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16 de abril de 2008

Julieta do Vale

Uma surpresa

Futuroproximo

" F u t u r o  P r ó x i m o "
de   Julieta do Vale,
na  G a l e r i a   M o n u m e n t a l

até 7 de Maio
de terça a sábado, das 15h00 às 19h30
na Galeria Monumental
Campo dos Mártires da Pátria, 101
Lisboa

provas impressas a jacto de tinta , com 100 x 120 cm

Julieta do Vale tinha exposto antes com Margarida Gouveia, "Lugar comum", na Sala do Risco, em Lisboa (Nov. Dez. 2004)
Catálogo com 15 fotografias a cores (sem identificação de autoria) realizadas em Macau (Agosto 2003, bolsas da Fundação Oriente), editado em 500 ex.
n. 1976, Lisboa, comunicação gráfica em Macau, fotografia (curso avançado) no Ar.Co

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Todas as fotografias são feitas em Osaka, pelo que me dizem <não, não foram todas feitas em osaka, metade sim e as outras em kyoto, nara, kagawa e tokyo>, mas não se trata  de descobrir uma cidade e/ou os seus habitantes. Não saberemos de que se trata, afinal, porque se trata sempre de suspender as afirmações possíveis e de fazer dessa suspensão de sentidos uma comunicação mais verdadeira. O lugar é oriental, só porque se vê o jardim de um templo (?) oriental <as flores nos vasos estão na parte da frente de uma casa, que talvez tenha um pequeno templo no jardim> e há rostos orientais que passam sem nos olhar - mas podia ser qualquer outro. Essas presenças estão absorvidas em si mesmo, não se encontram, e olham o que não vemos, num caso é alguém que olha pela janela de um quarto e o exterior que não vemos é já a luz que o atravessa.
Essa suspensão, esse não sabermos o que vemos, e o que há para ver para além do plano recortado, prolonga-se na contenção dos contrastes de cor ao longo da série, predominando os tons cinzas, as cores ténues, excepto quando um fragmento iluminado se destaca das sombras, como as flores nítidas e luminosas por entre a sombra secreta do templo.
Das figuras encontradas em espaços interiores ou exteriores às vistas urbanas, espaços entre a noite e o dia, em trânsito, trata-se de ver, de dar a ver  o que  se pode  sentir como a estranheza de lugares ou de um quotidiano discretos, sem acidentes, mas ao mesmo intranquilos na sua própria serenidade: a do lago onde nadam patos diante das grandes casas da cidade; a do antílope expectante atrás da senhora que passa sem o ver - insólitas aproximações de diferenças. Uma estranheza que é intensidade da atenção e não mistério, sem necessidade de ficção acrescentada.
E ainda um vídeo, mais misterioso esse ao prolongar-se no tempo um espaço e uma acção que não deciframos, e que assim se basta numa fotografia em movimento, repetidamente sustida num breve ciclo de vida. Em movimento e em som, música, como um objecto construído, uma paisagem encenada em palco.

"Toda a gente se dirige para onde vai e eu só ando." "Procuro o incompleto." "Tento representar o invisível que me rodeia." - são passagens de um breve texto da artista que precisa de ser lido lentamente.

Uma quase estreia que é uma forte surpresa, uma discreta e intrigante surpresa.

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