Maria Nobre Franco deixa o Museu de Sintra
Com o fim do ano chega também ao fim a presença de Maria Nobre Franco à frente do Museu Berardo de Sintra. Directora desde a sua inauguração em 1997, "aguentou" a crise aberta com o afastamento de Francisco Capelo (em 1999); as vicissitudes e irregularidades registadas no cumprimento da parceria com a Câmara de Sintra, arrastando apertos orçamentais e a degradação do edifício; a imprevisibilidade dos humores do fundador e o carácter muito idiossincrático de algumas das suas aquisições e/ou colecções, e ainda a chegada ao termo do acordo de dez anos estabelecido em 1996 entre Berardo e Sintra (então, a presidente era Edite Estrela), mais a sua problemática renegociação enquanto a Colecção encontratava uma nova e mais importante sede no CCB.
O presente e o futuro do Museu de Sintra são ainda incertos. Certo foi o papel de Maria Nobre Franco (que antes fundara e dirigira a Galeria Valentim de Carvalho, desde 1984 até 1995) na apresentação de artistas portugueses no Museu, consagrados e jovens, propiciando em muitos casos a respectiva entrada na Colecção Berardo e, em geral, favorecendo a sua visibilidade a par da dos artistas estrangeiros. Deve recordar-se a organização de importantes exposições, como foram nomeadamente as dedicadas a Rui Chafes, Susana Solano,Michael Craig Martin, Júlio Pomar e Fernando Lemos, e, em geral, uma programação que foi transformando em acontecimentos a apresentação de novas aquisições ou de visões sectoriais da colecção, sempre co-adjuvada por Pedro Aguilar, sub-director do Museu.
A saída ocorre por decisão própria e foi anunciada na inauguração da presente exp. dedicada à arte sul-americana.
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