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    José M. Rodrigues

    01/05/2009

    Encontros de Coimbra 1996 (I)

    Arquivo * EXPRESSO Revista 16-11-96

    "Enfim, nós"
    16ºs Encontros de Coimbra

    Em Coimbra, este ano, o mais importante são os fotógrafos portugueses. Witkin, convidado a exorcizar a nova galeria das Celas da Inquisição <ver texto seguinte>, regressou com os seus condenados, que nada perderam, por já não serem novidade, da sua perturbante humanidade redimida. Ghirri, o paisagista italiano que usa a cor para comentar poeticamente o real, terno e irónico, erudito e próximo, é homenageado com uma antologia. Pierre Verger é outro autor com justo destaque, mesmo se a sua obra de viajante fotógrafo e etnólogo se conhece melhor em livro do que em provas expostas. Todos eles são trunfos dos 16ºs Encontros, mas não sobrelevam o que nesta edição mais interessa: a confirmação da qualidade, da energia, da originalidade do trabalho de alguns fotógrafos portugueses. Também o programa dedicado à fotografia de África e africana é, sem dúvida, uma revelação que fica a marcar o ano e, espera-se, a abrir um polo de trabalho com futuro (o tema é demasiado vasto para ser incluído num balanço único). Mas as rotas da África ao Oriente são igualmente destino dos fotógrafos nacionais. Em Coimbra, eles não «ganham» só por jogar em casa.  

    O que se impõe nestes Encontros são as obras de Paulo Nozolino e José Manuel Rodrigues, de Mariano Piçarra e António Júlio Duarte, a provar (com outras presenças possíveis) um momento excepcional da fotografia portuguesa, colectivamente considerada, e, em particular, a solidez dos percursos individualmente trilhados. Os Encontros sempre mobilizaram, desde o primeiro ano, autores nacionais, mas é esta a primeira vez que a feira de importações dá lugar ao diálogo em igualdade de condições, perfilando-se como um lugar de trocas. O momento seria propício ao lançamento de um projecto que fizesse o ponto dessa actual situação afirmativa, na sucessão de gerações que tem por patriarca, no activo, Gérard Castello Lopes, continua com Jorge Guerra e segue até algumas jovens obras que prometem.

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    09/29/2008

    O catálogo exemplar

    Não é este o José M. Rodrigues que eu prefiro*, mas é preciso ir fazendo experiências para chegar a qualquer lado.  Ele chegou, ao Alentejo, a Cabo Verde, a muitos lugares. A "Antologia Experimental" é uma excepcional exposição e o catálogo é igualmente notável, na qualidade de produção gráfica (impressão Mais Verniz), no design (Albuquerque Designers - também para mim desconhecidos) e na concepção editorial (o comissário Rui Oliveira com a colaboração do artista). Publicação da Fundação Eugénio de Almeida, com coordenação geral de Maria de Céu Ramos.


    A capa:
     Jmrcapa
    A contracapa:
    Jmrcapa2
    um plano interior:
    Jmr2
    (88 - Livros queimados, 1987 / 5 livros sujeitos a combustão)

    duas fotografias noutra página:
    Jmr3
    64 - S. Matias, Évora, 1996 e 65 - S. Matias, Évora, 1997; provas digitais, p/b, 23 x 30 cm.

    Existe em 500 exemplares, o que quer dizer que será um dia uma raridade.
    (Ainda não li todo o texto do comissário, que tem a mesma inteligência posta em prática no comissariado e no projecto museográfico)

    O retrato de cabeça para baixo e o título na contracapa não são acidentes nem jogos gratuitos. As primeiras 67 páginas são uma sequência ininterrupta de imagens sem legendas nem cronologia e com variadíssimas soluções de montagem: páginas desbobráveis, páginas com frente e verso, imagens isoladas, duplas, etc. Depois o texto (ilustrado) e a informação biográfica, no fim as legendas exaustivas com todas as imagens em pequeno formato; e ainda a tradução para inglês. Eficaz, sem luxos cartonados, sem nenhum excesso de design, perfeito. Uma lição, ou várias lições, em Évora.

    A exposição continua até 31 de Outubro no Palácio da Inquisição (o catálogo ainda diz 31 de Agosto, mas desta vez havia razões e público para continuar). É a melhor exposição nacional do ano.

    #
    * De facto, estão lá os vários J.M.R. (as várias direcções do seu trabalho) e o que varia é o respectivo doseamento (menos "documental" ou mais "abstracto"), há uma magnífica vídeo instalação (ou várias) e a pista das esculturas fotográficas não pode ser desvalorizada. O comentário acima tem de ser relativizado - tudo em Évora é de primeira escolha! (1 Out.)

    08/17/2008

    José M. Rodrigues VI

    o retrato (Self-control / Auto-domínio, 1983)

    Untitled-1

    as gavetas da memória, álbum de retratos (... )

    ConfrontaÁ„o

    a homenagem (a máquina de escrever  Lettera 22 de Ernesto de Sousa)

      Leterre 22


    Há várias antologias possíveis da obra de José M. Rodrigues. Esta antologia concebida por Rui Oliveira e que se mostra em Évora investigou e reuniu uma direcção experimental em que a construção de objectos fotográficos ou relacionados com a fotografia e com o cinema assume uma especial importância - poderá chamar-se-lhes foto-esculturas. São objectos raros, únicos, que não se constituem como um género ou uma linha de produção, de múltiplos ou variantes (em muitos casos, feitas as "experiências", o experimentalismo estabelece-se como um estilo).  Esses objectos atravessam fronteiras entre disciplinas para interrogar e pôr à prova a natureza da fotografia e as suas condições de visibilidade ou de eficácia. O happening e a performance (através dos seus registos fotográficos, dos seus restos), a instalação (a construção de ambientes, para além da exploração das possibilidades de montagem das obras, o que é outra coisa, embora próxima), e ainda o cinema ou vídeo são outras direcções muito presentes nesta exposição.
    Outras antologias poderiam isolar o trabalho documental, tanto de carácter topográfico (a paisagem) como antropológico (em especial, os levantamentos levados a cabo no Alentejo, e em Cabo Verde), sem esquecer a fotografia de arquitectura; ou, pelo contrário, incidir na abstracção fotográfica, que é sempre  menos formalista do que simbólica (os elementos, a natureza viva, plantas e corpos, o tempo). Ou ainda isolar como tema a intimidade pessoal, uma vida fotografada, ultrapassando a divisão entre auto-retratos e retratos.
    Poucas obras fotográficas são tão extensas e tão variadas, e tão competentes nos vários géneros em que se podem catalogar - sem incluir, porém, a fotografia de acontecimentos, a reportagem, o documentário social mais imediato ou directo. E poucas obras expõem tão claramente a contiguidade que pode existir entre géneros e entre práticas; entre fotografias do real e do imaginário; entre observação e encenação.

    A dimensão experimental pode ser uma evocação ou assimilação das vanguardas históricas (a homenagem a Man Ray, por exemplo),  enquanto ruptura com produções conformistas. Não é, no entanto, e felizmente, o neovanguardismo como paródia triste de a reapropriação de uma retórica política (dita vanguardista) que em geral recobre práticas ensimesmadas numa sequência do formalismo mais exangue em versão conceptualmente auto-referencial (a arte sobre a definição do reducionismo estético). O princípio abstracto da indistinção entre a arte e da vida - que é tantas vezes uma petição de princípio vanguardista, ou uma legitimação de objectos indiferentes - é aqui substituído por uma real dimensão autobiográfica: os retratos das mulheres, dos filhos, etc. E em especial por uma dimensão performativa que inclui a acção colectiva, a encenação e a precaridade ou desaparição dos objectos produzidos.

    Entretanto, se de uma experiência se esperam resultados que comprovem ou impugnem uma hipótese, experimenta-se para chegar a algum lado, do experimentalismo de JMR resulta não a repetição de atitudes  e de ensaios, mas o encontrar de formas próprias e diferentes de fotografar a natureza, as coisas e as pessoas. As suas fotografias "convencionais" (planas e singulares) são também experimentais.


    08/09/2008

    José M. Rodrigues V

    Lá para baixo fica o mapa da exposição com as suas oito salas, corredores e acessos, que constituem um itinerário experimental - uma experiência rara de exploração de uma obra e de um espaço - criado para uma antologia expressamente dedicada ao carácter "experimentalista" da obra do JMR.
    Divergindo de variadas maneiras da fotografia canónica (a superfície impressa), essa é uma direcção mais presente num período particular do seu trabalho (anos 1982-86), em objectos fotográficos e nas performances, mas tem antecedentes  em anteriores trabalhos (desde 1972 - fotografias encenadas e "acções", impressões "irregulares" ) e foi reanimada recentemente em novos objectos, em instalações fotográficas e em remontagens de trabalhos anteriores.

    Solo
    "Solo a Solo" (0.9). Retratos sobre o chão (diferentes chãos). A "verdade" do rosto, a intimidade do retratado, a cumplicidade do modelo, o fotógrafo como predador. As normas do retrato postas à prova - a passagem à cor e à impressão digital finalmente conquistadas.

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    08/07/2008

    José M. Rodrigues IV

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    de http://aervilhacorderosa.com

    Rio

    Lucefece, 2007. 67'

    É o nome de um afluente do Guadiana, entre o Redondo e Alandroal.  E uma projecção  onde o olhar é arrastado  pelas águas  que fluem ora para lá ora para cá,  com uma pequena e variável ondulação, batida pela luz. Um filme fotográfico e a  fotografia em estado líquido, água de prata, ou a vida.

    Um das obras de "cinema de exposição" mais cativantes, e somos nós espectadores que somos directamente cativados, captados, capturados pelo dispositivo fotográfico.

    É outra das mais fascinantes salas da Antologia Experimental do José M. Rodrigues  em Évora.

    (Lucifece Lucefecit Lúcifer Pode ser o que leva a luz', a estrela da manhã. A versão Lucefece tb sugere fazer (a) luz, mas a história pode ser longa  http://www.celtiberia.net/articulo.asp?id=2989 )

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    José M. Rodrigues III

    Um objecto fotográfico
    Corte
    (?) Corte, 2008
    Tribunal 

    e uma instalação na Sala do Tribunal (os tubos de luz expoem tiras de auto-retratos - se a observação não foi demasiado rápida...). São marcas deixadas na terra, um dos quatro elementos que a obra de JMR persegue - há também uma mala de viagem com retratos e diferentes terras; e há corpos e rostos fotografados sobre a terra, ou relva. O fogo e a água estão tb muito presentes, e já vimos o ar na fotografia animada Ao Vento 1982.

    Em cima. O objecto real e o objecto fotográfico, a fotografia. O objecto e a sua presença fotográfica.  O objecto ele mesmo e a sua marca (empreinte, impressão) e réplica, exacta e com a mesma exacta dimensão; mais do que uma representação ou imagem (substituição, sucedâneo, engano - platónico), uma presença concorrente. Positivo e negativo. O objecto (árvore) desrealizado, como metáfora do tempo, e a realidade tangível da imagem. Duas materialidades perfeitas em si mesmo, de uma visualidade intensonde o olhar se demora, tácteis.

    Se com as experiências de aprende, e esta é uma antologia experimental, aqui também se ensina a ver, ao longo de um percurso inesgotável.
    Em Évora (a árvore, a terra)

    08/05/2008

    José M. Rodrigues em Évora II

    Palácio da Inquisição, a primeira sala que se vê ( 02- "Corpo e alma")
    021

    é uma aproximação à obra do JMR centrada no retrato (no auto-retrato, no corpo), com trabalhos que vêm de 1981 até ao presente: as duas pequenas versões vintage, com olhos fechados e abertos, da rapariga com a concha fotografada no claustro do Museu de Évora J83 (Évora 1981, capa de "A Viagem", de 1983, e chamavam-se então "O Sonho Marítimo"), onde se instabilizam as orientações espaciais, tornando mais misteriosa a presença da figura, como uma revelação em que se alteram todas as imagens canónicas de Venus; o casal nu embrulhado nos seus invólucros separados, de Amsterdão 1983, à direita, passando do retrato à encenação performativa, e aqui da vida à morte, ou ao sono, numa prova agora de grande formato. À esquerda um dos retratos a cores, invertidos e digitais da série "Solo", 2005.

    Numa obra em que o auto-retrato tem uma presença muito insistente (como espelho narcísico e como interrogação do acto fotográfico), o retrato do outro, igualmente importante, é sempre uma procura da maior intimidade possível, por todos os meios possíveis.

    Olhos

    017
    Noutra sala, um objecto fotográfico dotado de movimento (o olho giratório, o relógio) e algumas fotografias recicladas ou reapresentadas em novas condições de visibilidade, e com novos sentidos. Trabalhos originais, alguns agora redescobertos, e novas impressões, novos formatos, montageJamestns em sequências e com diferentes instalações
    À esquerda, Ao Vento, de 1982 (fotografia-objecto original, numa caixa com ventoinha; experiência da literalidade da representação e/ou de recusa da imagem fixa); depois,  a série das bolas que saltam, Amsterdão 1982, numa montagem inédita em sequência, e à direita uma grande composição que agrupa imagens de plantas (paredes ou texturas vegetais) dando uma nova eficácia a  paisagens "abstractas", algumas já vistas e outras inéditas.

    Reciclar imagens, sujeitá-las a novas disposições ou sequenciações é uma das estratégias desta antologia - e, aliás, já presente em menor grau em diversas exposições anteriores. Por vezes como resposta ao espaço de apresentação e como experiência das imagens no espaço, no prolongamento da atitude experimental do autor. A começar pela grande ampliação aumentada de uma imagem já vista em formatos e orientações diferentes - um beijo de Narciso intitulado Garvão 1996 na antologia da Culturgest, nº 50, impresso ao baixo; sem título e ao alto no cat. de S. João da Madeira 1997 - que agora se vê logo no átrio de entrada por trás de uma porta de vidro, que foi uma solução de recurso e também de grande efeito visual.


    08/04/2008

    A Évora: José M. Rodrigues

    Atrasei-me demasiado - desde 6 de Junho! - a ir ver a exposição "Antologia Experimental" do José Manuel Rodrigues no Palácio da Inquisição em Évora. Comissariada por Rui Oliveira e apresentada pela Fundação Eugénio de Almeida.
    Evora Nokia

    Agora, apesar do calor (mas lá dentro não há calor), tenho de voltar e também de esperar que o encerramento anunciado para 31 de Agosto se atrase um mês.
    O catálogo ainda não saiu (mais 8, 10 dias), a informação*  sobre a exposição circulou pouco e esta exposição não se vê com pressas: não é tudo igual ou repetido e não há imagens indiferentes.

    E engana-se quem disser que já viu, já conhece. As condições de montagem (também e/ou em especial graças ao Rui Oliveira) são magníficas e criam novas pistas de entendimento para uma das mais importantes obras que por cá se fazem, de fotografia e não só (que se fez também pela Holanda, antes e depois do regresso a Évora, em 1993). Ao associar obras antigas e actuais, ou ao restabelecer, nalguns casos, as originais condições de apresentação (anos 70/80) e, noutros, ao inventar diferentes condições de instalação (ou de reeedição) dos originais, as surpresas são muitas e tb a necessidade de entender doutro modo o que se viu antes noutras apresentações. Reeditar, reciclar, transformar são operações que a fotografia torna possível e que aqui ganham uma plena justificação.

    Há antigas obras que se julgavam perdidas (esculturas fotográficas e um filme dedicado a Ernesto de Sousa - que conheceu nos 3ºs Encontros de Coimbra em 1983 e foi, além de uma referência vanguardista para o Zé, seu patrono enquanto bolseiro). E há tb obras inéditas, em especial o filme Lucefere, de 2007.

    Ze2
     

    Ze1 

    Ze3
    três fotos furtivas e péssimas só para se ver que a instalação das fotografias e a construção de objectos e esculturas fotográficas é sempre uma surpresa
    aqui há melhores imagens: http://aervilhacorderosa.com/blog/2008/08/fotosensivel.html

    (Dá para perceber que esta exposição não tem nada a ver com as chatices oficiais e académicas que dominam as instituições artísticas de Lisboa, e que foram construindo o justo desinteresse dos visitantes, transformando-o em não público. Aqui vale a pena arriscar entrar, e pagar os dois € do bilhete (os folhetos referem 1 €, mas...).

    TODOS OS DIAS DAS 9H30 ÀS 18H30
    http://fundacaoeugeniodealmeida.pt/agenda_detail.asp?ID=24

    #

    Também está em Évora, na anterior galeria da Fundação, outra exposição de um grande artista: Léger. São 78 desenhos, guaches e gravura, mas desta vez não vi. A urgência era outra.

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    05/28/2008

    6 de Junho

    A seguir, em ÉvoraAF_convite_email_12

    05/01/2008

    José M. Rodrigues 1999

    Expresso Revista de 06-02-99

    "A alegria e o mistério"
    Retrospectiva dos 25 anos de trabalho de um fotógrafo dividido entre a Holanda e o Alentejo. Um mestre em plena actividade

    JOSÉ MANUEL RODRIGUES
    Culturgest/CGD (Até 21 de Março)

    SÃO 25 anos de trajecto que a exposição mostra («carreira é mais para transportes públicos», diz o fotógrafo), na condição paradoxal de ser ao mesmo tempo a retrospectiva de uma obra muito extensa e também uma revelação, pelo menos para o público de Lisboa. Aquela longa continuidade de trabalho somada a uma prática actual em plena pujança criativa é muito pouco frequente na fotografia portuguesa. Associando a extensão à variedade dos caminhos e à excelência com que os percorre, José Manuel Rodrigues impõe-se hoje como um mestre; o termo deixou de ter uso fácil, mas já pode ser recuperado para classificar a individualidade exemplar de um percurso criativo onde a multiplicidade dos temas e das práticas se instituiu numa identidade profunda, que sobre a diferença das coisas vistas se revela ou oferece como um sujeito autoral.

    A essa posição de mestre reconhece-se uma iluminação própria do mundo («não tenho só fotografado a luz reflectida, também tenho fotografado a minha própria luz», escreveu o artista) e um relacionamento muito fundo com toda uma genealogia de mestres anteriores, o que é igualmente raríssimo na fotografia portuguesa, quase sempre mais feita de breves lampejos do que de cultura fotográfica.

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    José M. Rodrigues (+Scully e V. Frois) 1997

    Expresso Cartaz 18 Out 1997 pp. 20-21

    "A pele, o corpo, a terra"
    Três exposições, de pintura, escultura e fotografia, aproximáveis pela intensidade da emoção com que interrogam a vida e o mundo

    Sean Scully, Culturgest/CGD
    Virgínia Fróis, Novo Século
    José M. Rodrigues, Centro Cultural de S. João da Madeira

    A coincidência temporal das inaugurações não justificaria por si só a junção das exposições numa notícia única, tratando-se, para mais, de diferentes disciplinas (pintura, escultura e fotografia) e de artistas com muito diversos níveis de notoriedade — nos casos extremos, um pintor de forte circulação internacional, como Sean Scully, e uma escultora que faz a sua primeira exposição em Lisboa, como Virgína Fróis. No entanto, a possibilidade da aproximação entre as três obras pode reconhecer-se nos modos como todas elas convocam e motivam a emoção do espectador, na sua comum condição de representações de uma sensação do mundo (variável de artista para artista, tal como todas as personalidades individuais se distinguem) e, ainda, na inicial afirmação da materialidade física, e mesmo orgânica, dessa sua existência no mundo.
    A intensidade da presença visual das três obras separa-as imediatamente dos objectos que se defendem como investigação auto-referencial sobre os processos de produção da obra de arte. Uma mesma rejeição do formalismo esteticista ou conceptualizante se reconhece tanto na «abstracção habitada» de Scully, onde «a utilização da pintura espessa torna manifesta uma materialidade que tem a ver com a ideia de pele e de carne (...) e é um meio para dar sensualidade, sexualidade mesmo, às obras de pintura» (como o próprio refere), como no erotismo dos diálogos entre as paisagens e os corpos que José M. Rodrigues fotografa.

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    José M. Rodrigues 1996 Évora

    Expresso Revista 12-01-1996, pp. 75-78

    "Domínio privado" 


    Numa exposição que se apresenta no Museu de Évora, o trabalho de José Manuel Rodrigues, por muito tempo realizado na Holanda, ganha uma nova e mais exacta visibilidade. É da própria vida, dos seus afectos e acontecimentos privados, que o fotógrafo faz a sua obra

    José M. Rodrigues - "Memórias do tempo"
    Museu de Évora, 5 Jan. - 11 Fev. '96
    (Centre Culturel Calouste Gulbenkian, Paris, 16 nov. - 20 déc. '95)
    texto de Tersa Siza ("O pulsar das coisas")

    Jparis


    Ao interrogar-se sobre qual o tema (ou temas) de um determinado auto-retrato de Lee Friedlander, onde a sua sombra se projecta sobre um chão de pedras e raízes, John Szarkowski chega apenas à precária conclusão de estar perante um todo indivísível, ou uma ideia simples que não é a mistura de diversos elementos separados. E termina assim: «chamemos-lhe uma fotografia, um exemplo desse tipo de imagens que tentam dar a ilusão de uma significação precisa».
    Não se trata, nessa suspensão da análise, de uma fuga às dificuldades da interpretação da fotografia, mas apenas de saber que sentido e verdade não podem ser assimilados. Quer reconheçamos numa «prova» a exacta aparência referencial quer uma imagem aparentemente abstracta — por exemplo, o rosto de um desconhecido ou algum fragmento que foi isolado do seu contexto e assim tornado irreconhecível —, a significação oferece-se como ilusão e como tal se nega. Se não sabemos quem é o retratado, nem quais os laços que o ligam ao fotógrafo, um corpo é apenas um material indicial, tão directo mas também tão in-significante como as sombras de uma «abstracção».

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    04/30/2008

    José M. Rodrigues 1994

    Expresso/Cartaz de 26.11.1994, pág. 17

    "À superfície das coisas"

    JOSÉ M. RODRIGUES
    Gal. Municipal, Convento de S. João de Deus, Montemor-o-Novo
    desdobrável: texto de Luís Carmelo ("Viagem à irrealidade mais próxima"), 2 rep., bio., citação de Paul Strand: "penso em mim, fundamentalm., como um explorador que passou a vida numa longa viagem de descoberta"

    J93

    capa do cat./desd. (6 pp.)

    José Manuel Rodrigues nunca fez uma exposição em Lisboa e nenhum livro divulga a sua obra. No entanto, é um dos fotógrafos da linha da frente, um dos quatro que António Sena qualificava há anos como os «consagrados» em actividade. Como se volta agora a constatar, por méritos da descentralização, sem que a palavra consagrado tenha entre nós uma eficácia decisiva.
    Em 1993, em Coimbra, numa pequena exposição realizada num bar, sem catálogo, os Encontros proporcionavam um primeiro reencontro, ou a descoberta, para outros, de algumas imagens antes dispersas pelo Fotoporto de 88, pela selecção da Europália de 91 (Antuérpia) e pela retrospectiva histórica da Ether de 92, «Olho por Olho», para além das suas exposições na Holanda, onde viveu desde os anos 70 — um percurso sempre pouco visto, portanto.

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    José M. Rodrigues 1993 Coimbra

    Expresso Revista de 20 Nov. 1003, pág. 64 R

    Jexp

    tx ampliado abaixo

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    José M. Rodrigues - índice

    J83

    a 1ª monografia, Amsterdão 1983

    escritos

    1993, "A matéria do lugar", Expresso/Revista, 20 Nov. 93, pág. 64R (13ºs Encontros de Coimbra, "As Minas de São Domingos", ind. no Bar Galeria Santa Clara, cat. colec.) rep.

    1994, "À superfície das coisas", Expresso/Cartaz, 26 Nov. 94, pág. 17 (Gal. Municipal, Convento de S. João de Deus, Montemor-o-Novo; desd.) pub.

    1995,  "Porto revisto", Expresso/Revista, 4 Mar. 95 ("Alfândega Nova", Porto, colect.)
             José M. Rodrigues, Expresso/Cartaz, 6 Maio 95, nota (Caldas da Rainha, nota) pub.

    1996, "Domínio privado", Expresso/Revista, 12 Jan. 96 (Museu de Évora) pub.
            "Enfim nós", Expresso/Revista, 16 Nov. 96 (Encontros de Coimbra) extr.

    1997,  "A pele, o corpo, a terra", Expresso/Cartaz, 18 Out. 97 (S. João da Madeira) pub.

    1998, José M. Rodrigues, Expresso/Cartaz, 7 e 14 Mar. 98 (Palácio Anjos, Algés) pub.

    1999,  "A alegria e o mistério", Expresso Revista de 06-02-99 ("Ofertório", Culturgest), pub.
            "Ofertório", Culturgest,  30 Jan., nota
           "De viagem", EXPRESSO, Cartaz, 6 Nov. 99 («Chorar por Água», Arquivo Fotográfico de Lisboa) link

    2006,  "Os outros, nós", EXPRESSO/Actual de 11 - 02 - 2006 (Solo, Gal. Sala Maior, Porto) link 2

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    José M. Rodrigues 2008 II

    «Não tenho só fotografado a luz reflectida, também tenho fotografado a minha própria luz»

    - a quantos fotógrafos se toleraria uma tal frase? No caso de J.M.R. ela é a pista decisiva para entender o seu trabalho e o modo como ele nos cativa - e de facto trata-se sempre de nos deixarmos prender (os espectadores, tal como os modelos dos seus retratos) prender pela luz que ele usa, a sua própria luz. É também a prova da auto-consciência do autor acerca do seu trabalho, que é sempre um exercício rigorosamente trabalhado (calculado e produzido). Um acto encenado ou construído, quanto aos valores do lugar, do tempo e da luz - e é com essa experiência adquirida que ele fotografa a paisagem ou a natureza.

    A inauguração da exp. "Elermentos", que foi também a inauguração da galeria Pente 10 de Catarina Ferrer, foi um grande acontecimento - apropriado à condição de um Prémio Pessoa. (Trav. da Fábrica dos Pentes, 10 - 3ª a sáb. 11-19h, até 24 de Maio)

    Depois da retrospectiva de 1999 ("Ofertório", na Culturgest), o trabalho de J.M.R. passou por mudanças técnicas, por experiências e erros, sempre intranquilo e infatigável. É de um novo patamar, a grande altura, que agora se trata - e dentro de algumas semanas abrirá  em Évora, no Palácio da Inquisição, da Fundação Eugénio de Almeida, uma nova e diferente apresentação antológica da sua obra ("Antologia Experimental", 6/7 de Junho é a data provável depois de alguns adiamentos).

    J08

    capa de Águas Belas, 2008. Fragmento de "Madeira, 1995", pág. 11, e tb. exposto na exp. "Elementos"

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    04/29/2008

    José M. Rodrigues 2008

    Uma nova galeria de fotografia em Lisboa, e só de fotografia. Chama-se Pente 10, porque fica na Travessa da Fábrica dos Pentes, nº 10. Ao jardim das Amoreiras, e muito perto do Museu Vieira da Silva.

    Uma nova exp. do José Manuel Rodrigues em Lisboa, talvez a primeira depois da retrospectiva de 1999 na Culturgest, e de "Chorar por Água" (Cabo Verde), no Arquivo e tb em 99.

    Elementos_18

    hoje, 3ª feira, 29, a partir das 19h (e por aí fora)

    A galeria ocupa um espaço múltiplo ou fragmentado, que vai descendo do nível da rua mais dois pisos. Numa adaptação arquitectónica de Francisco Aires Mateus.
    A seguir vai expôr um jovem português de Londres, Miguel Santos, e Flor Garduño a partir de 1 de Julho, começando a próxima época com Carlos Afonso Dias, que vai mostrar provas de época dos anos 50 e pôr à venda provas de autor.

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    11/21/2007

    JMR, Silo + DGA/CPF

    Amanhã no Porto

    Picture5web

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    11/12/2007

    "Terra Bendita" / "Tríptico"

    "O céu e a terra"
    Expresso Actual de 25-03-2000

    TERRA BENDITA  (Farm Security Administration)
    e TRÍPTICO (José M. Rodrigues, Mark Power e Paulo Catrica)
    Museu de Évora (Até 30 de Abril)

    A PRIMEIRA das duas exposições dá conta de uma das mais admiráveis sagas da história da fotografia e de um dos grandes episódios político-sociais do século. «Terra Bendita» conta o que foi a intervenção dos fotógrafos da Farm Security Administration (FSA) - e de outros autores afins - no tempo da Depressão e do «New Deal» de Roosevelt, quando as crises climáticas e económicas arrastaram para a miséria centenas de milhares de trabalhadores rurais americanos, que então se deslocaram para as cidades em busca de subsistência.

    Tem um sentido particularmente impressivo evocar essa epopeia em terra alentejana, acompanhando o trabalho actual de três fotógrafos num projecto sediado em Évora, a pretexto do património e das actividades da Fundação Eugénio de Almeida. O programa da segunda mostra - «Tríptico», com a participação de José M. Rodrigues, Mark Power e Paulo Catrica - é, naturalmente, bem diferente, como são diferentes os tempos, os ideais políticos e as convicções ou estratégias da fotografia, mas as imagens de «Terra Bendita» estabelecem um contexto de referências que também evoca a história dramática dos camponeses alentejanos e refere o presente ameaçado pela seca e a desertificação dos solos.

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    09/30/2007

    Fotografias de arquitectura

    Inauguração

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    Fotografia de José Manuel Rodrigues, arquitectura de Álvaro Siza: Centro Galego de Arte Contemporânea, Santiago de Compostela, 1993-2000

    Casa da Cerca, Almada, de 1 de Outubro pelas 21h30
    até 25 de Nov.

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    09/24/2007

    Quatro fotógrafos à volta do mundo

    "De viagem"
    EXPRESSO, Cartaz, 6 Nov. 99, pp. 22-23

    Quatro fotógrafos à volta do mundo, expostos em Lisboa e Porto

    JOSÉ MANUEL RODRIGUES, «Chorar por Água», Arquivo Fotográfico de Lisboa
    PAULO CATRICA, "Liceus de Portugal", Biblioteca Nacional
    ANTÓNIO JÚLIO DUARTE, "Peep Show", Cadeia da Relação, Porto, e "Espaços de Sedução", Silo, NorteShoping, Senhora da Hora
    AUGUSTO ALVES DA SILVA, "Fazer Tempo", Cadeia da Relação

    OS FOTÓGRAFOS continuam a viajar à volta do mundo, apesar de se dizer que não já há lugares por descobrir. A viagem é um destino pessoal e um estado interior, por vezes uma retórica fotográfica, ou pode ser uma condição para afinar o olhar e manter um estado de alerta perante o mundo e os outros. José Manuel Rodrigues percorreu as ilhas de Cabo Verde, António Júlio Duarte visitou o Japão, Augusto Alves da Silva circula por toda a parte sem referenciar o mapa da viagem e mostrando como todos os lugares podem ser iguais, Paulo Catrica deu a volta ao país para fazer um inventário de liceus.

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    José Manuel Rodrigues, «Chorar por Água», Cabo Verde, 1997, Brava

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    10/16/2006

    José Manuel Rodrigues - 2006, Solo

    José Manuel Rodrigues: Os outros, nós

    EXPRESSO/Actual de 11  02 - 2006

    Depois da «morte » do retrato fotográfico, José Manuel Rodrigues revoluciona as suas regras

    Solo


    Baselitz inverteu as figuras, nos seus quadros do final dos anos 60, para anular a importância do assunto, tornando-o um mero motivo, banal ou destituído de valor enquanto tema, quando procurava anular os fundamentos da ruptura entre pintura abstracta e pintura figurativa sem ceder à tendência ambiente para a redução da complexidade formal. De cabeça para baixo, os retratos de familiares e amigos eram-lhe necessários para que os quadros não se interpretassem como abstractos, mas não lhe interessava a representação ou o significado do motivo. Como outras dificuldades procuradas - os formatos imensos, a acção impulsiva (mais do que expressiva), o trabalho sobre o solo -, a inversão do motivo, que anulava o problema plástico da relação entre a figura e a superfície abstracta que a envolve, introduzia uma distância que tornava mais intenso o que acontece no quadro com a materialidade dos seus elementos. A inversão de Baselitz parece prolongar de nova maneira o acontecido com Kandinsky, que teve a «revelação» da abstracção no encontro súbito com um quadro que deixara pousado de lado e assim visto se tornara «um quadro misterioso, no qual apenas se viam formas e cores, cujo assunto era incompreensível».

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