A propósito da leviana notícia do "Público" de hoje (Decisão do Ministério das Finanças: Fundações "extintas temporariamente" enquanto se avalia viabilidade financeira: aqui), que mais uma vez vem confirmar que o sector da Cultura é o mais confidencial e impenetrável à informação, e também o mais inculto, vale a pena recordar o antigo gosto do PSD de Cavaco e amigos pela criação de fundações.
Convencido por Teresa Gouveia a comprar a quinta de Serralves para instalar o muito prometido Museu de Arte Moderna do Porto, e beneficiando para isso de condições de preço muitíssimo favoráveis, Cavaco primeiro ministro instituiu a Fundação de Serralves em 1989. À data, meia centena de mecenas ganhou o título de fundador pagando uma cota única de dez mil contos (50 000 €...). O actual museu inaugurou-se só em 1999, depois de muitas vicissitudes.
A seguir a 1989 apareceu a Fundação das Descobertas em 1991 para se ocupar do CCB, o qual, aliás, correu então, por sinal, o risco de acolher um Museu dos Coches sempre disposto à deslocalização. Essa Fundação de legalidade improvável arrancou sem fundos e só com 11 mecenas arrolados entre empresas ainda nacionalizadas, que obviamente se separaram logo a seguir de todos os compromissos. Só em 1993 se inauguraram actividades - e em grande, com o Explendor do Barroco e Sebastião Salgado - mas a instabilidade prosseguiu. O nome passou depois a Fundação Centro Cultural de Belém, e quanto ao módulo de exposições só com a entrada recente da Colecção Berardo se estabilizou o seu programa.
Ainda sob a regência da impagável dupla Cavaco Silva/Santana Lopes (acolitada por Braga de Macedo e Marques Mendes) tivemos em 1993 a criação da Fundação de São Carlos, que teve no Conselho de Fundadores, além do Estado, a RDP e a RTP, a SOMEC, os TLP e o BCP. Foi extinta em 1998.
Outro complexo objecto fundacional foi a Casa da Música, que o Porto herdou com atraso da sua excêntrica capitalidade cultural de 2001 e para a qual Serralves foi o exemplo imitado. Estava em andamento um insólito ou pouco sólido programa instituinte imaginado pela esquecida ministra da Cultura Maria João Bustorf, escolhida pelo mesmo Santana Lopes (com Bagão Felix à frente da contabilidade), quando o governo caíu. Isabel Pires de Lima e Mário Vieira de Carvalho patrocinaram depois a Fundação com mais algum critério (2005).
Já a Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo foi uma decisão de José Sócrates, de 2006, neste caso mediante uma associação efectiva de bens e contribuições do Estado e do coleccionador, o que não justifica todas as debilidades do acordo jurídico aceite. António Vitorino é agora o vogal da administração escolhido de comum acordo das partes, ocupando o lugar que foi antes de José António Pinto Ribeiro.
A Côa Parque — Fundação para a Salvaguarda e Valorização do Vale do Côa foi instituida já este ano para substituir, à data da inauguração do Museu, a anterior entidade Parque Arqueológico de Vale do Côa, criada em 1996... Tem cinco fundadores iniciais: Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGPAA), com 55% das responsabilidades financeiras anuais; Entidade Regional de Turismo do Douro (ERTD); Administração da Região Hidrográfica do Norte (ARHN), Município de Vila Nova de Foz Côa e Associação de Municípios do Vale do Côa (AMVC).
A herança e a inspiração é principalmente do PSD e em parte decisiva do próprio Cavaco, na anterior encarnação.
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dia 30: continuação da extinção na AR, via Lusa (extinção temporária...)




