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Expresso Revista de 15 out.94
FIAC, Paris
«As artes de vender»
OUTRAS feiras, como as de Basileia e Frankfurt, Colónia e Chicago, terão maior importância no terreno específico do mercado da arte ou em matéria de lançamento de novidades e orientações, mas a FIAC continua a beneficiar do valor simbólico que Paris lhe confere. Aqui, tal como sucede em Madrid, a feira é defendida como um acontecimento cultural, tanto ou mais do que como uma operação comercial. O número dos visitantes (150 mil previstos até domingo) é tido por quase tão significativo como o volume dos negócios (400 milhões de francos estimados em 1989, só 100 milhões em 1992, 150 milhões em 1993) e os ecos destas oscilações quantitativas, que são secretas noutras feiras, ultrapassam os sectores directamente implicados, proporcionando periódicas reflexões sobre o estado e o valor da arte.
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Expresso Revista de 12-10-96
FIAC, Paris
"Paris Sempre"
Em 1996, em Paris, a FIAC não foi só mais uma feira de arte e uma feira
não foi apenas um lugar de exibição e venda de objectos de arte. Era a
sobrevivência da FIAC que estava em causa. E, por extensão, também a
honra cultural de Paris e o prestígio da França.
Havia um clima de expectativa prudente a anteceder a edição que se
encerrou segunda-feira. Num país que se sente mergulhado num «período
de sinistrose» e onde a palavra mais repetida é «morosité», o mercado
da arte é um barómetro sensível, mesmo que as questões decisivas sejam
outras, mais vitais. Sob a promessa de uma FIAC «new look», jogava-se o
temor de um isolamento irreversível, quando noutras paragens já se
observam sinais de recuperação de um sector em crise há seis
temporadas. Por outro lado, arriscava-se a credibilidade do mercado
galerístico, depois do êxito da muito recente Bienal dos Antiquários,
no Carroussel du Louvre, que se abriu pela primeira vez à criação do
século XX. O desafio parece ter sido ganho. A FIAC não se mede com a
feira de Basel, mas mudou de pele e continua na primeira divisão.
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Uma rede informal de cumplicidades e dependências...
"O circuito internacional da arte contemporânea precisa de galerias que aceitem relações de subordinação face a outras galerias-pivot dos países dominantes e às instituições que fazem as modas, e que assim assegurem a distribuição de excedentes ou mesmo só a sobre-visibilidade de certos artistas que ocupam a frente do palco, em geral medíocres - é o que significa "el posicionamiento de las galerías en el mercado artístico internacional" (apontado como um dos critérios de avaliação das galerias candidatas): uma rede informal de cumplicidades e dependências. Não é difícil perceber como e com que artistas, ou face a que galerias de Londres e Nova Iorque, as que vão ao Arco compram a sua presença."
isto tinha escrito a 2 de Outubro de 2007 em "Menos Arco" (já com novos comentários, entretanto) quando se conheceu a lista das galerias admitidas e excluídas na edição de 2008
Existe uma distribuição de excedentes das galerias centrais para as periféricas, que compram a sua notoriedade com a subordinação às sedes. As feiras de 2ª linha como a Arco são uma instância de distribuição de excedentes e de construção de sobre-visibilidades mercantis: qualquer artista "internacional" (isto é, reconhecido pelos centros) que esteja em fase de "lançamento" ou "promoção" não se vê no Arco - vêem-se as sobras dos mercados centrais e alguns candidatos descentrados.
A 111 fez distribuiu uma "Carta Aberta" sobre a sua exclusão da Arco - que, aliás, ocorre pela 2" vez, e foi antes "resolvida" por ocasião da edição dedicada a Portugal. É um oportuno acto de coragem porque é sempre mais fácil ficar calado e estender a mão para entrar no próximo ano. Mas é difícil (ou impossível) estar dentro e fora do sistema das feiras - e é pouco provável que um propósito de independência, levado a cabo com êxito, seja tolerado. Quem é afastado é sempre quem faz uma carreira de sucesso sem aceitar as regras da dependência. Os medíocres obedientes têm vantagem.
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EXPRESSO Actual de 18-02-2005
"A mercadoria da festa"
Uma feira projectada como espectáculo cultural de massas
Desenho de Rui Carvalho (Porta 33, Funchal)
O que mais importa em Madrid são as exposições do Museu Thyssen sobre o movimento expressionista Die Brüke (1905-1913) e do Rainha Sofia sobre Alfred Stieglitz «e o seu círculo» (Nova Iorque, 1905-1930). São co-produções internacionais de máxima qualidade dedicadas a momentos localizados de renovação artística a que raramente se tem acesso fora dos museus alemães e norte-americanos. Há também «As Paixões» de Bill Viola na Caixa, que revisitam em lentíssimas imagens digitais com «dimensão mística e espiritual» a representação das emoções na pintura medieval e renascentista; é uma novidade muito consensual, mas menos interessante que os originais. E também que a passagem do academismo à arte moderna feita pelo valenciano Ignacio Pinazo (1849-1916), que se mostra na Fundação Mapfre, na continuidade de decisivas revisões da história por fora dos lugares comuns.
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Technorati Tags: Brunio Pacheco, Miroslav Tichy, Nuno Viegas, Rui Carvalho
Arte Lisboa (catálogo!? - continua a haver atrasos na informação a 3/11)
Bem a propósito - no rescaldo da FIAC -, André Rouillé, director e editorialista do site Paris-Art , vem repetir as diatribes contras as feiras de arte que, entre outras razões, me motivaram a ir acompanhando ao longo dos anos - apoiando e discutindo - as que por cá se realizam (ver textos na categoria "feiras", de 1988 a 2006):
"Uma feira de arte contemporânea é em primeiro lugar uma feira, isto é, um acontecimento comercial. E muito secundariamente um acontecimento artístico. Quem pode afirmar com seriedade que o mercado da arte estimula a arte? (...)"
"une foire d’art contemporain est d’abord une foire, c’est-à-dire un événement commercial. Et très secondairement un événement artistique.
Qui peut en effet sérieusement soutenir que le marché de l’art stimule l’art ? S’il stimule quelque chose, c’est le business et la spéculation sur les œuvres, ou plutôt sur une partie d’entre elles. Ce qui est bien différent de l’art, et à plus d’un titre opposé à l’art dans ses acceptions les plus larges et les plus dynamiques.
Il est évidemment légitime de faire du business avec l’art. Il l’est moins de confondre le marché de l’art avec l’art. Le marché de l’art se déploie en effet largement hors de l’art. Voire contre l’art et la création. La loi du marché ne coïncide pas avec les règles de l’art. Loin s’en faut.
Além de uma lapalissada (uma feira é uma feira - e pois é isso mesmo que deve ser ), é uma tese que precipita inúmeras incompreensões e manipulações. Por aí se insinuam oposições entre feiras e bienais, como se não estivessem todas (e os museus também, sempre em graus diferentes, certo), no mesmo business. Oposições entre circuitos mercantis e circuitos culturais, como se os objectos culturais (mais culturais?, ou mesmo puros?) não circulassem todos no mesmo único mercado - com diferentes sectores, círculos e níveis, é certo. Como se os críticos não estivessem no mercado da arte - no mercado das críticas, dos prefácios, dos press-releases, das curadorias, etc.
Como se não fosse o mercado a razão, a base da chamada autonomia (da independência estética-e-financeira face à academia e à encomenda institucional) adquirida no séc. XIX pelos pintores -- com todas as consequências dessa "autonomia" (da arte pela arte ao modernismo formalista e ao pósmodernismo não-importa-o-quê). Como se a crítica, desde Diderot, não surgisse a sinalizar e a distinguir a oferta livre que surge no mercado.
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A feira Arte Lisboa no Expresso em 2006, nas vésperas da edição de 2007. Seguir-se-á a reedição das notícias, reportagens e comentários sobre os anos anteriores.
1.
Arte do mercado
A edição de 2006 da feira Arte Lisboa é inaugurada na quarta-feira, a
desafiar a crise com a participação de mais galerias e com um programa
mais bem organizado
Expresso Actual de 04-11-2006
Nuno Viegas, «A Adoração do Homem-tinta» (Arte Periférica)
Quantos se aventuram a passar a porta de uma galeria ou, pior, a tocar
à campainha e a esperar que venham abrir? O tempo das exposições no
fundo de livrarias vai longe - acontecia nos anos 60/70, com a Diário
de Notícias, a Divulgação, Buchholz, 111, Quadrante e Opinião, mas então a
pequenez do mercado relegava os artistas para o amadorismo ou a
emigração. Não são muitos (talvez sejam agora menos) os que fazem o circuito
urbano das galerias, mesmo com inaugurações simultâneas. A feira
tornou-se uma ocasião ímpar para em escassos seis dias se ampliar o
número anual dos interessados ou curiosos, estabelecendo malhas que
cruzam públicos. Com um mercado
globalizado, mas sem perder as referências locais e nacionais
(elas continuam a ser determinantes em Londres ou Nova Iorque), as feiras
são também elos duma rede mundial, a que se acede com relações e
talento ou escoando excedentes das capitais. (revisto)
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"Campeonato mundial de feiras"
Expresso / Actual de 4 - 11 - 2006 (2)
Basileia, Miami e Londres estão agora no topo. Um mapa-mundo com mudanças rápidas e as viagens das galerias portuguesas
FIL/SANTOS ALMEIDA: A Arte Lisboa em 2005, uma feira regional com 42 galerias nacionais e 18 estrangeiras. Este ano com 45 e 19, respectivamente
O circuito das feiras tem uma hierarquia bem definida, com a de
Basileia e as suas 300 galerias, mais a filial de Miami, criada em
2002, no topo da pirâmide. A Frieze, em Londres, desde 2003, beneficia
da projecção dos «young artists» e alcançou rápida notoriedade nos
sectores mais mediatizados. As ligações portuguesas passam pela Galeria
Cristina Guerra, que participa na Miami-Basel desde a fundação e acedeu
em 2004 à «sede» suíça, enquanto a Gal. Filomena Soares está presente
na Frieze desde o começo.
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1
Arte Lisboa com nova dinâmica
Previstas 58 galerias num espaço alargado
EXPRESSO/Actual de 16-07-2005
A próxima feira Arte Lisboa, entre 24 e 28 de Novembro, na FIL, poderá corresponder ao início de um novo ciclo, depois de uma edição de 2004 marcada por deficiências de organização e de promoção, embora, também apesar da crise económica, os níveis de venda de muitos galeristas se tenham mantido satisfatórios. Sem alterar a fórmula empresarial e organizativa (que a distingue das feiras políticas altamente subsidiadas que são habituais em Espanha), a Arte Lisboa não contará com a designação de um país convidado, mas vai alargar o número das galerias (em princípio, de 51 para 58) e também o seu espaço, em cerca de mil metros quadrados.
Foram 75 as galerias que apresentaram a sua candidatura, incluindo 44 portuguesas, 16 espanholas, cinco alemãs e outras de diferentes países. Após a selecção feita pela respectiva comissão, a 5ª edição da feira deverá contar com a estreia de 15 galerias, seis portuguesas e nove estrangeiras. Em destaque estará a participação de duas importantes galerias brasileiras, já presentes na edição anterior, Celma Albuquerque, de Belo Horizonte, e Thomas Cohn, de São Paulo, bem como a vinda de uma russa, Stella Art Gallery, de Moscovo.
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1 - (Des)fazar a feira
África e Brasil são os pólos propostos para reanimar a Arte Lisboa
EXPRESSO/Actual 20-11-2004
Resistirá a feira de arte de Lisboa à incompetência da AIP-FIL? A sua direcção fecha-se sobre si mesma, não dialoga com as galerias nem com os parceiros da cidade e do sector, não sabe promover a Arte Lisboa como um acontecimento marcante do calendário artístico, beneficiando da grande visibilidade mediática e dos êxitos de público que têm tido algumas recentes iniciativas institucionais. Há razões para evitar cair sob a alçada dos «suspeitos do costume», mas não se vende arte da mesma maneira que se publicitam materiais de construção ou electrodomésticos.
A participação espanhola (12 galerias, num total de 51) dá-lhe uma aparência cosmopolita, mas a verdade é que os nomes sonantes do mercado já não regressam a Lisboa. Tal como desistiram as galerias de Praga, de Paris, da Bélgica ou da Alemanha, que vieram uma vez à experiência. Em 2000, o Brasil já foi país convidado - quem se lembra ainda? Mais do que as limitações do mercado interno, que são reais, é a ausência de imaginação e de iniciativa que tem condenado a feira da FIL ao marasmo.
Entretanto, numa edição em que as galerias estiveram à beira de boicotar a sua participação, a FIL ensaia o projecto de afirmar a Arte Lisboa como plataforma de contactos com a arte oriunda dos países africanos lusófonos e do Brasil, contando para isso com a experiência de António Pinto Ribeiro, ex-director da Culturgest.
Duas galerias de Moçambique (Muvart e AMF - Associação Moçambicana de Fotografia), quatro do Brasil (Laura Marsiaj, Mercedes Viegas, Thomas Cohn, Celma Albuquerque) e outras presenças africanas nas galerias Novo Século e Perve irão trazer um novo fôlego ao certame? Os colóquios anunciados para hoje e amanhã («Crítica de arte e mercado» e «Colecções e coleccionadores», sempre às 15h) e os filmes de arte que se exibem a partir das 17h darão uma nova dinâmica à feira? As expectativas são poucas, mas importa ir lá ver.
Atenção às iniciativas paralelas, que vêm confirmar, à revelia da FIL, o dinamismo do mercado de arte: o «Salon d’un Refusé» apresentado pela Galeria João Esteves de Oliveira (Rua Ivens, 38 - hoje, 11h-19h30; domingo e segunda, 15h-19h30) e os novos espaços inaugurados por Vítor Pinto da Fonseca.
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Technorati Tags: AMF, António Pinto Ribeiro, Arte Lisboa, FIL, Muvart
1 - A arte na feira
Mais uma edição da Arte Lisboa
Expresso/Actual de 15-11-2003
(Foto: FIL, 2002: o mercado resistiu ao pessimismo)
As galerias voltam à feira. Por cinco dias, os itinerários pela cidade e os que se dividem entre Lisboa e Porto (com raras excepções periféricas, a Braga, a Ponta Delgada) concentram-se no espaço único da FIL e o ritmo lento das individuais dá lugar à apresentação conjunta dos seus vários artistas. É uma síntese do país galerístico, um panorama selectivo das galerias mais destacadas e dos artistas mais afirmativos, uma oportunidade única para surpreender transferências de artistas, o aparecimento de novas galerias (em estreia, este ano, a Lisboa 20 e a Sala Maior, do Porto), de novos autores e de obras inéditas, reservadas para a ocasião.
A presença de 19 galerias estrangeiras (16 serão espanholas) acrescenta-lhe uma aparência cosmopolita. Não é a internacionalização da feira, porque o mercado interno não tem sustentado a presença das galerias de maior relevo que tentaram a viagem a Lisboa (nem os organizadores apostam em subverter a realidade do mercado com uma política artificiosa de prémios de comparência), mas um convívio peninsular, que se alarga de Madrid a Vigo, Sevilha, Cáceres, Oviedo, Santander, etc. De mais longe chegam este ano uma galeria italiana de Pescaro (Rizziero Arte), uma alemã de Stuttgart (Walter Bishoff) e outra de Berlim-Madrid (Vostell).
No total serão 48 pavilhões, mantendo-se as opções de restringir a admissão segundo critérios de qualidade mais ou menos inteligíveis e de assegurar uma quota visível para as candidaturas de fora.
Há um ano, já numa conjuntura de crise, a feira contrariou o pessimismo, e as vendas satisfizeram grande parte das galerias portuguesas e as espanholas com preços e gostos mais acessíveis. Falhou, contudo, o projecto de alargar o público (cerca de 15 mil visitantes) para fora do círculo dos frequentadores habituais de galerias, projectando a feira como um acontecimento no calendário cultural da cidade. As mesmas deficiências de promoção e informação antecedem a edição deste ano, sem que a FIL entenda que a gestão de uma feira de arte requer competências diferentes das dos outros certames. Importa ganhar novos públicos e romper o fechamento entre iniciados. A Arte Lisboa seria uma boa oportunidade.
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1 - Expresso/Cartaz de 19/10/2002
Arte Lisboa volta em Novembro
A feira internacional de arte reforça os critérios de selecção
A feira Arte Lisboa regressa em Novembro, com o mesmo modelo de admissão selectiva posto em prática com êxito na edição anterior. Decorrerá entre os dias 21 a 25, por iniciativa da FIL e da Associação Industrial Portuguesa (AIP), apoiada pela Câmara Municipal de Lisboa, com a presença anunciada de 48 galerias, 27 portuguesas e 21 estrangeiras. Haverá uma significativa redução de galerias espanholas, de 25 para 17, que resulta do maior rigor da selecção, travando-se, com a aplicação dos mesmos critérios de exigência usados para a participação nacional, uma «invasão espanhola» que não significava uma real internacionalização.
Não é o alargamento indiscriminado do número dos expositores que se pretende, mas a solidificação de uma feira qualificada que contribua para promover o mercado de arte nacional e possa contar com a participação das galerias portuguesas que já circulam nas feiras internacionais.
Entretanto, comparecem pela primeira vez uma galeria parisiense, a Patrice Trigano, e três da Bélgica: Alain Noirhonne, que anuncia obras de Peter Halley, Ross Bleckner, Jonathan Lasker, Donald Baeschler, Bryan Hunt e J. M. Sicilia; Cottem Gallery, também de Bruxelas, com Zhang Huan, Ray Charles, Shirin Neshat, Keith Haring, Robert Longo; e a Galerie Denise Van de Velde, de Aalst, com Panamarenko, Jupp Linsen e outros. Trigano trará Arman, Clavé, Hartung, Masson, Manolo Valdez, Júlio Pomar, etc.
Quanto às presenças portuguesas, a feira conta com todas as galerias de primeira linha (excepto a Cristina Guerra, ocupada com a deslocação à nova feira Art Basel Miami). Comparecem pela primeira vez a Gal. Fonseca Macedo, de Ponta Delgada, e a Artfit, de Lisboa, regressando as Luís Serpa e S. Francisco, enquanto a Canvas se funde com a João Graça. De Espanha, continuarão ausentes os nomes mais destacados, mas comparecem, entre outros, Alejandro Sales, de Barcelona, Visor, de Valência (fotografia), Maria Martin, de Madrid, Pepe Cobo e Rafael Ortiz, de Sevilha, e Senda, de Bilbau.
A AIP voltará este ano a comprar obras para a colecção de arte que iniciou em 2001, com uma verba algo superior a 50 mil euros, enquanto procura assegurar que outras instituições realizem também aquisições na feira. Por outro lado, foi posto em execução pela primeira vez um programa de convites a coleccionadores estrangeiros, assegurando contactos e visitas a outros espaços.
Anunciada com mais antecedência que a edição anterior, a qual decorreu com êxito de vendas mas de modo excessivamente discreto, somando apenas cerca de 15 mil visitantes, a Arte Lisboa, deverá também melhorar, este ano, o seu esforço de promoção e divulgação, de modo a tornar-se um acontecimento cultural com maior impacto público.
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1 - Expresso/Cartaz de 17/11/2001
Uma feira ibérica
Invasão espanhola na próxima edição da feira Arte Lisboa
Lisboa também vai ter a sua feira de arte internacional, ou melhor, ibérica, a exemplo do êxito madrileno da Arco. Inaugura na quinta-feira às 17 horas e decorrerá durante cinco dias, na FIL. Dotou-se de um novo nome, Arte Lisboa, a anteceder a designação Feira de Arte Contemporânea, que tinha uma imprópria leitura em inglês, e abandonou a numeração que a identificaria como a 6ª edição, mas a mudança principal é a invasão espanhola.
De seis galerias vindas do outro lado da fronteira, há um ano, passou-se a 28, que ultrapassam as presenças portuguesas (agora 26, em vez de 34), a que se somam uma galeria de Praga (Jiri Svestka, com escritórios em Berlim e Londres) e outra de Belo Horizonte, Circo Bonfim, repetente da edição anterior em que o Brasil foi país convidado. A Espanha não precisou de ser convidada, inundou o júri de admissão com candidaturas. Muitas delas não passaram nas malhas de novos critérios selectivos mais apertados, sem que se estabelecessem quotas por país, mas também ficaram pelo caminho galerias nacionais que tinham antes presença certa. Algumas protestaram.
Com nova organização, que já não é da responsabilidade da Associação de Galerias, a FIL e a comissão consultiva nomeada por esta optaram por travar o crescimento da feira (que só passou de 47 a 56 galerias, sem ocupar todo o pavilhão), para não dispersar em excesso a procura, e impuseram novos critérios de qualidade (de improvável mensuração, é certo), com que se espera vir a atrair de futuro outras galerias internacionais mais distantes. E conta-se que com as galerias espanholas venham também coleccionadores, alguns institucionais, tanto mais que a circulação de artistas portugueses para lá da fronteira já não é só uma miragem. Talvez esse figurino restritivo abra espaço à feira do Porto, que decorreu em Setembro com escassa projecção.
De Portugal vai estar presente toda a primeira divisão das galerias, incluindo a Módulo, que se tem reservado a outros destinos, mas os novos critérios travaram as participações de fora de Lisboa e Porto, com excepção da Mário Sequeira, de Braga. De Espanha, a distribuição é alargada (Barcelona, Valência, Sevilha, Cáceres, Vitória, Vigo, para além de Madrid) e em geral qualificada, mesmo se faltam (ainda?) os nomes contemporâneos e históricos de maior prestígio. Entretanto, neste ano de viragem da Arte Lisboa, aguarda-se que o mercado de arte não acompanhe a recessão de outras áreas.
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I . 04 - 11 - 2000, "Arte volta à FIL"
5 ª Feira de Arte Contemporânea
II - Expresso Cartaz de 25 Nov. 2000, pág 24-25
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1995* (96* Porto) 1997* 1999
novo local . o Parque das Nações
FIIC + FAC'99
32 galerias port.
1 - FAC-FIIC, FIL
Expresso Cartaz de 20-11-1999
De 30 a 40 MIL visitantes são esperados pelos responsáveis da Feira de Arte Contemporânea (FAC' 99), que decorrerá a partir de terça-feira, na FIL, integrada na Feira das Indústrias Culturais. A nova localização no Parque das Nações e a evolução positiva do mercado de arte poderão, assim, fazer duplicar a frequência registada na anterior edição, em 1997, que ultrapassou 20 mil entradas. A afluência às feiras de arte representa um alargamento significativo do público que contacta com as galerias, multiplicando por cerca dez o número dos que regularmente as frequentam ao longo do ano, em Lisboa ou Porto.
Serão 32 as galerias presentes, um total em que se incluem 14 de Lisboa, 11 do Porto, mais uma com espaços nas duas cidades (a 111), e outras instaladas na Costa da Caparica (Almadarte), Setúbal (Cogito), Funchal (Edicarte), Almoçageme (Gilde, vinda de Guimarães), Tibães/Braga (Gal. Mário Sequeira) e Aveiro (Santa Joana). Se a quase totalidade das galerias de primeiro plano estará na FAC (faltará a Módulo, devido à proximidade com a feira de Colónia), voltarão a não estar presentes galerias estrangeiras, tal como aconteceu nas duas edições anteriores em Lisboa, em 1995 e 97, enquanto a feira de 96, realizada no Porto, incluiu algumas galerias da Galiza.
Tal não significa, no entanto, que não vão estar representados numerosos artistas de outros países, especialmente de Espanha e Brasil. Por exemplo, a Galeria André Viana, do Porto, anuncia obras dos britânicos Anish Kapoor e Tony Cragg, bem como do brasileiro Artur Barrio; António Prates, de Lisboa, inclui Erro, Lindstrom, Luis Feito, Martin Barré, Klasen e Canogar; a Canvas, do Porto, apresentará os brasileiros Lygia Pappe, Efrain Almeida e Victor Arruda; a Dário Ramos conta com obras de Mompó, Millares, Saura e Chirino; Fernando Santos propõe Penk, Jorge Galindo, Carmen Calvo e Jaume Plensa; Mário Sequeira terá Baselitz, Clemente, Gehrard Richter, Richard Long e Andy Warhol – sem esgotar a lista que foi previamente comunicada.
Contando com um subsídio de oito mil contos do Instituto de Arte Contemporânea, metade dele investido no catálogo e na promoção, a FAC é, paradoxalmente, mais cara do que a Arco. A feira de Madrid é largamente sustentada por dinheiros públicos e, por outro lado, as galerias portuguesas têm sempre contado aí com fortes subsídios.
Entretanto, António Bacalhau, director da Galeria Palmira Suso e presidente da Associação Portuguesa de Galerias de Arte, salienta que a feira terá um carácter selectivo sem deixar de apresentar uma oferta artística plural e de grande diversidade. Por outro lado, refere o aparecimento crescente do que chama um «mercado de necessidade», aberto a mais largos estractos sociais, para além dos que são motivados pelo prestígio ou pelo investimento, a revelar que o gosto pela arte e o hábito de a comprar se têm vindo a democratizar. (Dias 23 a 28)
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«No mercado da arte»
EXPRESSO/Cartaz de 08-11-1997 (Actual, pág. 6)
A Feira de Arte Contemporânea na FIL: o retrato fiel de um universo em mudança
Em Espanha, a feira de galerias (Arco) é precedida e acompanhada por uma mobilização geral da imprensa, que se multiplica em suplementos, inquéritos e reportagens diárias, fazendo do estado da arte uma bandeira da afirmação nacional e da centralidade madrilena. Anuncia-se a feira a tempo e horas, divulga-se o programa, promove-se o acontecimento. Por cá, estas coisas emergem sempre de uma envergonhada clandestinidade, como se fosse todos os anos a primeira vez, desbaratando energias e afastando o público. Todos os esforços prévios para dispor de informação sobre a Feira de Arte Contemporânea (FAC) esbarraram com a ausência de resposta adequada.
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Há dez anos, e dez anos depois da 1ª feira
ver tb a 24 - 12 - 1996 - Marca Madeira em 1997, cx Actual
1 - Marca atlântica
Um festival de arte contemporânea no Funchal, de 21 a 27 de Agosto
Expresso/Cartaz 15-8-97 (pág. 11)
Dez anos depois da primeira edição volta a realizar-se a Marca-Madeira,
um festival de arte que decorrerá no Funchal a partir da próxima
quinta-feira, dia 21. Francisco Faria Paulino (regressado da Comissão
das Descobrimentos às actividades artísticas) é mais uma vez o promotor
da iniciativa, que em 1987 constituiu um momento decisivo da tomada de
consciência de uma nova conjuntura nacional no terreno das artes
plásticas.
À Marca de 1987 ficou ligado o início da actividade associativa das
galerias de arte e o arranque das primeiras feiras de arte que se
organizaram em Lisboa, no Forum Picoas, logo nos anos seguintes.
A
realização de um leilão de obras de arte em directo pela televisão
assegurou então uma larga projecção público ao evento, ao mesmo tempo
que um congresso efectuado no Funchal proporcionou uma positiva
aproximação e o confronto de posições entre os diversos agentes
implicados nas áreas da crítica, da museologia, do mercado e do ensino.
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1995 - 1º Forum Atlântico de Arte Contemporânea, Santiago de Compostela
1996 - 2ª FAC (FAC'96) + 2º Forum - Exponor, Matosinhos
1 - A Norte
Expresso Revista de 7-12-96
Matosinhos, Exponorte, 2ª Feira de Arte Contemporânea (FAC'96)
em simultâneo com o 2º Forum Atlântico (Forum'96)
Chama-se «Galicia Arte Contemporánea» e é um «guia de exposicións» da Asociación Profesional de Galerías de Arte de Galicia, patrocinado pela Xunta. Ao abrir o desdobrável, encontram-se os mapas e programas das galerias de Ferrol, Ourense, Porto, Vigo, A Coruña, Santiago e Lugo. O grafismo é sóbrio e competente (ao contrário do «dépliant» que promove a «Lisboarte Contemporânea»). Com mais atenção, nota-se que em todas as cidades espanholas o número de salas institucionais iguala ou excede o das galerias comerciais — até ao extremo de Santiago, com cinco e três referências, respectivamente — enquanto o Porto conta com 12 galerias e uma única instituição (Serralves).
Pode servir este «caso» para alertar alguns lisboetas de que a regionalização está no terreno e que as especulações sobre o centralismo de Bruxelas são apenas uma conversa alimentícia de publicistas da capital. O País já mudou.
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As primeiras feiras:
1987 - Marca-Madeira, Funchal
1988 - Forum de Arte Contemporânea, Forum Picoas
1988 - 1ª Feira Internacional das Indústrias da Cultura - FIL (AIP/SEC)
1989 - Forum de Arte Contemporânea, Forum Picoas
1995 - FIIC (AIP) e Feira de Arte Contemporânea (APGA) - FIL
26 galerias:111, Luis Serpa (+ Museu Temporário), Alda Cortez, Graça Fonseca, Valentim de Carvalho, Monumental, Palmira Suzo e Arte Periférica,
1991, Míron-Trema, Ygrego, São Bento, Altamira, Barata, Artela, Ara e Arte em Voga
Gal. de Colares e Almadarte
Pedro Oliveira, Quadrado Azul, Símbolo, Fernando Santos, Dário Ramos, or Amor à Arte, Afinsa-Trindade.
Gilde (Guimarãres) e Mário Sequeira (Braga)
Centro Cultural S. Lourenço
1 - Expresso Cartaz de 27-05.95
Os universos da cultura, no mais amplo dos sentidos da palavra cultura, vão estar presentes em Novembro, na FIL, numa Feira Internacional das Indústrias da Cultura, actualmente em preparação acelerada. Em simultâneo deverá decorrer uma feira de galerias de arte, retomando um processo iniciado nos dois «Forum de Arte Contemporânea» que se realizaram em 1988 e 1989, com êxito de público e de mercado, no Forum Picoas.
A FIIC está a ser preparada com o apoio de uma comissão promotora que acolhe personalidades oriundas de múltiplos sectores da cultura, da comunicação, da ciência, da moda e sectores afins, traduzindo um propósito de cooperação entre sectores institucionais e económicos, de acordo com o modelo alargado que a Associação Industrial Portuguesa quer imprimir à sua iniciativa.
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ARQUIVO
"O retornos dos equívocos", Expresso Revista de 24 Dez. 1988, pág. 53
"Acontecimento" / com uma reportagem de Nuno Ferreira, "Feira, festa ou fiasco", pág 52-54
Fotografias de Luís Ramos
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