Joana Vasconcelos, Néctar, 2006 (Foto DR?)
(Ferro metalizado e cromado, garrafas de vinho, cimento, sistema eléctrico e LED’s de alta intensidade. 350m x 715m)
Acordo : Ministério da Cultura - Museu Colecção Berardo de Arte Moderna e Contemporânea - Termos gerais do Acordo assinado no dia 3 de Abril de 2006, em cerimónia presidida pelo Primeiro-Ministro.
Intervenção da ministra a 03.04-2006
Nota à imprensa do MC sobre a Composição do Conselho de Administração da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo - 02-06-2006
Nota Informativa da PR Presidência da República a propósito do decreto-lei de criação da Fundação ..., de 28-07-2006
Decreto-Lei nº164/2006 de 9 de Agosto: Nos dias dehoje, as principais capitais do mundo possuem museus de artemoderna e contemporânea que são uma referência para os movimentos de arte e para os cidadãos que deles usufruem. DRe
outro discurso na apresentação do concurso de esculturas, a 20-12-2006
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Falou-se de ultimato, mas a palavra era injusta quando o caso se arrastava há anos com promessas e dúvidas.
Depois de perder a colecção Pinault - prevista para Paris mas instalada em Veneza -, Berardo foi convidado a substitui-la na Île Séguin. Um dos truques jornalísticos nacionais foi colocar sempre em dúvida que o convite do governo francês fosse uma realidade (prescidem da investigação e ficam com uma suspeita na mão para poderem ter "opiniões"). Berardo exigia uma resposta clara até final do ano.
O MC teve uma condução demasiado inábil e dúbia das negociações com Berardo (que envolveram Sócrates, Isabel Pires de Lima, Carrilho e Alexandre Melo).
Entretanto, o CCB vivia mais uma das suas crises de direcção e de financiamento. (sobre a demissão de Delfim Sardo)
1 -O ponto da situação como balanço do ano (versão integral)
2005, 30 de Dezembro (Expresso/Actual)
A história tem mais de dez anos e ainda há quem venha falar de ultimatos. Foi necessário que o governo francês apresentasse propostas firmes de instalação da Colecção Berardo em Paris, Toulouse ou Fontevraud (Loire) para que a Câmara de Lisboa, primeiro, e depois o primeiro-ministro cumprissem a sua obrigação: anunciar a decisão de lhe conceder um espaço apropriado e de negociar um protocolo que articule e garanta os interesses das duas partes. Mas, se as autoridades francesas avançaram logo com projectos de arquitectura e propostas jurídicas, está tudo muito nebuloso para os lados de Belém.
Das cerca de 350 obras em 1995, quando Cavaco Silva só queria saber de Berardo a propósito de expedientes financeiros cuja irregularidade não se provou em tribunal, até às 4000 que agora se referem, já correu muita tinta, e mais ainda vai correr até que o enunciado de intenções ganhe forma.
Em Setembro de 1996, Edite Estrela fixou em Sintra a primeira sede da colecção, com um acordo por dez anos, ao mesmo tempo que o ministro Carrilho, enquanto prometia para muito em breve um novo perfil institucional e cultural para o CCB, firmava o protocolo que lhe abria a porta das reservas a troco da inclusão de obras na sua programação. O acordo de Sintra está à beira do termo, ou renovação, mas o cumprimento das cláusulas financeiras tem sido atribulado.
O CCB, afinal, ficou entregue a si mesmo e a crise a que chegou já não pode mais ser ignorada - é provável que o Museu Berardo venha a ser parte da solução, com ou sem qualquer fundação inspirada no modelo de Serralves (mas a história não se repete e os dados são totalmente diferentes).
Fala-se em Museu Nacional (?) de Arte Contemporânea a curto prazo (ou será Museu de Arte Contemporânea - Colecção Berardo?), mas também se refere a distribuição e itinerância da colecção entre Sintra, CCB e instituições internacionais (francesas?), deixando um definitivo museu para 2009/10, a erguer em espaço próximo.
O assunto chegou à praça pública com deselegâncias ou inabilidades várias e sem contornos definidos - e os interlocutores, apesar da mediação de Alexandre Melo, colaborador das duas partes, não primam pela clareza. Espera-se que não se pense cortar a colecção às fatias ou em separar um núcleo moderno e outro dito contemporâneo (opção fatal que MoMA, Tate, Pompidou ou Ludwig não arriscaram), e que, em vez de seguir o modelo instável das galerias que se esvaziam ao sabor dos gostos de comissários criativos, se imponha uma concepção solidamente museológica, garantindo a visibilidade de um acervo basicamente permanente, selectivo e de crescente solidez.
Há, neste caso, uma colecção que é a razão de ser do museu - e o espaço físico escolhido vai ter de servi-la.
2. Fim de 2006, o acordo estava assinado, o Museu decidido, o director nomeado, mas a concretização dos compronissos tardava. Sucediam-se as tentativas de sabotagem. Além das esculturas de Joana Vasconcelos à porta do CCB , pouco mais havia
Do balanço de 2006 (30 de Dezembro)
"O ano termina tal como findou 2005: com mais um passo para fixar no país a Colecção Berardo, o que representa a última oportunidade de o século XX vir a estar representado num museu português. O caminho negocial ainda é árduo e está minado por forças influentes do meio da arte, contrárias à noção de museu (todo o dinheiro público é pouco para «apoiar a criação», montar e desmontar instalações, sustentar as carreiras de comissários-directores). Mas trata-se também de fixar um destino para um equipamento (o módulo de exposições do CCB) que tem uma longa história de desorientação administrativa. Além de ser uma questão de milhões, é um grande desígnio."


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