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    Livros

    05/28/2009

    Livros novos

       

    Facing New York, Bruce Gilden, 1992
    04657-1 Cornerhouse Publications, Manchester

    #

    Daniel Masclet. Photographe critique théoricien, par Christian Bouqueret
    09346

    Coll. Années 30, Marval, 2001 (Exp. Maison Européenne de la Photographie, Paris)

    #

    The animals, Garry Winogrand, with an Afterword by John Szarkowski
    Winogrand

    MoMA, 2004 (1ª ed 1969)

    Via Kowasa.com (20 + 20 + 12, +7)!!

    #

    Daniel Masclet (1892-1969) defensor da "fotografia pura", crítico na Photo Revue, membro do Groupe des XV, foi muito influente tb em Portugal nos anos 30/50. Victor Palla refere-se-lhe em 1953 a par de Weston e Cartier Bresson.

     

    01/09/2008

    Livros de 2007

    Foram ficando para trás as intenções de dar oportuna conta de alguns livros saídos em 2007 e que a diversos títulos me interessaram. São, todos eles (menos o último), trabalhos realizados no âmbito universitário, cumprindo exigências de investigação mais ou menos original e às vezes com dificuldade em ultrapassarem os condicionamentos escolares com independência crítica e uma escrita mais fluente (excepto o primeiro).

    Guston em contexto. Até ao regresso da figura, de Manuel Botelho, Livros Vendaval - ver aqui

    Um pintor escreve sobre outro pintor, um dos mais importantes norte-americanos (1913-1980) e aquele que teve a mais sinuosa e longa carreira, do muralismo de intervenção social e de gosto clássico a uma muito tardia e solitária reinvenção da figura depois da abstracção expressionista. E neste caso um livro bem escrito.

    Escultura em Portugal no Século XX (1910-1969), de Lúcia Almeida Matos, ed. Fundação C.Gulbenkian e Fundação para a Ciência e a Tecnologia 

    Academismo e modernismos; a pretensa "Idade do Ouro" dos anos 30-40; da estatuária à escultura, segundo as três partes do volume. Uma síntese necessária realizada sobre uma extensa investigação cronológica e documental, ampliando áreas ocultas sob o habitual predomínio da pintura e de uma informação mais lisboeta que nacional

    A Revista Colóquio/Artes, de Margarida Brito Alves, Edições Colibri e IHA / Estudos de Arte Contemporânea, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa

    A única revista de arte com longa duração editorial, 1971-1996 (continuação já da Colóquio/Artes e Letras, 1959-1970), lançada, mantida e (mal) encerrada pela F. Gulbenkian, sempre dirigida por José-Augusto França. As condições de produção académica não foram ainda propícias ao exercício da independência analítica, mas ficam registados dados relevantes sobre o meio das artes nacionais e as suas tutelas críticas. Um sumário gráfico das capas teria sido fácil de fazer, útil e ainda mais óbvio.

    Teoria e Crítica de Arte em Portugal (1921-1940), de  Patrícia Esquível, idem.

    Um estudo pioneiro de história da crítica, sobre um período particularmente sombrio, complexo ou só distante, antes de se institucionalizar propriamente a crítica de arte; trata-se ainda, em inúmeros casos, de crítica cultural ou de ideias, com um peso substancial de literatos. Aliás, desde o início se diz que o "livro pretende ser um estudo das ideias que circulavam em Portugal sobre artes plásticas" - e é-o com uma solidez nada frequente, muito centrada na gente da Seara Nova e da Presença. (Mas Vázquez Días foi um pintor "superficialmente influenciado pelo Modernismo"?! - pág. 187 -, ou o Modernismo vivia então, após as rupturas vanguardistas e os humorismos possíveis e também depois dos "regressos à ordem", o tempo da sua afirmação como estilo moderno, ou o seu período "clássico", que a 2ª guerra veio encerrar.)

    Vanguarda & outras loas - Percurso teórico de Ernesto de Sousa, de Mariana Pinto dos Santos, Assírio & Alvim

    As "loas" ecoam o melhor ou o mais significativo livro do ES, a propósito de presépios. Face à recorrente hagiografia pós-néo-vanguardista e à eventual promoção do divulgador-animador a artista, onde se juntam todos os poderes institucionais, da SEC à Gulbenkian, de Serralves ao Museu Colecção Berardo, num especial unanimismo, é sempre oportuno o propósito de revisitar as mudanças no itinerário do crítico, cineasta e homem de teatro que se iniciou em círculos neo-realistas, para avaliar a consistência e coerência do percurso. Valeria a pena, em particular, questionar a fragilidade (factual e ensaística) do seu livro sobre aquele movimento, certamente já de escrita demasiado desinteressada (Artis, 1965), e, antes, aprofundar as pistas de reflexão deixadas numa controversa monografia sobre Júlio Pomar (Artis, 1960), essencial a vários títulos e pouco conhecida.

    Amadeo de Souza-Cardoso, Fotobiografia, Fundação Calouste Gulbenkian - Catarina Álfaro, Helena de Freitas e Leonor de Oliveira (bibliografia). Catálogo Raisonné, volume I.

    Há muito aguardado, inclui importantes documentos fotográficos e outros, em especial a correspondência com Lucie e com a mãe, para além de representar um novo estádio na informação sobre o itinerário, as relações e a carreira internacional do pintor de Manhufe. Desde o "regresso" à América de Amadeo em 2000 a leitura tradicional de Amadeo entrou em revisão em revisão aprofundada e o provinciano aspirante tardio a cubista passou a ser um artista original, influente e não só bem relacionado (Brancusi e Modigliani), aberto a horizontes mais largos do que Paris. Não é de leitura fácil o registo cronológico (e as notas deveriam acompanhar o texto), mas servirá de base a outras escritas.

    E ainda (Arquitectura):

    Pancho Guedes, Manifestos Ensaios Falas Publicações, ed. Ordem dos Arquitectos - editores Ana Vaz Milheiro (texto), João Afonso e Jorge Nunes

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    05/10/2007

    Philip Guston - Manuel Botelho

    GUSTON EM CONTEXTO - Até ao regresso da figura, de Manuel Botelho
    edição Livros Vendaval, 2007

    Prefere-se entre nós a escolástica. Pega-se num tópico teórico encontrado num qualquer autor em moda, cita-se uma bibliografia à volta e bordam-se umas elucubrações suficientemente ilegíveis para passar por inteligentes e inéditas. Usa-se em geral uma prosa penosamente emaranhada, que passa por ser qualificação académica.
    Manuel Botelho fez tudo ao contrário. O seu livro, que é parte da tese de doutoramento defendida em 2005, é um livro para ler - e com muito interesse de uma ponta à outra. Está muito bem escrito e é capaz de tornar empolgante o relato, centrado na figura de um grande pintor norte-americano, de algumas das grandes aventuras e rupturas do século XX. É história e é romance  e  é ao mesmo tempo atravessado pela reflexão  sobre  grandes questões que se continuam a pôr aos artistas - a ambição de intervir  criticamente, na sua própria obra, face à sociedade; a independência perante os estilos colectivos e  a insatisfação quanto às fórmulas pessoais estabilizados (o que é ainda mais raro).
    Guston (1913-1980) é um dos mais interessantes artistas do século XX, desde os anos 30 até aos anos 70, e é-o nos seus três grandes períodos criativos, radicamente diferentes mas atravessados por uma determinante coerência de vida e de produção artística: a figuração interventiva do seu período de juventude e formação, ao tempo da Depressão e do New Deal, associada à mobilização internacional contra os fascismos, e que a Guerra Fria viria depois a ocultar; a abstracção expressionista da chamada Escola de Nova Iorque e, por fim, o regresso pioneiro a uma figuração renovada, ao mesmo tempo crítica e irónica, narrativa, com algumas referências ao cartoon e de uma grande originalidade formal. Ninguém atravessou como ele esses três tempos, à revelia das fixações de fórmulas e rótulos. 

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    09/25/2006

    Copenhaga 2006 - mais livros/catálogos

    Livros de viagem...

    1 - THE MODERN BREAKTHROUGH IN DANISH PAINTING 1870-1890
    By Kaspar Monrad and Peter Michael Hornung (texto de 1983, revisto)
    Ed. Golden Days in Copenhagen, 2002. (Work of Art and Museums: Fredericksborgh Castle; Hirschsprung; Ny Carlsberg; Smk; Ordrupgaard)
    Realismo e realismo social, a abertura ao exterior e a revolta contra a Academia. De P.S. Krøyer a Hammershøi.


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    08/24/2006

    Leituras 1

    1 - ANTOINE DE BAECQUE, LA CINÉPHILIE, Invention d'un regard, histoire d'une culture, 1944-1968 Coll. Pluriel, Fayard, Paris, 2003. Agora em poche.
    A minha história antiga, os Cahiers, quase desde o princípio da nova série, em 1963. Uma revista sobre filmes que em muito grande parte não se viam, pelo menos até 68. As pequenas guerras cineclubistas até à emigração de 67 (Lisboa/Bordéus) e algum Vavá. Memórias confusas e em grande parte alheias. Como se poderia imaginar que os filmes então quase inacessíveis se coleccionam hoje em dvd?

    2 - PASCALE DUBUS, QU'EST-CE QU'UN PORTRAIT? Coll. L'Art en perspective, Ed. L'Insolite, Paris, Juin 2006 (breve, claro e bem ilustrado) Sem os grandes retratos contemporâneos de Hockney e Arikha, ou Alice Neel, Vincent Corpet.

    E ainda Andreas HUYSSEN, DESPUÉS DE LA GRAN DIVISIÓN, Modernismo, cultura de masas, posmodernismo, ed. Adriana Hidalgo, Buenos Aires, 2002 (After the Great Divide, 1986) ver En busca del futuro perdido, FCE

    A arte elevada e a cultura de massas (a grande divisão), questão decisiva (outra versão da questão das vanguardas) ao longo do séc. XX. A noção de modernismo (Flaubert, Baudelaire), constituído a partir de uma estratégia consciente de exclusão, de uma angústia de ser contaminado por uma cultura de massas crescentem. consumista e opressiva. Com a canonização oficial do alto modernismo, a insistência na autonomia, o privilegiar da escrita experimental. Adorno. O tempo da vanguarda histórica e a posterior absorção dos seus restos pela "alta cultura modernista". Proposta de distinguir van. e mod., e de pensar o pósmodernismo e a sua história desde os anos 60 a partir da dicotomia alto/baixo e da "constelação m./v." Ainda uma versão bastante beatífica das vanguardas históricas, mas com progressos pós-Peter Burger.