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Etnologia

14 de agosto de 2007

Etnologia - o museu em falta

Por ocasião de mais outra visita à exposição Pinturas Cantadas

Costuma ir-se ao MNE ver exposições excelentes. Raras mas excelentes, e quase sempre com magníficas montagens, que são uma marca da casa desde os tempos de Benjamim Pereira. Nos últimos anos, de penúria e/ou de indigência generalizada na área do respectivo instituto, são cada vez mais raras, e por lá ficam  semestres, anos a fio. Aliás, são muito poucos os que costumam ir, embora ao sábado ou ao domingo haja quase sempre mais alguém na sala, duas, quatro pessoas (é muito público, é suficiente? - mas a promoção é nula). Vai-se talvez passando palavra sobre o interesse, os múltiplos interesses, das pinturas cantadas das mulheres indianas.

É difícil, porém,silenciar a estranheza face às condições de existência deste museu. Sobe-se à galeria superior para ver a exposição, passando pela galeria do piso térreo fechada há tempos infindos. Noutro lado  há uma apresentação/instalação de panos africanos que por lá estaciona há anos, como pretexto para actividades juvenis. É certo que as reservas com as colecções da Amazónia e do mundo rural português são agora visitáveis (com hora marcada e acompanhamento) e que a inovação é um marco na história muito lenta da casa.

Não existe, porém , uma montagem de longa duração, ou mesmo permanente, se a palavra não for tabu, que sumarie o riquíssimo património do museu e que justifique um fluxo constante de visitas escolares e não só. A questão é inoportuna, política e científicamente incorrecta, de certeza, porque este museu aponta para outras órbitas eruditas, outros modelos. Privilegiam-se provavelmente a convergência com a investigação universitária e as recolhas de campo; recusa-se possivelmente, a ideia de uma representação eurocêntrica de vestígios dos povos do mundo, fazendo da rejeição da ideia de museu a vanguarda da museologia. E é também o passado colonial, os vestígios do Império que se recalcam, por razões de boa consciência política.

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Pinturas cantadas

Etnol

Bin Laden - 11 de Setembro, de Hazra Chitrakar, pormenor de uma pintura narrativa e cantada

"Pinturas Cantadas - arte e performance das mulheres de Naya" (Estado de Bengala, Índia), no Museu de Etnologia, até final do ano - sem website (IPM) - mas atenção ao óptimo site da exposição original indicado abaixo (comentários).

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16 de julho de 2007

Etnologia 2003 - cestos de Angola

algumas exposições anteriores do MNE, a pretexto das "Cantigas Pintadas"

"A voz dos cestos"
A cestaria angolana das colecções do Museu de Etnologia é exposta pela primeira vez

Expresso/Actual de 30/08/2003

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Família luvale atravessando uma reserva de caça no Alto Zambeze, Angola, 1965.
Fotografia do etnólogo António Carreira

Das fabulosas reservas do Museu de Etnologia saíram agora os cestos angolanos; é «A Vez dos Cestos», diz o título da exposição, sublinhando que se toma também por objecto de reflexão o próprio ineditismo do tema. «Colecção invisível», como escreve no catálogo a autora da exposição, a antropóloga Sónia Silva, a cestaria de Angola constitui um acervo volumoso e significativo entre as colecções do Museu (embora errático, não sistemático), mas só muito raramente alguns exemplares figuraram em mostras dedicadas às artes e culturas africanas, permanecendo sempre «na sombra da escultura». Também no âmbito dos estudos etnográficos sobre Portugal, a cestaria nunca foi objecto de abordagem específica. A mostra não é, no entanto, apenas um mergulho nas reservas históricas do museu, nem se detém no inventário e classificação das suas espécies, mesmo se é com a imensa diversidade dos objectos de cestaria - peneiras e tampas, esteiras, armadilhas ou gaiolas, cintos e adornos, e cestos das mais inventivas e belas formas - que se constrói o espectáculo expositivo.

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Etnologia 2002 - arte africana

Expresso/ 06/04/2002 (2) (abaixo 1: exp. em NY)

"Espíritos de África"
Depois de uma digressão pela América, o acervo de arte africana regressa ao Museu de Etnologia

«NA PRESENÇA DOS ESPÍRITOS. ARTE AFRICANA DO MUSEU NACIONAL DE ETNOLOGIA»
(Museu Nacional de Etnologia, até final do ano)

O Museu de Etnologia não dispõe de montagens permanentes das suas colecções, mesmo depois de ter ampliado recentemente as instalações. Aliás, para muitos dos objectos que conserva não seriam recomendáveis situações de exposição prolongada. Cada uma das mostras temporárias em que as peças saem das reservas torna-se assim um acontecimento mais relevante, como uma cíclica redescoberta. É o que actualmente acontece com a mostra de obras de arte e artefactos rituais oriundos de África.

Sob o título «Na Presença dos Espíritos», apresenta-se uma selecção do seu acervo organizada pelo Museu de Arte Africana de Nova Iorque, no termo de uma larga digressão por instituições congéneres norte-americanas, que, em 2000-01, viajou também por Flint, no Michigan, Washington (Smithsonian Institution) e Birmingham, no Alabama.

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Etnologia 2001 - "Isumavut" Inuit

De visita ao arquivo, a propósito das Pinturas Cantadas das mulheres de Naya, Bengala, Índia, a arte das mulheres esquimós Inuit do Canadá.
Expresso de 22/9/2001

"Construir a tradição"
Gravuras e esculturas de nove mulheres artistas do Canadá

ISUMAVUT: A Expressão Artística de Nove Mulheres de Cape Dorset

(Museu de Etnologia, Até 16 de Dezembro)

ver: Isumavut: The Artistic Expression of Nine Cape Dorset Women - Isumavut

As paredes brancas lembram as superfícies geladas do círculo polar ao mesmo tempo que conferem ao espaço do museu a aparência habitual de uma galeria de arte. Uma exposição vinda do Canadá dá a conhecer exemplos do que hoje por vezes se designa como arte autóctone contemporânea, numa das suas numerosas variedades regionais. É para o Museu de Etnologia uma orientação algo diferente da sua actividade regular, na qual a dimensão estética dos objectos não é geralmente valorizada por si mesmo enquanto arte, já que aquela não se separa das funções utilitárias, rituais e simbólicas das peças expostas, tomadas como representação de uma cultura tradicional.

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Etnologia 1996 - panos de África

Expresso/Cartaz de 1996- 06-01
"Panos de África"

PANOS DE CABO VERDE E GUINÉ BISSAU
Museu Nacional de Etnologia

Discretamente inaugurada já em Abril, esta é uma das mais notáveis exposições que se apresentam em Lisboa, na plena tradição das realizações deste museu. Nascida de um projecto da sua Área de Educação, a mostra teve por intenção inicial o desenvolvimento de um trabalho com as escolas e nomeadamente o estabelecimento de pontes para um diálogo com as comunidades caboverdeanas e guineenses que vivem na área de Lisboa. Para além de assim se pôr em questão o papel de um museu de etnologia no quadro de uma possível política de integração das comunidades minoritárias, é também mais uma das colecções do Museu, a da tecelagem dos dois países africanos, que aqui se expõe e estuda, sempre através de uma rigorosa contextualização dos objectos.

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