Fazer 100 anos não é uma qualidade, e às vezes envelhece-se mal. É só um nº redondo, mas será este uma facilidade jornalística ou quer dizer alguma coisa em matemática? - segundo a wikipédia, O conceito de número redondo é mais lingüistico que matemático...).
Henri Cartier-Bresson era um velho tonto quando se meteu em guerras perdidas contra a modernização da Magnum, contra as cores e contra o Martin Parr e o Luc Delaye em particular.
Quando se pôs a expor (desde 1975) e depois a publicar em livro os seus desenhos do natural parecia não estar já com grande bom-senso (entretanto ia repegando na câmara para umas encomendas bem pagas, como a operação de Beirute), porque esses desenhos, demasiado esforçados, eram levados excessivamente a sério. O exercício fará bem a toda a gente e parece-me ser uma indispensável prática para a aprendizagem e a sobrevivência dos artistas visuais (voltar a olhar para fora, exercitar a mão, adequar a mão e o olhar, como o ponteiro do sismógrafo), mas HCB devia ter percebido que os seus esforços só tinham interesse privado. Talvez a culpa fosse do Jean Clair que prefaciou o álbum "Trait pour trait", ed. Arthaud, 1989.
E no entanto o seu auto-retrato de 1984 é comovente...
