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Berardo

12 de janeiro de 2008

Maria Nobre Franco deixa o Museu de Sintra

Com o fim do ano chega também ao fim a presença de Maria Nobre Franco à frente do Museu Berardo de Sintra. Directora desde a sua inauguração em 1997, "aguentou" a crise aberta com o afastamento de Francisco Capelo (em 1999); as vicissitudes e irregularidades registadas no cumprimento da parceria com a Câmara de Sintra, arrastando apertos orçamentais e a degradação do edifício; a imprevisibilidade dos humores do fundador e o carácter muito idiossincrático de algumas das suas aquisições e/ou colecções, e ainda a chegada ao termo do acordo de dez anos estabelecido em 1996 entre Berardo e Sintra (então, a presidente era Edite Estrela), mais a sua problemática renegociação enquanto a Colecção encontratava uma nova e mais importante sede no CCB.
O presente e o futuro do Museu de Sintra são ainda incertos. Certo foi o papel de Maria Nobre Franco (que antes fundara e dirigira a Galeria Valentim de Carvalho, desde 1984 até 1995) na apresentação de artistas portugueses no Museu, consagrados e jovens, propiciando em muitos casos a respectiva entrada na Colecção Berardo e, em geral, favorecendo a sua visibilidade a par da dos artistas estrangeiros. Deve recordar-se a organização de importantes exposições, como foram nomeadamente as dedicadas a Rui Chafes, Susana Solano,Michael Craig Martin, Júlio Pomar e Fernando Lemos, e, em geral, uma programação que foi transformando em acontecimentos a apresentação de novas aquisições ou de visões sectoriais da colecção, sempre co-adjuvada por Pedro Aguilar, sub-director do Museu.

A saída ocorre por decisão própria e foi anunciada na inauguração da presente exp. dedicada à arte sul-americana.

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Erich Kahn

Um artista na História

A memória do Holocausto e da perseguição nazi à arte moderna acompanha a apresentação de um pintor judeu exilado e esquecido

Expresso Actual de 21-05-2005

Sessenta anos após o fim da II Guerra Mundial e do genocídio de seis milhões de judeus, esta é a mais importante iniciativa portuguesa para assegurar a memória do que não deve nunca esquecer-se. Partindo da obra de um ignorado artista judeu alemão, vítima obscura dum tempo de extermínio, de exílios e dramáticos recolhimentos interiores, cujo espólio foi adquirido pela Colecção Berardo, o Museu de Sintra concebeu um projecto evocativo de todo esse período histórico e desenvolveu-o com um pouco frequente sentido de intervenção didáctica.


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Design e publicidade em Sintra

Expresso Actual de 5 Abril 2003

Artes de consumo
Arte e Desenhos Publicitários. O Vício da Liberdade
Sintra Museu de Arte Moderna

Não se espere uma retrospectiva erudita sobre a história do cartaz ou da publicidade gráfica ao longo do século XX em Inglaterra, ou uma antologia que sintetize os seus exemplos maiores e a sequência dos estilos dominantes ou mais inovadores. A exposição não é isso. O que se apresenta é o espólio de uma empresa londrina de designers e impressores activa desde 1914 e um novo núcleo da Colecção Berardo. O espólio é um caso raro de conservação de originais de publicidade – estudos e artes finais – constituindo um acervo de cerca de 1500 peças que ilustram a produção comercial regular ao longo de décadas da James Haworth & Brother. O novo núcleo vem juntar-se à colecção de arte que foi sendo mostrada desde 1996, sem nela se integrar, a par de outras áreas dedicadas ao azulejo, à escultura africana, rochas e minerais e ainda espécies vegetais, agora anunciadas no «site» da Colecção Berardo e em parte já expostas no Funchal.

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Susana Solano no Museu de Sintra

Expresso Cartaz de 14/7/2001

"Lugares íntimos"
Susana Solano no Museu de Sintra

SUSANA SOLANO Esculturas e fotografias
(Sintra Museu de Arte Moderna, até 23 de Setembro)

Solana Solano é, cronologicamente, o terceiro nome de uma sequência espanhola de grandes escultores do ferro, depois de Julio González (1876-1942) e Eduardo Chillida (1924), e é como eles uma figura que transcende uma qualquer tradição ou dimensão nacional. González, em Paris - como outro notável escultor espanhol, Pablo Gargallo (1881-1834), cuja figuração em bronze fez um original uso do espaço vazio na criação de volumes -, inventou com o ferro forjado e soldado um escultura escrita no espaço, dando sentido tridimensional a linhas sem massa nem volume.

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Rui Sanches 2000

Artista e comissário
Expresso Cartaz (Actual) 21-04-00

RUI SANCHES vai apresentar uma exposição de esculturas e desenhos no Pavilhão Branco do Museu da Cidade e, pouco depois, organizará a montagem de uma escolha pessoal de obras da Colecção Berardo no Sintra Museu de Arte Moderna. A segunda exposição, que estará associada à aquisição e instalação neste museu de uma sua escultura de grandes dimensões, dará origem à publicação do livro Um Olhar sobre a Colecção Berardo, que vai inaugurar uma nova colecção de pequenos livros de autor, os «Cadernos do Museu».

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23 de outubro de 2007

Os 100 + Berardo em 75º

Na lista anual dos 100 mais poderosos do mundo da arte elaborada pela Art Review o único português é Joe Berardo e está em 75º lugar. Julgo que já andara pela lista há alguns anos <foi em 2003, e então era o 56º>. O CCB-MCB justifica plenamente o regresso. Pinault ocupa o lugar que era o de Saatchi (agora o 7º)

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24 de setembro de 2007

CCB, a seguir: Um teatro sem teatro

A mostra da parte Pop e companhia da Colecção Berardo no CCB está a chegar ao fim, porque uma parte substancial do acervo vai viajar até Roma, à Scuderie del Quirinale, onde a 26 de Outubro abrirá, tb com peças de outras origens,

"la più grande mostra mai realizzata in Italia dedicata alla Pop Art mondiale, dal titolo "Pop Art! 1956 - 1968". Curata da Walter Guadagnini, la mostra è una carrellata attraverso oltre 100 opere di una cinquantina di artisti che intende raccontare uno dei movimenti che hanno fatto la storia dell'arte e del costume della seconda metà del XX secolo, in ogni parte del mondo occidentale."

Será encerrado também - já a partir da próxima segunda feira - o núcleo fotográfico que se intitulou "Re-take", instalado igualmente nas galerias do 2º piso.

A partir de 16 de Novembro aí se verá

"Un teatro sin teatro"
exposição vinda do MACBA, Museu de Arte Contemporânea de Barcelona 

Comisarios: Bernard Blistène y Yann Chateigné, en colaboración con Pedro G. Romero.
Producción: Exposición organizada por el Museu d’Art Contemporani de Barcelona (MACBA) y coproducida con el Museo Berardo de Lisboa

"Un teatro sin teatro examina las relaciones e intercambios entre el teatro y las artes visuales a lo largo del siglo XX. A partir de las teorías que trasformaron profundamente el espacio clásico del teatro, de la mano de Vsevolod Meyerhold, Antonin Artaud, Samuel Beckett o Tadeusz Kantor, entre otros, y su correspondencia con los movimientos de las vanguardias históricas (futurismo, dadaísmo, constructivismo…) se articula un relato que encuentra un punto de inflexión en el fervor inventivo de los años sesenta, momento en el que se formulan múltiples tentativas entre ambas disciplinas y que continúa hasta final de los años ochenta.
La exposición propone una lectura crítica de las consecuencias de estas aportaciones en el arte, y lo hace subrayando momentos y autores paradigmáticos a través de itinerarios que reconstruyen un tejido complejo, más allá de una lectura cronológica lineal: desde Hugo Ball y el dadaísmo hasta Mike Kelley, desde Oskar Schlemmer hasta Dan Graham, desde el minimalismo hasta las generaciones de artistas posminimalistas como Bruce Nauman o James Coleman.

22 de agosto de 2007

Berardização 2

O que será a "berardização" da cultura"? 2ª aproximação, tentando ir direito ao assunto.

Não sei o que o Óscar Faria  quer dizer com a sua frase (Ípsilon/Público, 17 de Agosto, pág. 52)

"Num momento em que se assiste a uma "berardização" da cultura, com todas as consequências que daí advêm  - nomeadamente a hipervalorização de um acervo que tem sido constituído em função do mercado, sempre especulativo, e sustentado por questões de oportunidade; por oposição a uma planificação exigível a um museu -, o descontrole parece total. Daqui a dez anos, quando terminar o contrato com o comendador, que tem uma verba pública disponibilizada para aquisições, quais serão as alternativas entretanto criadas pelo Estado?"

mas entende-se que lhe atribui um sentodo negativo.
Ora para mim a "berardização" da cultura tem um conteúdo ou sentido essencialmente positivo, e é mesmo o que de melhor tem ocorrido nesta área, para além  da aplicação do chamado PRACE que  veio inverter a ambição megalómana da anterior reforma da administração do sector, há dez anos, reduzindo o seu aparato  burocrático e os seus custos  (pelo menos é o que se espera).

Em termos gerais, a "berardização" da cultura significa a intervenção directa da vontade e dos meios de acção de um particular afortunado (é a iniciativa privada, se se quiser), com a intenção de suprir carências do país e as incapacidades dos poderes públicos, estabelecendo com estes as parcerias necessárias à prossecução daqueles objectivos.

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Berardização?

O que será a "berardização" da cultura"? Foi o Óscar Faria, regressado do seu "grand tour", que usou  ou propôs o conceito (de facto, não sei se é a proposta é inédita,mas partamos do princípio que sim). Foi no Público de dia 17 de Agosto, na pág. 52 do Ípsilon - aliás, as questões levantadas pelo tema de capa  (a cena alternativa do Porto) são também relevantes, mas a escrita está  preguiçosa.
A ideia tem algum sentido ou é uma facilidade que cobre enganos de apreciação ou erros de alcance teórico, cultural ou político? Pode valer a pena examinar isso (sem querer ter ou parecer ter qualquer intenção polémica, ou sem esperar resposta do próprio Óscar, que terá mais que fazer).

Diz ele, depois de se ter zangado bastante no seu pequeno tour pelo "Allgarve":

"Num momento em que se assiste a uma "berardização" da cultura, com todas as consequências que daí advêm  - nomeadamente a hipervalorização de um acervo que tem sido constituído em função do mercado, sempre especulativo, e sustentado por questões de oportunidade; por oposição a uma planificação exigível a um museu -, o descontrole parece total. Daqui a dez anos, quando terminar o contrato com o comendador, que tem uma verba pública disponibilizada para aquisições, quais serão as alternativas entretanto criadas pelo Estado?"

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26 de junho de 2007

MCB - "Sur Place", de Justine Triet (2)

Visto por extenso, e não só os três quatro minutos ocasionais, o filme cresce mais ainda. O movimento abstracto dos grupos, a coreografia, o azul, são de facto um documento poderoso, impressionante e inquietante, sobre o presente - as manifestações dos jovens dos bairros periféricos de Paris (Março de 2006). E são a passagem do documento circunstancial a algo de mais produtivo e, enquanto objecto e desafio, algo de mais indefinido, a que podemos chamar arte.

Não é uma "reflexão sobre", um exercício académico sobre a imagem, o poder da imagem, a ontologia da imagem, a ideia de arte, etc, etc... Mais do que vontade ou pretensão de arte, esta (a palavra arte) é uma situação de chegada - uma proposta de apreciação valorativa.

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MCB - a obra: "Sur Place" de Justine Triet

Se tiver de escolher uma obra na inauguração do Museu Colecção Berardo, será um vídeo, uma descoberta:

SUR PLACE, de Justine Triet  (Née en 1978 à Fécamp)

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No piso inferior, antes atribuído à fotografia e agora ao vídeo. Vídeo, arte vídeo, cinema, ou documentário (como refere uma informação do Festival de Brive, em França)? Não importa. Manifestantes, grupos que se formam e dissolvem, que atacam e fogem, que ondulam, se detêm, se observam. Alguns, às vezes, com capacetes e bastões que os assemelham a polícias; outros serão mesmo agentes, ou "serviços de ordem", tudo se equivale. Incursões, surtidas, recuos, movimentos colectivos e breves acções ou reacções individuais.

Não se sabe quem é quem, a imagem que parece em parte virada a azul  (o azul dos jeans) torna idênticas as partes em jogo.  Falta-nos informação para reconhecer de imediato as causas, as datas, os lugares. Domina a coreografia, há algo de jogo, de encenação cúmplice entre ordem e desordem; tudo se reconduz ao movimento de grupos, numa sequência que não é, não parece ser, cronológica ou narrativa.

O filme lembra  as obras de Stephen Dean (1968, Paris; trabalha em Nova Iorque) que vi pela 1ª vez no CAV de Coimbra (Volta, 2002-2003, filmado em estádios do Brasil, sobre os movimentos de massas nas bancadas) e que reencontrei na 1ª Bienal de Sevilha, a de Szeemann, o mesmo Volta e Pulse, 2001, feito na Índia, em festas onde circulam pigmentos de cor. A "pura visualização", que se afigura pintura  em acção, é antes  uma diferente visibilidade que se abre à interrogação do espectador. Neste caso (Sur Place), essa interrogação é mais directamente política e o lugar do observador, a construção visual, a sequência temporal são elementos de inquietação que avolumam a excitação e a interrogação do que vemos. O espectáculo é aqui montagem filmica, observação ou análise? Terei de voltar - e antes (o Eclipse de Anne Veronica Janssens) e depois (Cristina Mateus), os outros dois vídeos são também interessantes.

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25 de junho de 2007

Museu Colecção Berardo - documentos

Acordo Ministério da Cultura - Museu Colecção Berardo de Arte Moderna e Contemporânea -
Termos gerais do Acordo assinado no dia 3 de Abril de 2006, em cerimónia presidida pelo Primeiro-Ministro.

Intervenção da ministra  a 03.04-2006

Nota à imprensa do MC sobre a Composição do Conselho de Administração da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo - 02-06-200

Nota Informativa da PR  Presidência da República a propósito do decreto-lei de criação da Fundação ..., 28-07-2006

Decreto-Lei nº164/2006 de 9 de Agosto: consultar DRe 

discurso na apresentação do concurso de esculturas, em 20-12-2006

e a 26-03-2007, as compras de Serralves

Intervenção da Ministra da Cultura na assinatura do protocolo entre o Ministério da Cultura e a Fundação de Serralves relativo ao Fundo para aquisição de obras de arte para o Museu de Serralves, no Porto

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24 de junho de 2007

Museu Colecção Berardo - primeira visita

Matta

Watchman, What of the Night?, 1968, óleo sobre tela, 299,7 x 993,8 cm
Roberto Matta  ( 1911 - 2002 ) © 2007 Copyright The Berardo Collection

Após o átrio renovado (*), a visita ao museu (ver site da colecção ) começa pelo antigo espaço do design onde se aloja o núcleo "Surrealismo e mais além". No primeiro espaço estão os nomes históricos e também Cesariny, apesar da diferença cronológica. Ficam logo exemplificadas as liberdades que se tomam com o desenrolar da história, para propor associações significativas ou apontar precedentes e sequelas. E também se demonstra o pedido de peças a outras colecções, dispensando uma eventual peça menor e mobilizando empréstimos, da Gulbenkian, da F. Cupertino de Miranda, do Chiado, neste caso.

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O Guttuso da colecção

Uma escolha para marcar a extensão e a abertura da colecção, que não segue só as pistas da moda. Renato Guttuso, Atelier e Paisagem, de 1960, óleo e colagem s. tela, 200 x 320 cm (A Tate possui uma também importante obra próxima, The Discussion  - La discussione, de 1959-60, tempera, oil and mixed media on canvas, 220 x 248 cm, comprada em 1961 - a da Col. Berardo pertenceu a Valerio Zurlini)

Guttuso

© 2007 Copyright The Berardo Collection

Não é um dos meus pintores favoritos, mas a obra, e este quadro tb, são demasiado importantes para serem tão pouco conhecidos. Por razões várias, o seu particular realismo social foi pouco influente em Portugal (onde se chegou ao neo-realismo e saiu antes dos outros), mas teve uma muito forte presença nos debates europeus dos anos 50 e primeiros 60, em particular em Inglaterra, no âmbito de "The Battle for Realism", entre os pintores do grupo Kitchen Sink, pia de cozinha, e o lado "existencial" de Bacon e Freud (os que ganharam).

Em 2003, o Museu com o seu nome em Bagheria, onde nasceu, ao lado de Palermo, apresentou a retrospectiva Renato Guttuso, Dal Fronte Nuovo all'Autobiografia 1946-1966, que, se não contava com algumas das suas obras maiores, dispersas por vários países, foi acompanhada por um catálogo importante. O edifício (a Villa Cattolica), a exposição e o sol são memórias fortes da Sicília.

"Muitas vezes se quis simplificar ou reduzir a pintura, e separá-la do mundo. Este quadro, pelo contrário, acumula ambições e dificuldades, e a estas não as terá vencido todas, sem deixar de ser uma obra maior. Soma a vista do espaço interior (o estúdio do pintor em Roma) e o exterior urbano, é paisagem, natureza-morta, retrato e auto-retrato (Guttuso de perfil à esquerda e o seu assistente Rocco), associa a afirmação do realismo à modernidade pós-cubista e a reflexão sobre o ofício à necessidade da intervenção do artista no presente. Polariza muitos debates do século XX e é um bom exemplo duma colecção que não percorre apenas os caminhos mais em voga." (Expresso/Revista de 23-06-2007)

O quadro foi dispensado na montagem inaugural do Museu, que se organiza em sete núcleos temáticos-históricos, deixando para outra ocasião os realismos e as abstracções europeias do pós-guerra. É tb uma das memórias fortes da descoberta gradual da colecção, e em particular de qd Francisco Capelo me chamou para  mostrar a fotografia do quadro de Guttuso (1911-1987).

21 de junho de 2007

No interior do CCB

Stella

Frank Stella, "Severambia", 1995, 299,7 x 840,7 x 388,6 cm,  Colecção Berardo

uma recentíssima aquisição em estreia, à entrada das galerias do piso 0 do Museu Colecção Berardo...
e a seguir, num diálogo de extremos, o pequeno Mondrian de 1923, "Composição com Amarelo, Preto, Azul e Cinzento".

Adiante ficam os núcleos "Figura Reinventada",  "O Poder da Cor", "Minimalismos" e "Autonomias", este dedicado a obras de mulheres artistas, na inesperada montagem do director Jean-François Chougnet.

CCB - a fachada mudou

Afinal há museu no novo CCB, estava atrasado mas chegou. Os painéis com o grande B de Berardo (ou de Belém? - é, de facto, o C e o B de Colecção Berardo) sobre fundo de ouro já estavam instalados ao começo da tarde na frente do centro administrativo, e as bandeirolas flutuavam ao vento.
Fica feita não a rectificação ( ontem ) mas a actualização.

Ccb4dia 21, 14h15

As portas abrirão dia 25

21 H – Abertura ao público, durante 24 horas, com entrada gratuita

                     

23 H – Teatro de fogo: Espectáculo de Som, Luz e Fogo, na Praça do Museu com DJ Scott Gibbons até de madrugada

                     

 

20 de junho de 2007

CCB 2007 - o desgoverno

Ccb 20-06, 19h

A quatro dias da inauguração do Museu a fachada do CCB é assim, um pouco triste. Os anúncios na imprensa são bons, a campanha já está na rua, o programa das festas do dia 25 é aliciante. Mas o presidente está contrariado, tiraram-lhe uma posta, e tenta esconder a evidência.

As fundações são duas, com alguma intrincada articulação. Não podem ser inimigas.

Já se sabia da falta de colaboração com o mailing da casa, e já se distribui o programa de Julho e Agosto onde o Museu se ignora enquanto se recheia a publicação com micro-eventos. Mas a falta de senso da fachada, com o grande painel dedicado a uns jazzes de café (certamente óptimos músicos, de certeza bons rapazes) é um caso com gravidade.

O dinheiro para as obras  de adaptação  do Museu chegou na data limite. As equipas trabalham a 100 por cento. As datas são para cumprir. Mas há sabotagens estúpidas e desgovernos que se pagam caro.  À atenção  das autoridades, como se dizia dantes.

Ver actualização a seguir

2005/06 Berardo/CCB - ultimato?

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Joana Vasconcelos, Néctar, 2006 (Foto DR?)
(Ferro metalizado e cromado, garrafas de vinho, cimento, sistema eléctrico e LED’s de alta intensidade. 350m x 715m)

Acordo : Ministério da Cultura - Museu Colecção Berardo de Arte Moderna e Contemporânea - Termos gerais do Acordo assinado no dia 3 de Abril de 2006, em cerimónia presidida pelo Primeiro-Ministro.

Intervenção da ministra  a 03.04-2006

Nota à imprensa do MC sobre a Composição do Conselho de Administração da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo
- 02-06-2006

Nota Informativa da PR  Presidência da República a propósito do decreto-lei de criação da Fundação ..., de 28-07-2006

Decreto-Lei nº164/2006 de 9 de Agosto: Nos dias dehoje, as principais capitais do mundo possuem museus de artemoderna e contemporânea que são uma referência para os movimentos de arte e para os cidadãos que deles usufruem. DRe 

outro discurso na apresentação do concurso de esculturas, a 20-12-2006

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Falou-se de ultimato, mas a palavra era injusta quando o caso se arrastava há anos com promessas e dúvidas.
Depois de perder a colecção Pinault - prevista para Paris mas instalada em Veneza -, Berardo foi convidado a substitui-la na Île Séguin. Um dos truques jornalísticos nacionais foi colocar sempre em dúvida que o convite do governo francês fosse uma realidade (prescidem da investigação e ficam com uma suspeita na mão para poderem ter "opiniões"). Berardo exigia uma resposta clara até final do ano.
O MC teve uma condução demasiado inábil e dúbia das negociações com Berardo (que envolveram Sócrates, Isabel Pires de Lima, Carrilho e Alexandre Melo).
Entretanto, o CCB vivia mais uma das suas crises de direcção e de financiamento. (sobre a demissão  de Delfim Sardo)

1 -O ponto da situação como  balanço do ano (versão integral)
2005, 30 de Dezembro (Expresso/Actual)

A história tem mais de dez anos e ainda há quem venha falar de ultimatos. Foi necessário que o governo francês apresentasse propostas firmes de instalação da Colecção Berardo em Paris, Toulouse ou Fontevraud (Loire) para que a Câmara de Lisboa, primeiro, e depois o primeiro-ministro cumprissem a sua obrigação: anunciar a decisão de lhe conceder um espaço apropriado e de negociar um protocolo que articule e garanta os interesses das duas partes. Mas, se as autoridades francesas avançaram logo com projectos de arquitectura e propostas jurídicas, está tudo muito nebuloso para os lados de Belém.

Das cerca de 350 obras em 1995, quando Cavaco Silva só queria saber de Berardo a propósito de expedientes financeiros cuja irregularidade não se provou em tribunal, até às 4000 que agora se referem, já correu muita tinta, e mais ainda vai correr até que o enunciado de intenções ganhe forma.
Em Setembro de 1996, Edite Estrela fixou em Sintra a primeira sede da colecção, com um acordo por dez anos, ao mesmo tempo que o ministro Carrilho, enquanto prometia para muito em breve um novo perfil institucional e cultural para o CCB, firmava o protocolo que lhe abria a porta das reservas a troco da inclusão de obras na sua programação. O acordo de Sintra está à beira do termo, ou renovação, mas o cumprimento das cláusulas financeiras tem sido atribulado.
O CCB, afinal, ficou entregue a si mesmo e a crise a que chegou já não pode mais ser ignorada - é provável que o Museu Berardo venha a ser parte da solução, com ou sem qualquer fundação inspirada no modelo de Serralves (mas a história não se repete e os dados são totalmente diferentes).

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2000 Berardo-CCB / Dois pólos

"Dois pólos"

Colecção Berardo - CCB e Sintra Museu de Arte Moderna (Até 30 de Abril)

EXPRESSO/Actual de 05-02-2000

O FACTO de a Colecção Berardo ser agora mostrada em dois locais diferentes não é só uma ocasião para avaliar melhor a sua extensão e importância - existindo ainda, aliás, numerosas obras que por limitações de espaço, por serem já conhecidas ou outras razões não se encontram expostas (perto de 200, a somar às cerca de 400 apresentadas). Não menos significativa é a oportunidade de apreciar e pôr em comparação as duas diferentes estratégias de montagem que foram aplicadas à mesma colecção. O CCB apresenta uma exposição mais vasta, mas a mostra do Museu de Sintra, onde se encontram peças de primeira qualidade e aquisições recentes exibidas em estreia, não é de modo algum um pólo secundário. Para o visitante, fazer a experiência, física e reflexiva, das duas montagens não será apenas adicionar obras a mais obras.

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2000 Berardo-CCB

"Século Berardo"
EXPRESSO/Cartaz de 29-01-2000

COLECÇÃO BERARDO
Centro Cultural de Belém e Sintra Museu de Arte Moderna

MESMO para quem acompanhou a inauguração em 1997 e as sucessivas remontagens da Colecção Berardo no Museu de Sintra – que recuaram o início do percurso histórico de 1945 para o final dos anos 20, ao tempo da concorrência entre o surrealismo e a abstracção geométrica, ou introduziram posteriores aquisições e substituíram alguns núcleos temáticos – as exposições que abrem no CCB e em Sintra são, de novo, uma surpresa. A extensão e a importância da Colecção, que agora se expõe muito mais alargadamente nesses dois espaços, confirmam-na como a oportunidade única de em Portugal se conviver com a arte do séc. XX – sem que, aliás, o fim do século venha encerrar, promete-se, o crescimento futuro do acervo.

O novo panorama cronológico mostrado no CCB começa em 1917 com o construtivismo russo. É um começo arbitrário, que atribui excessiva importância a um episódio vanguardista local, radicalizado pela 1ª Guerra, a revolução soviética e o fechamento das fronteiras europeias. Também é um começo mais acessível em termos de mercado, face à complexa diversidade da arte desses anos, em que o chamado regresso à ordem (aos realismos e à grande tradição da pintura) não é uma vitória da «reacção». Mas uma colecção tem a sua história e ambição específicas; neste caso, um projecto didáctico de exemplificar movimentos, mais do que antologiar os artistas que excedem o interesse dessa abordagem historicista.

Sala a sala, a exposição do CCB persegue depois o curso do século que terminou, com amplo espaço, também em geral inédito, para as duas décadas finais, aberto a produções mediatizadas sobre as quais não existe ainda recuo crítico – e essa abertura ao presente é uma outra marca positiva de uma colecção em crescimento, que não tem paralelo em museus nacionais.

No catálogo, o crítico norte-americano Donald Kuspit faz uma curiosa leitura da Colecção. Sublinha a abrangência e profundidade dos seus critérios de selecção, e considera-a «um registo psicológico magnífico da mentalidade moderna em toda a sua ambivalência». Prestando homenagem ao «idealismo rígido» de Francisco Capelo (anterior mentor da colecção, a quem José Berardo também saúda no seu prefácio), Kuspit mostra como o acervo reunido exemplifica «o conflito entre o valor desumanizante da abstracção e o sentido humanizante da representação na arte moderna», num «percurso do idealismo construído no início do séc. XX para a melancolia da figuração do final do século».

Entretanto, o Museu de Sintra não fica vazio. Aí se apresenta uma mostra complementar com outras obras que poderiam também ter encontrado o seu lugar na montagem cronológica do Centro, mas que em vez disso servirão de base a um segundo itinerário expositivo guiado, não pela sequência dos estilos, mas por associações temáticas. A lógica dessa montagem, da responsabilidade de Maria Nobre Franco, directora do Museu, estrutura-se em três áreas principais, a que correspondem os tópicos Objecto e Paisagem, Forma e Espaço e, no segundo piso, Figura e Narrativa. E a algumas obras já antes mostradas, juntar-se-ão as duas grandes aquisições mais recentes – de Francis Bacon e Robert Delaunay – e outros trabalhos inéditos, alguns deles aumentando o número de artistas portugueses incluídos na Colecção. (Até 30 de Abril. Em Sintra, abertura ao público a partir de 3ª feira)

1999 Berardo continua colecção

Retomando a cronologia da/do Colecção/Museu Berardo e do CCB - ver episódio anterior, inauguração do Museu de Sintra

Em meados de Outubro de 1999 veio a público a ruptura entre Francisco Capelo, que dirigira o projecto da Colecção Berardo desde o início, e José Berardo.Puseram-se a circular notícias sobre a dispersão da Colecção. A resposta surge no início de Dezembro, com novas compras (Bacon e Delaunay) e a confirmação da exposição prevista para o CCB que revelou o alargamento do âmbito cronológico do acervo, «Colecção Berardo 1917-1999».

"Berardo continua colecção"
Adquiridas duas importantes pinturas de Francis Bacon e Robert Delaunay

EXPRESSO/Cartaz de 4-12-1999, pp.4-5 - c/ notícia de 1ª pág. ver adiante
(Foto: Francis Bacon, «Édipo e a Esfinge 'd'après' Ingres», 1983)

DOIS quadros de Francis Bacon e de Robert Delaunay acabam de ser adquiridos para a Colecção Berardo, devendo ser apresentadas ao público por ocasião de uma exposição anunciada para o Centro Cultural de Belém, a inaugurar em 27 de Janeiro. A tela de Bacon intitula-se Édipo e a Esfinge «d'après» Ingres e data de 1983, com as dimensões de 198 x 147,5 cm. Sendo de data tardia, é considerada uma das mais significativas obras da sua produção final e uma das mais intrigantes abordagens modernas de uma composição histórica (no caso, referindo uma tela de Ingres conservada no Louvre). Foi exposta na retrospectiva da Tate Gallery de 1985, em «Francis Bacon: The Human Body», organizada na Hayward Gallery por David Sylvester em 1998, e circulou já este ano noutra retrospectiva que itinerou nos Estados Unidos.

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1997 Ainda a Pop (5)

E ainda
«Pop», de popular
Faltou à exposição do CCB o apoio informativo indispensável

Expresso/Cartaz de 15-11-1997

Antes que chegue ao fim (dia 17) a exposição «Pop'60s. Travessia Transatlântica», convém propor algumas interrogações sobre o modo desinteressado e desinformativo como algumas entidades — e neste caso, o CCB — (não) promovem as suas próprias iniciativas. Estamos perante um dos primeiros casos de apresentação em Portugal de um movimento ou período da história da arte, de que antes se teve apenas indirecto conhecimento, e, mais do que isso, perante uma exposição que participa de um recente processo de revisão da história arte Pop, de que o seu comissário, Marco Livingstone, tem sido um dos principais agentes.

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