Arquivo * EXPRESSO Revista de 11-Jan.-97 (pp. 62-65)
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O Mês da Fotografia de Paris sob o signo do território e da viagem. No tempo da internet e da imagem digital
A paisagem desaparece com as auto-estradas da informação? Que é feito da identidade, da geografia, do enraizamento e da noção de pertença, no mundo desconstruído pelos discursos sobre o cyberespaço e a comunidade virtual? Uma das exposições do Mês da Fotografia de Paris pergunta «O que é uma estrada?». A antologia mostrada na Maison Européenne de la Photographie (até dia 31) não fornece resposta, mas é acompanhada pelo segundo número dos «Cahiers de Médiologie» (Gallimard, 60 FF), dirigidos por Régis Debray e aplicados no estudo das transmissões dos sentidos, isto é, dos modos de transporte das mensagens e dos homens através do espaço e do tempo.
Alain Finkielkraut e Pierre Levy (professor de ciências da informação e da comunicação, autor de Qu'Est-ce que le Virtuel?, La Découverte, 1995) debatem aí a nova topografia sem geografia que a Internet nos ofereceria, como mais uma etapa da emancipação do homem face à materialidade bruta do espaço. Pierre Lévy fala de complexificação da ecologia dos transportes e da comunicação, mas recusa que se esteja a evoluir para a substituição do transporte físico por outro meio. Define a Internet como um projecto de sociabilidade e o cyberespaço apenas como um correio mais aperfeiçoado. Não é um outro mundo alternativo, é o poder de comunicar, a interconexão mais livre do mundo da cultura e, em especial, do mundo da escrita.







