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Arquivo * EXPRESSO Revista de 9-Set.-95
"Arte total"
O Centro de Arte Moderna apresenta uma instalação do mais famoso dos artistas ex-soviéticos: Ilya Kabakov: "Incidente no Museu ou música aquática" põe em cena a relação entre a palavra e a imagem, criando personagens e obras que questionam a realidade e a memória da arte
Os Encontros Acarte são um contexto particularmente atraente para a apresentação de Ilya Kabakov, o mais famoso dos artistas ex-soviéticos, autor de «instalações totais» que é possível considerar como «peças de teatro onde os objectos se substituem aos protagonistas» (Robert Storr). Exposição ou espectáculo, Incidente no Museu ou Música Aquática, apresentado em 1992, em Nova Iorque, e remontado na galeria do Centro de Arte Moderna, é uma criação narrativa e cenográfica, uma obra de ficção plástica (?), em que a pintura, a música, a escrita e o espaço onde tudo acontece se integram num todo indissociável.
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TEXTOS EM ARQUIVO, 2006, 2003, 2001, a propósito opu por ocasião da exp. de João Queiroz na Gal. Quadrado Azul, Lisboa - Até dia 20: www.quadradoazul.pt
EXPRESSO Actual de 17-06-2006
"A experiência da natureza"
Prática e interrogação da pintura de paisagem
Sem título, 2005-2006, óleo sobre tela, 190 x 250 cm
A paisagem teve uma importância fulcral na pintura do século XIX, em duas direcções em parte coincidentes: por um lado, a exploração sistemática do mundo, associando o inventário dos lugares, a comunhão romântica com a natureza e o exotismo das viagens; por outro, o trânsito da observação do natural e da pintura realista de ar livre, enquanto estudo apaixonado da natureza, à ambição da «pintura pura», que se irá entender como projecto analítico ou sistema autónomo e auto-referencial. No seguinte século não houve linhas de continuidade reconhecíveis como evolução de um género, mas o corte cronológico não tem a arbitrariedade do calendário, porque «fauves», expressionistas e cubistas continuavam a reinventar a paisagem. O espectáculo das trincheiras da Grande Guerra, essas outras paisagens de morte radicalmente inéditas, terá tido retrospectivamente uma decisiva influência no que se chamou crise da representação (com outras referências, o historiador Yve-Alain Blois dirá que «o luto tem sido a actividade da pintura ao longo do século»).
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Com a primeira obra exposta entra-se no museu, ou numa galeria (é o cubo branco) que de imediato se quer confrontar com o museu, porque as obras primas do passado são directamente convocadas, flutuando num espaço múltiplo, ilusório e material, o plano branco da tela onde se definem vários cenários (as cimaises ou paredes de exposição), e é com elas, as obras do passado, que o pintor desde logo se mede. Vermeer, Velazquez, Cézanne, etc.
Síndrome – guache e acrílico s/ papel, 116,4x152cm (2008)
Os visitantes do museu estão por terra, tombados, e também um burro. Nada é por acaso, mas também não é de fácil interpretação, a qual dependerá da disponibilidade para ir percorrendo as pistas oferecidas e encontradas.
É logo a seguir que deparamos com The murder of Alex Katz
Posted at 14:05 in artistas, Exposições 2008 | Permalink | Comments (1) | TrackBack (0)
Arquivo (e era um trabalho muito diferente em 2003 do que é em 2008, mas o mesmo)
Expresso Actual - 12-07-2003
"Matéria viva"
Uma pintura com força para voltar a perturbar ("R.A.
faz da pintura um exercício resolutamente destituído de amabilidade e
certamente também por isso pinta monstros e vísceras. Se tais figuras
parecem agressivamente estranhas é porque à pintura se foi proibindo
que incomodasse")
Ricardo Angélico, Galeria Ara, Lisboa (até dia 25)
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Uma brevíssima nota de 2006, a propósito de uma exposição a não perder no Centro Cultural de Cascais
Expresso, Actual de 28-10-2006
Ivo
«Segunda Colina», Convento das Mónicas
POR ONDE andou o mais discreto dos homeostéticos, de quem se disse ser o mais pintor do grupo? De entre lugares periféricos e desatenções críticas surge um corpo de trabalho que se exibe como exploração simultânea de vários itinerários só na aparência muito diferentes entre si, em pares de peças de formatos diversos e subtil unidade. Os mapas (que se prolongam numa mostra de papéis na Giefarte), os alvos ou bandeiras, as paisagens panorâmicas ou os cortes verticais de estratos sobrepostos fazem da pintura de Ivo um universo experimental intimamente habitado e oferecido a uma comunicação plural. Com catálogo e um texto atento de Carlos Augusto Ribeiro. (até 4 Nov.)
Deriva dos continentes, a/t, 2004/05, 130 x 162 cm
Agora (depois de "Segunda Colina" ter estado em Tavira em 2007), uma antologia de trabalhos desde 2000, apresentados de novo pelos Artistas Unidos, em Cascais, até 25 de Maio.
Catálogo com textos de Jorge Silva Melo e do próprio Ivo Pereira da Silva
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Nature morte 1993 (200x150x160 cm) - à mesa, Yves Gastou. Prémio de Mosaico 1992, atribuído pela ENSBA Paris
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Mónica Machado, Sílvia Hestnes Ferreira, Sandra Quadros, Marta Seixas
Expresso, Cartaz, 9-Nov.-96
"Mónica, Sílvia, Sandra, Marta, etc..."
"A fórmula da bienal-concurso é posta em causa, mas o panorama é favorável às revelações"
2ª BIENAL AIP
Europarque, Santa Maria da Feira
O que é hoje um salão? A fórmula oitocentista do concurso tutelado
pelos juris académico-corporativos está definitivamente morta,
substituída pelas selecções comissariadas? Ou, depois da relativa
importância que tiveram as bienais de Lagos e de Cerveira ou os salões
da SNBA, ainda ao longo da década de 80, o actual desprestígio dos
concursos faz parte de um mesmo fenómeno de fragilização de todo o
sistema de ensino, mercado, acção institucional e legitimação crítica
que marca a arte contemporânea?
A 2ª Bienal de Arte da Associação Industrial Portuense, excêntrica
mesmo em relação ao Porto e insuficientemente promovida, é um
contributo significativo para repensar o tema, ainda que a sua fórmula
já não seja exactamente a de um salão.
Posted at 22:48 in 1996, artistas, Bienais | Permalink | Comments (0) | TrackBack (0)
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Expresso Cartaz 12-04-97, pp 14-15
"Memória e imaginário do objecto quotidiano" <Uff!!>
"Uma jovem escultora portuguesa de Paris, Mónica Machado, inventa a escultura-mosaico: o objecto comum e o lixo encontram uma nova vida"
Bienal Arte Jovem, Fórum Maia
MÓNICA Machado foi, até há pouco tempo, apenas o nome de uma artista
portuguesa de formação parisiense que se sabia ter sido premiada no
Salon de Montrouge (um «salão» anual de jovens artistas na periferia de
Paris) e feito uma primeira exposição com apresentação de Yves Michaud
(filósofo e crítico, director da Escola Superior de Belas Artes de
Paris, onde M.M. se diplomou em 92 e de onde ele se demitiu em 95).
Depois, a uma pouco vista 2ª Bienal da AIP, em Outubro, em Santa Maria
da Feira, Mónica Machado trouxe duas obras, um grande e inquietante
carrinho de bebé — Le Landau (Salomé Dolores) — e um corpo feminino que
se abria no desvendar do seu interior — O Ovo (Petite Anatomie du
Désir). Nos seus barrocos revestimentos de cerâmica e na montagem
obsessiva de objectos e fragmentos, animados com movimentos mecânicos,
som e luz própria, eram sedutoras e repulsivas «máquinas delirantes», insólitas esculturas de invenção original e carregadas de memórias artísticas.
A emoção dessa descoberta, proporcionada pela
selecção do crítico Carlos França, levou a apontá-la aqui como a mais
forte revelação de 1996.
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Artista e comissário
Expresso Cartaz (Actual) 21-04-00
RUI SANCHES vai apresentar uma exposição de esculturas e desenhos no Pavilhão Branco do Museu da Cidade e, pouco depois, organizará a montagem de uma escolha pessoal de obras da Colecção Berardo no Sintra Museu de Arte Moderna. A segunda exposição, que estará associada à aquisição e instalação neste museu de uma sua escultura de grandes dimensões, dará origem à publicação do livro Um Olhar sobre a Colecção Berardo, que vai inaugurar uma nova colecção de pequenos livros de autor, os «Cadernos do Museu».
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1 - Expresso Cartaz de 1/12/2001, pág 24
"Um universo maior"
António Quadros não cabe de corpo inteiro na exposição que lhe foi dedicada pela Árvore
ANTÓNIO QUADROS, «O Sinaleiro das Pombas» (Árvore, Porto, até 12 de Dezembro)
O ritmo dos eventos da capital cultural não é propício a projectos retrospectivos, que desde a mostra inicial «Porto 60/90» se fizeram com atropelos de investigação e produção. É o que acontece com António Quadros (1933-1994), intrigante personagem que foi pintor e poeta - João Pedro Grabato Dias, entre vários heterónimos - e se dispersou enciclopedicamente por outros interesses, muitos deles levados à prática em Moçambique entre 1964 e 1984.
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Expresso Actual dee 7/4/2001
"Razão e excesso"
A homenagem prestada a Nadir Afonso não é ainda uma retrospectiva organizada com rigor crítico
NADIR AFONSO, Centro Cultural de Cascais. Até 6 Maio
A uma homenagem, como a que o Centro Cultural de Cascais presta a um dos seus munícipes, não se pede o rigor científico de uma retrospectiva, mas Nadir Afonso, que já ultrapassou os 80 anos, ganharia em fazer passar a sua obra pelo crivo de uma exposição crítica, no sentido que têm as edições críticas nos domínios da escrita.
O seu nome é sempre citado quando se recordam as Exposições Independentes, no Porto dos anos 40, e a sua obra de pintor é uma referência na afirmação do abstraccionismo geométrico em Portugal, ao lado do pioneiro Fernando Lanhas, outro «independente». No entanto, para além de algumas pinturas isoladas que todas as sínteses históricas reproduzem, expostas no CAM, em representações nacionais e outras abordagens panorâmicas, a carreira de Nadir continua a ser mal conhecida. Uma primeira retrospectiva foi-lhe dedicada em 1970 pela Gulbenkian, em Paris e Lisboa, mas a generalidade das obras reproduzidas no catálogo datam da década anterior, deixando o percurso prévio por estudar. Também não tiveram rigor crítico quer a retrospectiva apresentada em 93 na sua cidade natal, Chaves, quer a monografia editada em 98 por Livros Horizonte. Aí se foram revelando algumas obras esquecidas ou inéditas, mas sempre sem enquadramento histórico e apenas acompanhadas por textos do próprio artista.
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1. Expresso Cartaz de 24/11/2001, pp. 32-33
"A cidade de Júlio Resende"Da retrospectiva em Matosinhos à Fundação do pintor em Valongo (à margem da capital cultural)
JÚLIO RESENDE, Paços do Concelho de Matosinhos (até 20 Dez.)
FRANCISCO BRENNAND, «No Acerto com o Mundo» (Fundação Júlio Resende, Valbom, Gondomar, até 2 Dez.)
O panorama do Porto, como qualquer panorama, é feito de diferentes e desencontrados círculos, meios ou nichos do pequeno mundo da arte, mas é alargando os itinerários até à periferia que a cidade de Manuel de Oliveira, de Eugénio de Andrade, de Agustina e de Siza Vieira se reencontra com outro dos seus nomes, Júlio Resende. Esta área alimenta-se mais facilmente (mais oficialmente) de esquecimentos ou exclusões do que outras.
É em Matosinhos, por iniciativa da sua Câmara, que se pode ver, neste ano de particular significado para o Porto, a obra do principal dos seus pintores. A homenagem necessária tomou a forma de uma ampla retrospectiva da pintura de Resende, embora na sua muito extensa produção, material e cronologicamente, tenham também relevância o desenho e a aguarela e, em especial, a grande decoração instalada em lugares públicos, com largo recurso à cerâmica (objecto de uma mostra do Museu do Azulejo em 1998).
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Expresso Cartaz de 21/4/2001, pp. 28-29
Sonhei que sabia tudo
As perguntas, os deslumbramentos, os sonhos e os quadros de Fernando Lanhas
Na sala central do Museu de Serralves, as últimas pinturas de Lanhas, já de 1998-2000, coexistem com vitrinas de trilobites e meteoritos. Numa parede, lê-se: «Sonhei esta noite com trilobites vivas. (…) Em certo momento vi uma trilobite grande, de cor dourada, que estava mutilada nas pleuras. Peguei na trilobite sem qualquer receio, para a ajudar. Era uma trilobite muito sossegada e meiga. As crianças até lhe faziam festas.», S322A (sonho 322), 16-17.XII.92. Dois mapas assinalam os principais meteoros e meteoritos caídos em Portugal e a trajectória de um meteoro observado em 1984.
Posted at 15:05 in 2001, artistas, Serralves | Permalink | Comments (0) | TrackBack (0)
A Maria Beatriz já tem um site, com imagens dos seus trabalhos e listas de exposições. A Holanda fica mais perto.
Está aqui: mariabeatriz . E ainda irá ser aperfeiçoado (espero que com algumas imagens em livre acesso).
Postal com auto-retrato, s/d (no verso: druk Stetyco © Asselijn Amsterdam)
Posted at 10:33 in Actual, artistas | Permalink | Comments (1) | TrackBack (0)
1
Expresso/Cartaz de 25-1-97 (Actual)
Morreu no passado sábado, com 84 anos, o pintor Joaquim Rodrigo. Nascera em Lisboa, em 1912, e foi agronómo de formação e profissão, durante cerca de 40 anos. No início dos anos 50 começou a dedicar-se à pintura como amador, expondo logo regularmente nos salões da Sociedade Nacional de Belas Artes /EGAP/, e prosseguiu até data recente, com uma última mostra individual em 1994, uma carreira sempre reconhecida pela generalidade da crítica nacional.
Efectivamente, a obra do pintor Joaquim Rodrigo esteve associada em três momentos sucessivos a situações conjunturais de revisão de orientações críticas ou foi considerada como representativa de novos entendimentos formais e estéticos.
Posted at 22:13 in 1997, artistas, Registo | Permalink | Comments (0) | TrackBack (0)
EXPRESSO/Actual de 3 Jun. 2006
"Contaminações"
Paisagens mutantes em que vacilam as fronteiras entre natureza e artifício
Entre esta exposição e a sua estreia na galeria Pedro Cera, há dois anos, Catarina Leitão participou no Greater New York 2005, segunda edição de um balanço prospectivo para que foram escolhidos 150 artistas da área de Nova Iorque emergentes desde o ano 2000. A iniciativa foi do PS1 Contemporary Art Center, que a partir desta última data se tornara uma filial do Museu de Arte Moderna (MoMA), depois de um importante passado como instituição independente de Long Island, Queens. Foi um passo muito significativo, já com consequências noutras mostras e representações, na carreira de uma jovem artista (portuguesa, nascida em 1970 em Estugarda) que há uma década se fixou em Nova Iorque e cuja produção tem sido também mostrada com regularidade entre nós, nomeadamente no Sintra Museu de Arte Moderna/Colecção Berardo, em 2001, e no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, em 2002.
The Landscapes and The Characters, 2006, ink on paper, each 49 x 61 cm © Catarina LeitãoPosted at 00:29 in artistas | Permalink | Comments (0) | TrackBack (0)
CATARINA LEITÃO - "THICKET"
at Number 35, 39 Essex Street, New York
October 13 - November 18, 2007
Posted at 00:22 in artistas | Permalink | Comments (0) | TrackBack (0)
A não perder no Museu Reina Sofia, até 15 de Out., também a retrospectva de Gordillo comissariada por ele próprio e instalada com grande imaginação e inteligência - e muito pouco respeito pelas rotinas expositivas, o mesmo que irreverência - nas salas do antigo museu-hospital (edif. Sabatini).
ICEBERG TROPICAL, Luis Gordillo. Antológica 1959-2007
Luis Gordillo (Sevilla, 1934), "recientemente galardonado con el Premio Velázquez 2007, máximo reconocimiento que hace el Estado Español a toda una trayectoria artística en el campo de las Artes Plásticas, es una de las figuras más influyentes del arte español en los últimos cuarenta años.
Su carrera artística comienza a mediados de los años cincuenta, tras licenciarse en Derecho y haber estudiado música, decide ser pintor y asiste durante dos años a la Escuela de Bellas Artes de Sevilla. En el verano de 1958 reside en París, cultivándose a fondo en museos, cine, lecturas..., pero sobre todo vive un clima de libertad entonces difícil en España. Amplia sus conocimientos sobre la vanguardia del momento, de manera especial, informalismo y arte geométrico. En 1959 vuelve a París, esta vez por dos años. Pinta según los parámetros informalistas, principalmente obras en tonos negros sobre blanco, siguiendo la brecha abierta por Michaux, Tàpies, Millares, Wols, etc...."
continua (MNCARS)
A originalidade da montagem - as pinturas colocadas sobre "papel de parede" que padroniza peças fotográficas de LG, os quadros transversalmente expostos em sequência, a visibilidade dada à série e ao processo - constrói inesperadas e óptimas condições de inteligibilidade de uma obra respeitável, que conhecia de forma desgarrada.
Sendo principalmente uma pintura sobre a pintura (sobre questões do fazer da pintura e sobre a sua história num contexto de crise vanguardista), a obra independente, o quadro, valoriza-se ao ser colocado num cenário que situa a respectiva problemática processual. Construção e dissolução da imagem; apropriação da fotografia; composição, repetição, simetria, multiplicação; questões de escala e de unidade ou fragmentação do suporte são capítulos que ganham sentido ao longo de uma montagem sempre diversa.
"Luis Gordillo siempre se ha implicado en la concepción de sus exposiciones antológicas. En esta ocasión ha desarrollado un proyecto expositivo muy diferente al realizado en su última gran retrospectiva celebrada en el Museu d’Art Contemporani de Barcelona, MACBA (2000). Más allá de la exhibición cronológica de piezas elegidas en función de su calidad, la muestra ha sido concebida como un espacio vivo, un campo dinámico de acciones y reacciones entre las obras, que sacude al espectador. Fiel a la idea de potenciar al máximo la activación de cuadros y espacios, y consciente, al mismo tiempo, del sentido didáctico que acompaña a una muestra antológica, Gordillo nos propone una exposición heterodoxa, muy singular, tratando de escenificar la tensión narrativa que ha caracterizado toda su trayectoria y convirtiendo la exposición en sí en una obra de arte más." MNCARS
Posted at 23:50 in artistas, Madrid | Permalink | Comments (0) | TrackBack (0)
"Uma exposição “magnífica”, diz o vereador da cultura da Câmara do Porto, Gonçalo Gonçalves. Esta mostra, que inclui algumas das obras mais emblemáticas do artista, vai estar no Porto até ao dia 4 de Novembro. A exposição, que foi montada em parceria com a Fundação Metropolitana de Milão (FMM), proprietária das peças, é inédita em Portugal e, por isso mesmo, a organização espera que seja visitada por pessoas vindas de todo o país. Gonçalo Gonçalves acredita que se a exposição, que ele considera “magnífica”, for “bem divulgada” ela “poderá ser visitada por todos os portugueses”."
Isto é publicidade enganosa, além de ser ignorância e estupidez. É uma notícia da Rádio Renascença...
Ainda a propósito das grandes exposições de verão do Porto, vale a pena ver que o acréscimo da oferta é paralelo a uma redução substancial da reflexão (da informação qualificada e da crítica) sobre as obras e os artistas. A lógica é a do consumo ou do lazer, entre outros consumos e lazeres disponíveis, não a de qualquer diferença ou distância que se possa reconhecer como mais gratificante ou mais elevada - seria esse o lugar da cultura ou da arte.
Basta ver os jornais que existem (mais a oferta de tv) e o que se foi passando em termos de informação. Há mais oferta cultural, que já não se reduz só a uma elite mais interessada ou cultivada, enquanto o resto da população vive para o trabalho, o futebol e a igreja, mas há menos debate sobre essa programação de cultura.
Lembremo-nos que os três diários do Porto tinham páginas ou suplementos culturais semanais, melhores ou piores ao longo do tempo. A oferta cresceu mas as páginas de cultura desapareceram. Alguma coisa aí se aprendia e se discutia - durante o "fascismo" e até anos recentes.
Há muito mais arte com Serralves, mas, paradoxalmente, há muito menos crítica de arte (ou nenhuma) nos jornais do Porto. O que havia foi secando, primeiro reduzindo espaços e depois desaparecendo, apesar de, face aos números fornecidos por Serralves, haver mais público interessado. Um diário como o Jornal de Notícias chegou a ter pelo menos quatro colaboradores regulares nesta área, incluindo jornalistas da casa (e lembre-se aqui a Marta Seixas que assinava Fernando Falcão). Valeria a pena que Serralves, entre tanta sessão, pusesse o tema em debate - o que importa aumentar a oferta se a qualidade da recepção diminui?
O que os jornais publicam é quase só a transcrição dos press-releases, seja Dalí ou Dufrêne. É tudo igualmente recomendável, indiferentemente. O jornalismo cultural tornou-se publicitário. E é penoso ver um largo público, às vezes com responsabilidades e com hábitos de cultura, alinhar no interesse por um artista decrépito e oportunista, cuja produção corresponde a um dos casos mais problemáticos de degradação do mercado de arte - daí a insistência das "obras originais certificadas".
Vale a pena recordar o que era Dalí no espaço alargado de uma cultura não era apenas consumo (e não podia ser considerado só um círculo elitista).
Serve uma página de um livro de divulgação que foi muito influente, da grande figura da arte inglesa que era Herbert Read, A Concise Hiistory of modern painting, 1959, que teve uma tradução francesa que foi muito popular na Livre de poche, Histoire de la peinture moderne. Há traduções brasileiras.
Herbert Read cita André Breton, que em 1942 fulminou Dalí com a invenção do justíssimo anagrama Avida Dollars. Refere a "actividade paranoica-crítica" que foi uma contribuição ao surrealismo e continua:
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De Roberta Smith sobre Elisabeth Murray, ainda
(The New York Times nytimes.com 13 Agosto 2007)
"Ms. Murray belonged to a sprawling generation of Post-Minimal artists who spent the 1970s reversing the reductivist tendencies of Minimalism and reinvigorating art with a sense of narrative, process and personal identity. Her art never fit easily into the available Post-Minimal subcategories like Conceptual, Process or performance art. This may have been because her loyalty to painting, which was out of fashion, was unwavering. At the same time, her blithe indifference to the distinctions between abstraction and representation or high and low could put off serious painting buffs.
Both tendencies enabled her to be one of a small group of painters — including Philip Guston, Frank Stella and Brice Marden — who during the 1970s rebuilt the medium from scratch, recomplicating and expanding its parameters and proving that it was still ripe for innovation, in part because of its rich history. Her sources ranged from Cézanne, Picasso, Gris and Miró to Stuart Davis, Al Held and Agnes Martin. As she remarked in the 1987 catalog to her first big museum show, which traveled to the Whitney in 1988: “Everything has been done a million times. Sometimes you use it and it’s yours; another time you do it and it’s still theirs.”
In Ms. Murray’s mature work, eccentrically shaped or multipanel canvases fused Cubism’s shattered forms and Surrealism’s suggestive biomorphism with the scale and some of the angst of Abstract Expressionism and more than a touch of Disneyesque humor and motion. Her semi-abstract shapes resolved into bouncing coffee cups, flying tables or Gumby-like silhouettes with attenuated arms and legs that careered across surfaces like thin, unfurling ribbons. Her preferred spatial effect often seemed to be a swirling vortex, with the illusion of motion both countered and underscored by weighty colors and thick surfaces subdued with the active workings of a palette knife. The overall impression was of some inchoate yet invigorating crisis of the heart or hearth, as intimated by titles like “More Than You Know,” “Quake Shoe” and “What Is Love?”
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EXPRESSO/Actual de 10-02-2007
A verdade da ilusão
Uma incursão do ilusionismo próprio da pintura figurativa de Manuel Amado no mundo do fingimento do teatro
«A Última Ceia dos Polichinelos», 2005
O lugar de exposição, histórico-patrimonial, é inesperado. É também inesperado o espaço amplo das salas comunicantes que acolhem as 50 telas mostradas, um corpo vasto de trabalho, tematicamente unificado e erguido ao longo de quatro anos de produção, de 2002 a 2006. Também é uma surpresa a aparição de figuras numa pintura que se tem fixado em lugares vazios, mesmo quando é muito forte a impressão de que alguém habita as salas e corredores desertos, ou que alguém passou ou vai passar pelas suas vistas interiores (e íntimas) ou pelas paisagens exteriores de ruas e jardins.
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EXPRESSO/Actual de 13-01-07
"Sinais de vida"
A obra paralela de Calder, sobre papel, mostrada em Évora
Calder tem um lugar de grande destaque na história da escultura do século XX, no caminho que a afasta decididamente da estatuária e, em paralelo, confere novas condições de viabilidade ao monumento, separando-o das tradicionais funções representativas ou de celebração (que funções lhe restam não é uma questão fácil). Com a invenção do «mobile», no início dos anos 30, retirou o peso e a imobilidade à escultura, ao criar formas em movimento, suspensas e instáveis, que desenham no ar arabescos imprevisíveis. Marcel Duchamp, brilhante observador dos artistas seus contemporâneos no catálogo da «Société Anonyme», apontava em 1949 a arte de Calder como «a sublimação de uma árvore ao vento» e «pura alegria de viver» (joie de vivre). Sartre já escrevera em 1946 que os «mobiles» eram simultaneamente «invenções líricas, combinações técnicas, quase matemáticas, e o símbolo sensível da Natureza».
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EXPRESSO/Revista de 4 Set. 1993, pp38-39
Antonio Lopez, “Saber pintar”
a propósito de El Sol del Membrillo
ALGUÉM pinta, ou tenta pintar, um quadro. Aliás, não é um quadro que o pintor pinta, o qual corresponderia já a um primeiro reconhecimento de um nível de autonomia modernista (o auto-engendramento de um espaço pictural na superfície bidimensional): o pintor pinta um marmeleiro que plantou no seu jardim — aquele marmeleiro. O que ele procura é captar uma realidade exterior e natural que caracteriza à partida como bela: é a beleza natural que deverá ser transcrita sobre a tela. E ele pratica e pensa a sua pintura com a suposta naturalidade de um acto originário e intemporal, sobre o qual a história (da pintura) não surge a problematizar o que é o mimetismo, a representação, o «medium», etc. Não há problemas de pintura, existe apenas a dificuldade de cumprir um programa.
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EXPRESSO/Cartaz TV 03-07-93
Artes e Letras:
Andy Warhol (TV2, 20h20)
É a segunda vez, em tempos recentes, que o «Artes e Letras» se ocupa de A.W. (falta saber se será também o mesmo filme). Seria oportuno que, depois de tratar do mais famoso agente da Pop arte americana, os programadores da RTP descobrissem outro nomes tão importantes como os dos «precursores» Jaspers Jones e Robert Rauschenberg — na Grã Bretanha, Eduardo Paolozzi e o Indepedent Group —, ou, já no terreno próprio da geração de Warhol, os de artistas como Oldenburg, Jim Dine, Liechenstein, Rosenquist, Robert Indiana e Edward Ruscha, por exemplo.
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EXPRESSO de 29 Maio 1993
“Embrulhadas” ( Le Pont-Neuf, Paris)
ARTES E LETRAS:
CHRISTO EM PARIS (TV2, 20h25)
Há artistas que só têm uma ideia em toda a vida, e passam os anos a
multiplicá-la ou a ampliar-lhe a escala. Christo, escultor de cenários,
embrulha edifícios e paisagens
As obras de Christo contrariam a ambição de eternidade que está quase sempre associada à ideia de obra de arte. Preparadas longamente, elas são de existência ou exibição efémera, como um espectáculo. Artista utópico e empresário, Christo trabalha com acontecimentos, mas também com a memória dos acontecimentos que encena: é o que sucede com o presente documentário de uma hora sobre o empacotamento da Pont-Neuf de Paris, realizado no final de Setembro de 1985.
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Celestino Mondlane, ou Mudaulane. O nome oficial e o nome tradicional (ou nativo, do clã), caído em desuso e esquecido, mas que ele recupera como afirmação de identidade. O desenho, que se estende por dez folhas e mais de dois metros de lado, refere-se a um festival cultural em Inhambane de iniciativa oficial. Reconhecem-se os músicos e dançarinos tradicionais, o batuque e as máscaras, e à direita outras máscaras, fardas e capacetes.
Celestino é claramente uma presença diferente no contexto dos "ateliers" do Estado do Mundo, ou o "Sítio das Artes - Residência das Artes", que ocupa o CAM, só até dia 28, sábado (e não 29 domingo como se escreveu antes). Se a condição de artista africano se reconhece de imediato nas obras expostas ou em execução, existe também um diferente entendimento do que é uma "obra".
site oficial
Celestini Mondlane no blog oficial
Não vale a pena voltar ao tema, mas esvaziar o museu para instalar (jovens) artistas em exercícios públicos de produção é uma ideia peregrina que marca mal o ano comemorativo. Pode ter sido um "lugar" para frequentar (não foi o meu caso), mas não para visitar. Quanto a resultados (contrapondo diferentes realidades e ambições: a "criação" e o resultado; lugar de trabalho e lugar de apresentação de trabalho) ver-se-á sábado como funciona.
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"História e ficção"
Seis artistas no centro de uma década prodigiosa
EXPRESSO/Actual de 01-05-04
O grupo homeostético chega ao contacto com o «grande público» cerca de 20 anos depois do desenrolar das suas actividades, mas as obras e o seu espírito não ganharam uma ruga. Sob esse nome reuniram-se seis artistas: Pedro Proença, Manuel João Vieira, Pedro Portugal, Xana, Ivo e Fernando Brito. Nascidos entre 1958 e 1963, frequentaram a Escola de Belas Artes de Lisboa na primeira metade dos anos 80 e realizaram cinco exposições de grupo - duas na Escola (1983), uma em Portimão e outra em Coimbra (1984 e 86) e a última na SNBA (1986), a única que teve alargada visibilidade, em parte graças ao braço musical homeostético, os Ena Pá 2000, de M. J. Vieira. Intitularam-na «Continentes», em resposta ao «Arquipélago» exposto no ano anterior, no mesmo local, por Calapez, Croft, Cabrita Reis, Rui Sanches, Rosa Carvalho e Ana Léon (todos mais velhos, mas de afirmação mais lenta), e aí exibiram cinco quadros de 10 metros e grandes esculturas pintadas, ocupando-se cada um da sua parte do globo.
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EXPRESSO/Cartaz de 31/03/2001
"Realidades virtuais"
Dois artistas já de longo curso, com pinturas que interrogam ou recusam a referência à paisagem
«CAMPO», de Pedro Calapez , Presença, Porto, até 5 de Maio
«PAISAGENS?», de Xana, Cesar, Lisboa, até 2 de Maio
Que acontece entre a urgência das revelações de jovens artistas, as afirmações geracionais ou novidades e, por outro lado, o ritmo pausado das consagrações ou revisões mais ou menos históricas? Quando não se extinguem os fulgores iniciais, na maioria dos casos, as obras estabelecem-se como produções continuadas, ocupando um espaço precário entre a exigência de um fácil reconhecimento (o estilo, a imagem de marca) e a ameaça da repetição. Não é pacífica, nas artes plásticas, a ideia de maturidade criativa, e a lógica da rápida rotação e obsolescência de todos os produtos também domina este mercado. As colecções institucionais ou particulares mais mediatizáveis fazem-se, em geral, com obras baratas, substituindo-se para isso, aceleradamente, as sucessivas gerações de jovens. Os museu e as histórias sumariam emergências e é à mesma lógica de distribuição que corresponde o actual mercado das feiras.
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(Depois de "Sur Place" de Justine Triet , outra obra maior do Museu Berardo)
Amarylis, 1987, óleo sobre tela, 220 x 180 cm. Col. Berardo
Julgo que o quadro não tinha sido ainda apresentado em nenhuma das mostras da Col., e é natural que outros não soubessem que fazer a uma pintura que não encaixa em nenhumas das grandes prateleiras dos supermercados artísticos. E que além da independência, tem também as qualidades da alegria.
A categoria ampla "O poder da cor" permitiu mostrá-la num dos mais fascinantes e mais livres (as duas coisas estão muitas vezes associadas) ou desafiadores conjuntos de obras heteróclitas (?) que pude ver num museu: a constelação Stella - Mondrian- Paula Rego - Morandi - Jaffe - Schnabel, a continuar, à direita, com o pouco conhecido Eugène Leroy. (Como dizia Shirley Jaffe numa entrevista: "Quando os quadros são mostrados numa situação não habitual, a nossa percepção muda" - catálogo "Une histoire parallèle, 1960-1990", Centre Pompidou, 1993)
Norte-americana de New Jersey nascida em 1923 e fixada em Paris desde 1949 (quando NY lhe roubou a arte moderna...), expôs durante 30 anos (1966-97) na Gal. Jean Fournier e depois na Galerie Nathalie Obadia (a mesma onde expõe agora Jorge Queiroz. ver JQ ). Pertence, como informa o site da Colecção Berardo, à geração dos pintores norte-americanos como Sam Francis, Joan Mitchell e Ellsworth Kelly, e Kimber Smith, que viveram em Paris nos anos 50, em contacto com a arte europeia.
"Belongs to the generation of American painters such as Sam Francis, Joan Mitchell, Ellsworth Kelly, who lived in Paris in the 50s and have set up, in contact with European art, an active artistic environment. After a period near to the Abstract Expressionism, in the 60s she tends to a geometry that deals with colour and excludes gesture. Jaffe has established, as she herself comments, an "alphabet of geometrical forms of difficult identification". For more than thirty years, her work goes through denial of painting, to better seize the significant virtues of form."
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(*Em construção*)
É em Bencatel, ao pé de Vila Viçosa, que está a ser produzida a segunda escultura monumental do pintor Sean Scully, cujo transporte para Aix-en-Provence, França, em Setembro, vai ser realizado por 72 grandes camiões. São 1728 toneladas de pedras de diferentes qualidades e colorações, ou 640 metros cúbicos, que se acumulam calculadamente numa grande construção horizontal de 20 metros por oito de largura e quatro de altura. A produção, que foi acompanhada pelo artista em diversas vindas ao Alentejo, está praticamente terminada - faltam ainda alguns blocos para fechar um dos lados superiores - e a imensa escultura é visível da estrada por quem passa junto ao depósito de mármores da empresa Dimpomar.
Encarnado de Negrais, Azul Valverde, Moca Creme, Ruivina são os nomes dos mármores utilizados na construção, que, conforme o projecto do escultor, mantém as marcas de extração e as irregularidades ocasionais de cada bloco. Os calços de madeira que separam as pedras desaparecerão na remontagem da obra, no seu local definitivo.
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Desde 1997, quando se viu em Lisboa, Sean Scully não para. É um dos artistas com maior visibilidade internacional mas talvez não uma vedeta, o que é uma situação curiosa. As antologias de obras recentes e retrospectivas parciais andam sempre em digressão, e às vezes facilitam, como a que esteve há uns tempos em Madrid (sala Alcalá). Agora está no Museu Miró de Barcelona, cidade onde tem um atelier - outros em Munique, onde é professor, em part-time, claro, e em Nova Iorque.
"Wall Light Fire", no Museu MiróE tem um novo álbum-catálogo a sair na Thames & Hudson, onde Donald Kuspit insiste na ideia pouco interessante de "abstracção transcendental", carregando sempre numa vida espiritual inscrita como pintura...
« Si l’on peut parler d’“avancée” dans le domaine de l’abstraction transcendantale […] alors la peinture de Sean Scully, à la fois gestuelle et géométrique, en représente incontestablement une. Sa peinture insuffle une nouvelle vie spirituelle et une subtilité inédite à l’abstraction transcendantale, montrant par là que celle-ci reste non seulement possible et viable, mais qu’elle est également nécessaire en cette époque où l’art est plongé dans les ténèbres spirituelles. »
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Além de ser pintor e gravador, Scully também expõe agora fotografias (The Color of Time, com texto de Arthur Danto, Steidl Verlag, Mar 2004 . esgotadíssimo) e realiza as grandes esculturas monumentais que decorrem directamente das suas pinturas (entre a grelha e o xadrez).
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Em 1997, de 14 de Outubro a 14 de Dezembro, a Culturgest apresentou Sean Scully: desenhos, aguarelas, as "Catherine Paintings" e as "Floating Paintings". A mostra retomava uma antologia organizada pelo British Council (apesar de SS se ter naturalizado norte-americano em 1993), que antes se mostrara no Jeu de Paume de Paris (catálogo com o importante texto de Arthur Danto sobre as "Catherine Paintings", e outros de Jean Louis Scheffer e Xavier Girard). O Jornal da exposição (Nº 31) inclui um texto de Bernardo Pinto de Almeida.
In "A pele, o corpo, a terra", Expresso/Cartaz de 18-10-1997
(referindo-se também a exposições de Virgínia Fróis e José Manuel Rodrigues)
(...)"Sean Scully — nascido na Irlanda em 1945, de formação inglesa (residiu em Londres de 1949 a 1973) e actual nacionalidade norte-americana — traz à Culturgest uma selecção alargada do seu trabalho, incluindo a série das «Catherine Paintings» e as mais recentes «Floating Paintings», além de desenhos e aguarelas.
Datadas de 1979 a 1995, as «Catherine Paintings» começam por indicar a directa ascendência minimalista da primeira fase da sua obra — e em especial o interesse por Stella, Ad Reinhardt e Agnès Martin —, reconhecível na estrita economia cromática e formal das duas telas iniciais, construidas por sistemas regulares de riscas em negro sobre negro. Os quadros seguintes ascendem com a maturidade do pintor a outras condições de diversidade e complexidade: aliam a sistematicidade do trabalho de composição à imprevisibildade de uma presença tão monumental como humanamente física.O rigor geométrico das bandas de cor perde a marca da aplicação mecânica e impessoal, dando lugar tanto à inventividade das estruturas assimétricas como à afirmação do traçado manual (que é «nervoso, agitado, incerto», diz S.S., sem ser expressionista). A risca ou banda passa a conter as marcas do arrastamento do pincel, as superfícies são texturadas e tácteis, feitas de transparências visíveis; a materialidade da pintura exibe o tempo próprio do fazer e a individualidade vivida de cada elemento. A unidade construtiva dá lugar a um diálogo relacional entre as peças separáveis com que se constrói o quadro, em arquitecturas de equilíbrio forçado e precário (não clássicos): nasce o quadro dentro do quadro, como janela, quadro e moldura, espaço aprisionado; surge o motivo do xadrez, desalinha-se o plano superficial do quadro — e este é sempre «repetitivo e diferente como o ser humano», refere Scully. Cada uma das pinturas «Catherine» constitui uma escolha realizada pelo artista de entre toda a sua produção de um ano e à qual deu o nome da ex-mulher, a pintora Catherine Lee.
Com as «Floating Paintings», o quadro projecta-se na perpendicular da parede, flutua no ar, ganha volume e multiplica-se pelas suas duas faces e pelos vários elementos. A parede abre-se e envolve o observador, avolumando a experiência de «olhar a pintura» (não se trata de voltar à pintura, mas de voltar a olhar)."
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Provavelmente, M.C. não aparece apontada entre os "artistas dos anos 2000" (ou será anos 90?), nem consta das listas institucionais de nomes sazonais - tem muito tempo para chegar ao museu. Cada vez mais esse lugar exterior é meio caminho andado (só meio) para assegurar a seriedade de um trabalho. Ontem passei do Gabriel Abrantes para a Mónica Capucho - fui da desordem apocalíptica para o sistema regrado, da aventura e do excesso para a ordem e o rigor - e essa passagem entre opostos não mostrou incompatibilidades.
Pode parecer um caminho muito trilhado, talvez exangue, em mais uma variação de geometrias e monocromatismos sistemáticos. Mas o que podia ser aridez e repetição é um percurso subtil, seguro nas suas variações e sustentado pela densidade muito própria com que se conjugam conceitos e imagens.

Primordial Strength, 2007 – Óleo s/ tela, 100 x 100 cm
Os títulos, que são programas e comentários, inscrevem-se agora no canto superior direito e já tiveram antes maior visibilidade, sem deixarem aqui de ser uma marca conceptual forte - para além de se poderem ver como marca autoral. Eles impõem uma observação que é questionamento, inscrevem uma reflexão sobre a poderosa presença visual de cada uma das obras, situam ou apontam para uma variação de sentidos no que começa por ser o desenvolvimento de um sistema pré-fixado. Outros títulos: Dark Obsession, Frozen Thought, Grey Matter, Homogeneous process of defining, Linked Together, Optional decision - e "Clean Approach", título geral da mostra.
A grelha tem uma presença muito extensa na pintura do século XX e reaparece recentemente com grande energia nas obras de José Loureiro e, agora, no MCB, de Cabrita Reis. Mónica Capucho investiga-a ou explora-a sistematicamente problematizando as suas dimensões mais especificamente ópticas (espaço, cor, profundidade, ritmo, etc), isto é, fazendo intervir visivelmente a condição conceptual, reflexiva, programática na radical opticalidade material do seu trabalho. Agora aparecem pequenos desiquilíbrios, desvios, que situam novas questões estruturais e perceptivas. Aparecem variações de profundidade e transparências que vêm agitar o que parece ser uma ordem rígida. São caminhos de novas explorações.
A pintura de Mónica Capucho, discretamente e com uma grande eficácia visual (sempre as contradições), está a mover-se.
Galeria Carlos Carvalho. Até 31 Jul.
Mónica Capucho
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Tinha ficado para trás - dia 28 - uma 1ª abordagem ou 1º questionamento de uma exposição que experimentei como uma interpelação, sem anteriores referências que a facilitassem - e que foi produtivamente acrescentada pelo diálogo com o autor, o que não é frequente. E entretanto o calendário está a terminar - encerra dia 6 - 6ª.
(revisto dia 5 às 11h)
O vídeo It's OK (united) #1 #2 #3 - three steps to a (r)evolution, 2004-2006, 9'26" ( título geral de uma vídeo-instalação que inclui o registo em slide-show duma performance que está no início do projecto, mas isso agora não importa ) compreende três filmagens de situações diferenciadas onde grupos de jovens (crianças hispânicas, dois grupos de estudantes) cantam "para a câmara" letras que contrariam ou subvertem o teor heróico dos temas musicais e hinos a que se associam. ("it's ok to not succeed, it's ok to fall down")
Posted at 02:19 in artistas, Exposições | Permalink | Comments (0) | TrackBack (0)
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Uma escolha para marcar a extensão e a abertura da colecção, que não segue só as pistas da moda. Renato Guttuso, Atelier e Paisagem, de 1960, óleo e colagem s. tela, 200 x 320 cm (A Tate possui uma também importante obra próxima, The Discussion - La discussione, de 1959-60, tempera, oil and mixed media on canvas, 220 x 248 cm, comprada em 1961 - a da Col. Berardo pertenceu a Valerio Zurlini)
© 2007 Copyright The Berardo Collection
Não é um dos meus pintores favoritos, mas a obra, e este quadro tb, são demasiado importantes para serem tão pouco conhecidos. Por razões várias, o seu particular realismo social foi pouco influente em Portugal (onde se chegou ao neo-realismo e saiu antes dos outros), mas teve uma muito forte presença nos debates europeus dos anos 50 e primeiros 60, em particular em Inglaterra, no âmbito de "The Battle for Realism", entre os pintores do grupo Kitchen Sink, pia de cozinha, e o lado "existencial" de Bacon e Freud (os que ganharam).
Em 2003, o Museu com o seu nome em Bagheria, onde nasceu, ao lado de Palermo, apresentou a retrospectiva Renato Guttuso, Dal Fronte Nuovo all'Autobiografia 1946-1966, que, se não contava com algumas das suas obras maiores, dispersas por vários países, foi acompanhada por um catálogo importante. O edifício (a Villa Cattolica), a exposição e o sol são memórias fortes da Sicília.
"Muitas vezes se quis simplificar ou reduzir a pintura, e separá-la do mundo. Este quadro, pelo contrário, acumula ambições e dificuldades, e a estas não as terá vencido todas, sem deixar de ser uma obra maior. Soma a vista do espaço interior (o estúdio do pintor em Roma) e o exterior urbano, é paisagem, natureza-morta, retrato e auto-retrato (Guttuso de perfil à esquerda e o seu assistente Rocco), associa a afirmação do realismo à modernidade pós-cubista e a reflexão sobre o ofício à necessidade da intervenção do artista no presente. Polariza muitos debates do século XX e é um bom exemplo duma colecção que não percorre apenas os caminhos mais em voga." (Expresso/Revista de 23-06-2007)
O quadro foi dispensado na montagem inaugural do Museu, que se organiza em sete núcleos temáticos-históricos, deixando para outra ocasião os realismos e as abstracções europeias do pós-guerra. É tb uma das memórias fortes da descoberta gradual da colecção, e em particular de qd Francisco Capelo me chamou para mostrar a fotografia do quadro de Guttuso (1911-1987).
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A Lisboa veio, pelo menos e em anos recentes, o Café Deutschland II, de 1978, e mais duas obras importantes, de 1990 e 91, reproduzidas no catálogo "Arte alemã do pós-guerra, A Colecção do Kunstmuseum de Bona", CCB 2000.
Na Colecção Berardo encontra-se Anbetung des Inhalts (talvez, Adoração do Conteúdo), 1985, 285 x 330 cm, que certamente só foi exposta na Casa das Mudas, Calheta, Madeira (em "Grande Escala", 2004) e onde as implicações políticas do pintor estão representadas por um retrato de Lenin. Immendorf
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28.05.2007 | "German art professor Immendorff dies
One of Germany's most prominent post-war artists Jörg Immendorff has died at his home in Duesseldorf at the age of 61. Immendorf had suffered for several years from an incurable neurological disease. Immendorf was a leftist art professor whose works in the 1970s included "Cafe Deutschland", a series condemning Germany's former division. In March he presented a portrait of former chancellor Gerhard Schröder.
© 2007 Deutsche Welle
Cafe Deutschland I, 1978, 280 x 320 cm
Museum Ludwig Koln
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a notícia:
http://www.nytimes.com/2007/04/09/arts/design/09lewitt.html?_r=1&oref=slogin
Uma viagem da arte minimal-conceptual até à "grande decoração".
"Wall Drawing No. 681 C / A wall divided vertically into four equal squares separated and bordered by black bands. Within each square, bands in one of four directions, ink washes superimposed." (Photo Phillip Charles - National Gallery Of Art)
Em 1994, vi em Paris, no Espace Renn, do realizador-produtor Claude Berri), "25 Years of Wall Drawings, 1969-1994" (RENN espace d’art contemporain)
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EXPRESSO/Actual de 04-02-2006
Não foi o primeiro a usar a imagem televisiva em instalações artísticas (o precedente é de Wolf Vostell), mas Nam-June Paik tornou-se a figura histórica da vídeo-arte desde que em 1963 apresentou televisores preparados com electro-ímanes, difundindo imagens distorcidas e parasitas. Nascido em Seul em 1932, morreu no domingo na sua casa de Miami.
Com formação musical em Tóquio, encontrou John Cage nos cursos de Darmstadt e integrou em 1961 o grupo neo-dadá Fluxus. Os «happenings» que iniciou em 1962 em Wiesbaden continuaram nos Estados Unidos com a cumplicidade da violoncelista Charlotte Moorman (foi um escândalo a invenção do «TV-Bra», um «soutien» feito de dois receptores).
Interessado por electromagnetismo, cibernética, transmissões por satélite e laser, Paik foi um investigador das relações entre arte e ciência, atribuindo-se-lhe a paternidade da expressão «auto-estradas electrónicas». À reflexão filosófica de raiz oriental e vocação provocadora juntou um forte sentido do humor e do espectáculo, que o levou a criar acumulações de televisores em forma de robot, grandes instalações como a que realizou para os Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, com uma torre de 1003 monitores, ou as mais recentes bandeiras americanas feitas de dezenas de ecrãs sincronizados. O seu sentido crítico face às tecnologias de ponta que utilizava e a paródia algo «kitsch» da civilização mediática estiveram presentes numa gigantesca instalação que a Culturgest apresentou em 1996.
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