EXPRESSO/Actual de 11-03-2006
Hayter e o Atelier 17 nos anos 30 parisienses
"Do sonho ao pesadelo"
"A Poética do Traço - Gravuras do Atelier 17, 1927-1940", na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (até 9 de Abril
Hayter não é um artista que arraste multidões, mas é uma referência obrigatória no universo da gravura e o seu nome encontra-se a cada passo quando se percorrem as biografias dos grandes criadores do século XX. Para além das suas contribuições para a história da gravura moderna, primeiro através da divulgação das técnicas de incisão directa em cobre, depois com o aperfeiçoamento de novos processos de impressão a cores, foram inúmeros os artistas que trabalharam nos seus vários estúdios, em Paris nos anos 30, em Nova Iorque, durante e depois da II Guerra, e de novo em Paris, a partir de 1950, todos eles designados pelo mesmo nome, Atelier 17.
A exposição dedicada a Stanley William Hayter (Londres, 1901 - Paris, 1988) concentra-se sobre o primeiro período parisiense, ilustrando um tempo marcado pela afirmação do surrealismo e o acumular das nuvens negras das crises que desembocam na Guerra de Espanha e na deflagração do conflito mundial. A par da sua própria obra gravada, representam-se em particular o trabalho de Arpad Szenes no Atelier 17 e, em conjunto, outros artistas que o frequentaram, como Picasso, Max Ernst, Masson, Tanguy, Hélion, Ubac, Vieira da Silva, etc.