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07/15/2010

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AB

"Aliás, a lógica do "apoio à criação" exercita-se em grande medida segundo modalidades que fragilizam, intencionalmente ou não, o mercado de arte e as suas estruturas profissionais, as galerias de arte, cuja sustentação é essencial ao funcionamento da economia da arte e dos artistas."

Este é um problema grave e é lamentável que as próprias Galerias não percebam as suas consequências. Mas a questão é outra.

Em Portugal as Artes Plásticas eram até há pouco um dos sectores da Cultura que revelava maior autonomia em relação ao Estado. O mercado funcionava nos seus vários níveis e todos ganhavam com isso, incluindo o próprio Estado.

Agora o mercado afunda-se e quando se justificaria uma maior presença do Estado, este retira-se!

Sempre fui um defensor do mercado e sempre suspeitei do Estado e das suas boas intenções... e já vivi outras crises (1973/1983, 1991/1996).

Esta é diferente: há mais objectos artísticos em circulação e mais agentes (artistas/galerias/consultores,etc.) dependentes do mercado. Há também, com ou sem razão, uma suspeita generalizada em relação ao modo como se legitimam e sustentam os valores.

Mas esses aspectos são gerais e não afectam apenas a arte e os artistas portugueses.

O que é grave em Portugal é que se promoveram valores que até são artisticamente sólidos, mas não se desenvolveram as estruturas capazes de sustentar essa solidez em termos de mercado.

Hoje o problema é o que se podia adivinhar: depois da primeira venda as obras caiem numa espiral de perda de valor da qual a esmagadora maioria não consegue sair.

Tal não seria um problema, se o mercado não estivesse tão apoiado na ideia de arte como investimento de retorno elevado e, delírio absoluto, de curto prazo.

Dou como exemplo a última edição do "Expresso" onde, num artigo sobre a crise no mercado de arte, se referem valorizações de 400% em quatro anos (Ângelo de Sousa e João Queiroz), numa tentativa cega de regresso ao "business as usual".

Não perceberam nada. Nem sequer que esta é uma crise que não se resolve a olhar para o retrovisor.

A saída pode ser difícil mas a questão é simples: Picasso é Picasso e a Christie´s é a Christie´s. A lógica dos recordes e das progressões alucinantes não é transponível para a generalidade da produção artística, sobretudo em países com frágeis estruturas de mercado.

A realidade é que a arte é um investimento de alto risco e a maior parte dos objectos artísticos não se valorizam automaticamente e muito menos a curto prazo. As grandes valorizações que fariam da arte uma espécie de “eldorado” são a excepção e não a regra.

O mercado tem que ser a base, mas os argumentos para vender arte têm que ser outros. Insistir no erro é cavar ainda mais a ruína.

400%?

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