de Castro O fotógrafo cúmplice" (EXTRACTOS)
Por Lucinda Canelas, Público, 11 Abril 2011
Adelino Lyon de Castro não é um fotógrafo neo-realista. Mas quem, olhando para as suas imagens, se lembra de escritores como Alves Redol ou Carlos de Oliveira e não é um especialista na fotografia portuguesa dos anos de 1940 e 1950 pode facilmente deixar-se enganar. "A componente realista está lá, mas a sua abordagem é sobretudo humanista porque ele faz uma fotografia muito próxima das pessoas", diz Emília Tavares, comissária d"O Fardo das Imagens (1945-1943), a nova exposição do Museu do Chiado, em Lisboa.
(...) Mergulhar neste espólio que está aberto a investigadores e críticos, sublinha a comissária e conservadora do Museu do Chiado, permitiu identificar os temas dominantes da sua fotografia e perceber até que ponto ela pode ser vista como uma forma de resistência ao Estado Novo.
"O elemento diferenciador da fotografia de Adelino Lyon de Castro é a atenção e o cuidado que ele dedica ao tema do trabalho. Outros fotógrafos seus contemporâneos tratam dele, mas de forma mais esporádica, menos latente", explica Emília Tavares. "E esse tratamento mais intenso é um reflexo ideológico. Ele mostra o que a fotografia do regime procura esconder." Estão lá as crianças descalças e os trabalhadores "à jorna" que, apesar de tudo, insistem em ler, aparentemente para defender que a educação e a cultura eram um desejo do povo e podiam estar ao seu alcance e não apenas das elites. Estão lá os estivadores no porto ou os homens do campo, fisicamente deformados pelo peso das sacas que carregam aos ombros. Estão lá os pedintes e outros excluídos que Salazar se esforçava por confinar aos asilos do Estado ou das misericórdias, dizendo que a mendicidade não passava de um vício.
O título da exposição - O Fardo das Imagens - não decorre apenas da profusão de exemplares de homens e mulheres carregando cestos, tabuleiros e outros pesos que a comissária encontrou no conjunto que Tito Lyon de Castro doou ao museu. É sobretudo o resultado da leitura que deles é feita por Emília Tavares: "Estes corpos vergados pelo trabalho não ficam apenas disformes pelo esforço. É também a sua condição social de exclusão que os marca, que os transforma. Mas estas imagens, algumas delas quase épicas, são, ao mesmo tempo, de uma imensa dignidade, como se Adelino Lyon de Castro quisesse com elas mostrar que transportar um fardo aos ombros era uma forma de combater essa exclusão, uma maneira de resistir. (...)
Humanismo do pós-guerra
(...) "Nos seus excluídos há um grande abandono, um imenso desalento, uma angústia existencial... São fotografias com uma grande carga emocional, mas muito ricas do ponto de vista formal e ideológico", diz Tavares. "Têm tudo a ver com o grande movimento humanista da fotografia do pós-guerra.
(...) A comissária, que chegou a pensar chamar à exposição Imagens para uma Romântica Revolução, não deixa de sublinhar "a realidade poetizada" de fotografias como Lavadeiras do Mondego ou Ex-Homens, explicando que havia por parte destes fotógrafos que se opunham ao regime um desejo de aproximação ao povo que acaba por se cumprir sobretudo num sentido: "A fotografia sempre foi de difícil assimilação e marginal. Mário Dionísio escrevia já sobre a possibilidade do olhar do fotógrafo alterar a própria realidade, mas isso era difícil de explicar à população em geral, que não sabia ler. Na utilização da fotografia como veículo de propaganda ideológica, o Estado Novo foi muitíssimo mais eficaz do que os seus opositores." (...)
É com muita curiosidade que aguardo a exposição dedicada pelo Museu do Chiado e por Emília Tavares a um fotógrafo esquecido, cuja obra abre pistas para muitas questões relativas aos anos 40/50 e às revisões históricas que antes se fizeram ou não.
1 - Em Julho de 2008 tive a sorte de poder abrir e explorar (demasiado rapidamente) uma mala de cabedal onde se conservava o seu espólio na sede das Publicações Europa-América, que tinha fundado com o seu irmão Francisco Lyon de Castro, em 1945. Conhecia há muito tempo o livro O MUNDO DA MINHA OBJECTIVA, editado em 1980, a que não se (?) atribuira importância à epoca, e também uma grande ampliação da fotografia "Esforço" (rep. em O Mundo...: um barco na praia transportado por pescadores) que ocupava lugar destacado no escritório do editor.
A obra de Adelino Lyon de Castro (1910-1953) abria portas para revisitar o salonismo das décadas de 40/50 e interrogar a existência do que se poderia chamar a fotografia neo-realista portuguesa, que tem na sua obra e em AS MULHERES DO MEU PAÍS de Maria Lamas, em que colaborou, os exemplos principais. A pesquisa orientou-se para a comunicação num congresso no Barreiro depois publicada no livro INDUSTRIALIZAÇÃO EM PORTUGAL NO SÉCULO XX. O CASO DO BARREIRO, Actas do Colóquio Internacional Centenário da CUF do Barreiro, 1908-2008, Universidade Autrónoma de Lisboa, 2010 (o colóquio teve lugar no Auditório Municipal Augusto Cabrita, Barreiro, 8-10 de Outubro de 2008, e a intervenção constou do Painel 4 - Do Realismo ao Neo-realismo: imagens do trabalho e do operário na arte portuguesa: ver aqui "O neo-realismo na fotografia portuguesa"). As primeiras impressões e alguns documentos sobre ALC foram sendo publicadas antes, desde 20 Julho 2008, em Adelino Lyon de Castro I-III, etc
2 - A exposição "BATALHA DE SOMBRAS" - COLECÇÃO DE FOTOGRAFIA PORTUGUESA DOS ANOS 50 DO MUSEU DO CHIADO mostrada no MUSEU DO NEO-REALISMO - VILA FRANCA DE XIRA, de 7 de Março a 14 de Junho de 2009, constituiu a primeira leitura de conjunto desse período, também apresentada por Emília Tavares. (Ver Os novos anos 50 ) .
3 - Com as fotografias de Adelino Lyon de Castro há pistas para explorar os salões do Grémio Português de Fotografia (desde 1946), as Exposições Gerais de Artes Plásticas (1950), o Foto Clube 6 x 6, o caso do I Salão de Arte Fotográfica do Jornal do Barreiro (1950) e os salões posteriores da CUF, etc. Também, por esse caminho, para rever as simplificações abusivas que se repetem a propósito do "salonismo"...
E entre as muitas memórias que esta obra ignorada levanta encontra-se o caso do "desvio de direita" protagonizado por Piteira Santos e Mário Soares, que teve um dos seus episódios mais graves em torno dos irmãos Lyon de Castro e do jornal cultural "Ler", encerrado logo após a morte de Adelino em 1953. "Publicação forçada ao encerramento em 1953, esteve no centro de uma das crises internas da Oposição, sabotada pelo PCP por ser orientada por Fernando Piteira Santos, excluído em 1950 e então acusado com Mário Soares de pro-americanismo. Ver “A purga dos intelectuais” e em especial “O jornal Ler, “orgão do SNI”", em Álvaro Cunhal 3, de Pacheco Pereira Julgo que a memória do neo-realismo fotográfico (para além dele não ter sido defendido, entendido ou reconhecido no seu tempo próprio) terá sido também inviabilizada por razões políticas de sentido oposto. Adelino Lyon de Castro enquanto “inimigo” do PCP; Maria Lamas por se ter tornado uma bandeira da propaganda do PCP." ver O neo-realismo esquecido ou silenciado .