Dan Perjovschi, Culturgest Porto
Não é arte crítica, não é arte política, é arte oficial - a arte oficializada pela banca. A arte patrocinada pelo poder financeiro que se presta a fingir que tem uma dimensão crítica. Dir-se-á que ao recobrir de grafitis o interior da sede da CGD no Porto, no centro político e financeiro da cidade, se faz um acto de crítica institucional, mas trata-se de um embuste, já não de um equívoco. A arte crítica ou a arte política têm de ser critica e politicamente avaliadas. É certamente uma questão geracional, mas importa reconsiderar as suas coordenadas intelectuais face à degenerescência crítica que se demonstra com a displicência da mera autoridade administrativa.
Admitida a ideia da autonomia da arte, considerando-se o modernismo formalista como uma etapa vitoriosa (é o que se aprende nas escolas, o que aprendem os medíocres estudantes aplicados), o grafitismo gracioso de Dan Perjovschi (uma espécie de cartoonismo infantilizado que em vez da intervenção de rua se confina no espaço da arte) viria perturbar a elevação, a seriedade, a ambição de transcendência, a qualificação processual ou estilística que seriam próprias de um espaço artístico institucional. Talvez se pense que o cenário carregado de elementos decorativos (art déco) onde se acolhe a intervenção artística forneça ainda o argumento de um poderoso contraponto ao gesto de irrisão que veio garatujar as paredes. A contradição é só patética, porque tudo isto foi previamente domesticado. Décadas de anti-arte retiraram toda a possível eficácia perturbadora à intrusão de objectos insólitos ou imprevistos no espaço institucional da arte. É só mais do mesmo, oferecido num espaço previamente desertificado e higienizado: o espaço próprio da elite artística.
Nada sustenta as breves recomendações do postal-convite: "linguagem
única", quando se trata do mais vulgar desenho de cartoon, de um
grafitismo anedótico, que não teria viabilidade no universo do humor de
imprensa, nem relevância no contexto do grafiti de rua. "Uma ironia e
um humor acutilantes" - sujeite-se a adjectivação ao desmentido. O que
conta é o itinerário institucional que vem atestar a pertença a um
círculo de nomes, como exercício de oficialização do que finge ser a
margem, o exterior do mundo da arte: Gulbenkian, Museu Ludwig de
Colónia, Moderna Museet de Estocolmo, Portikus de Frankfurt, Stedelijk
de Amsterdão. Acrescente-se a próxima Bienal de Veneza, dirigida por um
Robert Storr de quem se esperava melhor.
A continuar...



Alexandre
I am an artist and the main teritory of my expression is the art world, museums, galleries, art centers, art magazines, aartist run spaces, alternative spaces.
I come I draw I go. After the show ends my drawings are erased. I m not so permanent as the grafitti artists.
Back home in Romania for a weekly magazine (www.revista22.ro) a political, soccial and cultural magazine, the first independent magazine after the Revolution in 1989.It is still independent todaywhen all the media and almost the entire public space is privatized. For 22 Magazine I draw each week since 17 years.
Is this ongoing project enough critical for you?
dan
Posted by: perjovschi | 06/01/2007 at 17:50