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01/24/2009

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Pedro dos Reis

Olá Alexandre!

O texto que refere é um longo texto acerca da matéria.
Antes de mais penso que o autor se baseia numa realidade mais Anglo-Saxónica (especialmente nos EUA, mas onde poderei incluir a Tate, também - apenas porque referiu o Turner Prize).

Não quero diminuir o papel do "Museu" ou da "Colecção Visitável" no contexto legitimador das Artes, contudo é um facto incontornável que os museus não representam apenas o Belo de uma dada época. São sobretudo parte integrante de um sistema maior, onde se inclui, o Mercado da Arte.

Este fenómeno também se pode relacionar com a Crítica de Arte e outros, que aparentam estar separados, mas que se podem sintetizar na mesma questão - Legitimação Artística.

Os grandes museus americanos, por exemplo, têm pouca ou mesmo nenhuma participação do Estado. Talvez haja algum facilitamento em relação a eventuais localizações ou licenças camarárias de construção (pois um museu irá gerar receitas, que também reverterão para a cidade em Impostos e Turismo). Com isto quero dizer que o próprio museu (ou "colecção visitável") é uma comodidade (e acrescento legitimadora).
O museu possui um acervo - a sua colecção (criada através de doações, sobretudo), mas por outro lado alberga nos seus conselhos de administração ou executivos entidades individuais, corporativas ou , que também têm os seus próprios interesses. Muitos porque representam Fundações; ou porque possuem uma colecção que se enquadra dentro da colecção do museu; ou porque são pessoas que conseguem fantásticas captações de fundos (os fund-raisers), que permitem manter o funcionamento normal do Museu (deixo o exemplo do New Museum: http://www.newmuseum.org/about/leadership/ ).

Claro que esta não é a realidade da maioria dos museus europeus, que dependem principalmente do Estado e com uma ou outra parceria com alguma empresa (por exemplo, no nosso caso, MNAA e Museu do Chiado, com o Millennium bcp). É a diferença entre uma lista de 2 ou 3 (conto com os Amigos dos Museus) e uma lista extensa de centenas de pessoas e organizações que apoia um museu com uma dimensão e importância mundial.
É interessante verificar que a lista não diz respeito a gestores e fund-raisers, mas também galerias (principalmente da cidade, mas não só), revistas de arte e coleccionadores.

Mesmo o Prémio Turner teve o apoio de uma multinacional do ramo farmacêutico - a GlaxoSmithkline, que também tem outros projectos na àrea das Artes (Glaxo Contemporary 2008, por exemplo). Por outro lado e paralelamente a estas iniciativas de mecenato (?), esta empresa está a criar uma colecção de Arte Contemporânea europeia. Possivelmente para um dia doarem obras à Tate (pura especulação), ou ajudar a legitimar alguns artistas através da própria instituição museológica, que têm apoiado (uma especulação perigosa, mas que faço, com pena de errar).

Independentemente de ser ou não ser, percebe-se que a ausência de crítica generalizada, dentro do contexto artístico mundial e esta procura de tendências que se demonstram numa arte segmentada (arte chinesa, arte afro-americana, arte performativa, arte pós-"A", arte pós-"B",...), como produtos destinados a públicos específicos (o aspecto multi ou pluri das artes), acabam por não ter uma distância assim tão grande da Moda; até porque provavelmente existem mais revistas "glossy" de Arte a movimentar opiniões do que revistas de Moda... e sim, de certa forma, os museus têm-se imposto através da Arquitectura dos seus edifícios (o "novo" e dispendioso edíficio do MoMA e a arquitectura conceptual do novo New Museum).

Também é fácil de se aperceber no carácter de exercício de certas exposições, que seguem tendências pré, pós ou qualquer outra coisa - originado numa incapacidade de diálogo entre o autor e o público, através da sua obra: textos, nomes incontonáveis da intelectualidade legitimada e outros artifícios, que retiram qualquer capacidade crítica e anunciam os trabalhos produzidos dentro desse mesmo contexto absorvido e legitimado.

Referindo brevemente a Crítica de Arte, o "crítico" (ou alguém que tenta fazer crítica de Arte) acaba por também não ter capacidade de chegar até ao trabalho, pois dispersa-se nas referências introduzidas pelo mesmo trabalho, dentro do contexto contemporâneo.
O papel do museu e seguindo esta lógica, acaba por ter este papel de calar opiniões menos a favor. O museu é a "autoridade suprema" que legitima e aprova as movimentações artísticas, as tendências, etc... o seu Poder é a capacidade de trazer e produzir os autores e as suas obras (peças, catálogos, em condições dificilmente replicáveis - a não ser por entidades semelhantes) dentro de um espaço arquitectónico, já em si envolto em Poder; e ditar esses mesmos trabalhos e autores, como novas referências do contexto contemporâneo.

Daí que não ache que o texto deste autor seja completamente descabido. Existem fundamentos, para que ele faça certas afirmações.

O único problema dele - sendo que é um problema de todos aqueles que procuram denúnciar uma qualquer situação, é o excesso de foco e tendência para generalizar um assunto.
Acho que todos nós, quando em situação de divisão emocional, partidária ou clubística, sofremos do mesmo problema, senão a guerra também não se explicava (pois é ilógica).

Com isto quero dizer que nem todos os museus são movidos por interesses claros; nem todos os museus mostram arte que defende os interesses de todos aqueles que se encontram associados a eles; assim, como nem todos os artistas se movem numa lógica puramente comercial ajustando-se às tendências do mercado.

Cabe a todos os intervenientes dentro do contexto artístico defenderem o seu papel e serem o mais isentos (ia dizer profissionais, mas o contexto profissional pode remeter-nos novamente, para o texto do autor) possível, no seu trabalho. Daí que pense que cada um terá de agir sobre uma "verdade" de acção dentro do papel que ocupam no contexto artístico.

Dentro de outro detalhe que o Alexandre aponta - a questão de uma busca pelo que é "emergente", também se justifica, através da maior injecção no "mercado de trabalho" artístico originada nas Escolas de Arte.
Se de repente existem vários indivíduos a serem formados para serem artistas - sendo que o mercado não consegue sustentar todos eles, é normal que comece a haver uma especialização em diversas àreas associadas - comissariado de exposições, escrita acerca de Arte, serviço educativo, workshops, etc... Basicamente o problema foi deslocado da entrada (integração dessas pessoas no contexto), para a saída (público que sustente o contexto).

O museu volta novamente a estar no caminho crítico, pois não só emprega muitos desses profissionais da Arte, como os usa, para promover as suas actividades na criação de um público (mercado).
Voltando à Tate, embora tenha havido uma "cópia" ou um seguimento do mesmo tipo de estratégia por outras instituições com o mesmo caráctr, houve um foco na população jovem e que segue um princípio de participação activa.
Se por um lado, esta estratégia é boa, porque consegue transportar esta camada da população (e os pais - embora o conceito de familia hoje seja difuso); por outro está a potencialmente criar novos "problemas" (mais futuros artistas).
Dado o facto de esta estratégia ser ainda "recente", ainda é cedo para se verem resultados concretos.

O que é certo é que todas estas acções foram realizadas num clima económico próspero e agora há que voltar a avaliar os resultados, neste clima de crise.
Este tipo de programas foi criado com o apoio de empresas e outra entidades, que neste momento se encontram numa situação financeira desfavorável.
Haverá menos excessos, concerteza; por outro lado, durante o período favorável foram criadas estruturas, que hoje em dia têm também o seu papel dentro da cadeia de valor da Arte e que numa fase inicial podem apenas ver-se com alguma falta de orçamento; no entando dada a sua importância, e em especial agora, muito dificílmente irão desaparecer.
Com mais ou menos dinheiro (e poder ou não), a esperança de que o "pesadelo" passe está presente.
Esta nova fase terá de levar a uma reflexão de todas as partes envolvidas, no seu papel e haverá mudanças, concerteza.
Concerteza, também, que se voltará a invocar os fundamentos e valores da Arte, em vez de se prestar maior atenção ao valores do Mercado.
Apesar de tudo, sou optimista em relação a 2009.
Como se diz, "O espectáculo tem de continuar!"

Alexandre Pomar

Pois é, um longo texto, "e nem tudo é de recusar" (como escrevi no fim da nota). Refiro-me apenas ao 1º parágrafo (e ainda ao 2º) porque o edifício que se segue assenta em bases que me parecem erradas. Óbvia e descuidadamente erradas. Apontei alguns vícios de análise que são, aliás, muito comuns às cartilhas ditas contemporâneas: a ideia preguiçosa de tradição, o uso fácil do Duchamp. Citei em pormenor o que me parece falso. Não associei o museu à ideia de "Belo", nem referi o museu ao Estado (e a história francesa é demasiado local - basta passar à Alemanha para encontrar outros modelos). A ideia de "exposição de larga escala" que B.G. utiliza está desde há muito (São Paulo, Kassel, Manifesta, etc) ligada à intervenção do museu. //Em tempo// Não penso que se possa dizer que o museu se integra ou se inclui num sistema maior que seria o mercado de arte: o sistema não é concêntrico nem unificado - o museu integra em parte e também em parte não integra (antecipa, nega, escapa a) o mercado; note-se que, com excepções, uma obra que entra no museu sai do mercado em sentido restrito, mas "encarece" sempre o valor de obras idênticas, o que é um efeito directo no mercado. E as tais exposições de grande escala de que fala o BG não estão fora do mercado, pelo contrário: as mercadorias que exibem são valorizadas por esses locais de exibição e são mais disputadas no mercado por isso. Etc.

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