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12/01/2008

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António Pinto Ribeiro

Seria de facto fundamental fazer um debate público sobre esta iniciativa. Mas para tanto era importante ter acesso a um conjunto de informações que até ao momento não foram tornadas públicas e é urgente que o sejam. Que figurino de gestão iria ter este Africa.Cont? quem se responsabiliza pelas obras de recuperação do edifício? qual é o programa pedido ao arquitecto? Será um Museu? Um centro cultural? e se for um Centro Cultural é pensado sob a forma dos CC da geração de 80? ou assumiria especializações? que tipo de programação se supõe que venha a ter? terá acervo próprio? produção própria ou tão só um Centro de Difusão? Seguiria o modelo do Museu de Arte Africana (novo) ? O Insituto do Mundo Árabe em Paris? a casa das Culturas do Mundo em Berlim? ou, pelo contrário, daria um passo em frente e evitava a guetização do multicultural?
Sabendo-se como estão deficitárias as finanças da CML e do MC, tem algum sentido neste momento que este projecto seja uma prioridade? a meu ver, não! E reconheça-se que é urgente estabeler formas de aproximação às práticas culturais e artísticas dos países africanos. Mas seria mais oportuno continuar acções que já se iniciaram em feiras de arte, na aquisição de obras paa colecções públicas ou privadas, na continuação de festivais que considerem as artes performativas de artistas de áfrica a partir sempre dos critérios de pertinência artística. Haveria muito a fazer de forma mais descentrada, recorrendo a múltiplos agentes culturais e artísticos antes de se avançar para uma solução que aparece com todos os contornos de mais uma obra dispendiosa, que desconsidera a necesidade de tratar do museu de etnologia, do jardim ex-colonial de Belém, entre outros. à parte isto era fundamental que as questões de arte e de cultura relativas a África não fossem separadas das questões sociais e políticas da imigração oriunda deste mesmo continente. E, finalmente era muito importante que se estudasse questões como recepção artística ou proução cultural oriunda de outras regiões culturais para evitar afirmações despropositadas e muito ignorantes sobre multiculturalismo, interculturalidade, cinema africano, etc...

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