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07/12/2011

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AP

Maria De Aires Silveira corrigiu no Facebook: O catálogo que aqui se apresenta NÃO é o primeiro catálogo do museu.
. há 8 horas ·
Agradeço a correcção: Pois seguramente não é, mas como tal se identifica na pág. 10 (confirma-se que os Museus não produzem "certezas", nem mesmo informações seguras). O 1º será o "Catálogo-Guia" publicado em 1945 por Diogo de Macedo, referido como tal na edição inaugural do Museu do Chiado, em 1994. E talvez devêssemos referir tb, embora não sendo um catálogo, a publicação de "Portugal: A arte, os monumentos, a paisagem, os costumes, as curiosidades/ Lisboa: Museu de Arte Contemporânea". Lisboa: Neogravura, s/ d. [c. 1936], com um texto de BRAGANÇA, José de - "O Museu de Arte Contemporânea". Obrigado, outra vez, pela colaboração atenta.

AP

E a conversa continuou...
Maria De Aires Silveira: Nem sequer foi divulgado.
21/7 às 0:36

AP: Depreendo que foi a edição Malta que não teve divulgação. Por isso havia muitos no Museu em 1989, data da dedicatória no meu exemplar. Algumas das imagens fazem falta - até como informação - em catálogos posteriores, demasiado selectos quanto a obras da 1ª metade do séc. XX e complacentes com as das recentes décadas (o que é do domínio da opinião).
21/7 às 1:13

Maria De Aires Silveira: Nem sempre os Museus produzem "certezas" e seria bom não confundir este catálogo com o recente trabalho desenvolvido pelo Museu do Chiado. Seria ofensivo! E se na p. 10 o texto de Dulce Malta o refere como "primeiro catálogo desta pinacoteca", também considera na p.13 que "Paris hoje é uma cidade mais semita que gaulesa. Onde encontramos aqueles homens fortes, decididos e de grandes bigodes loiros? Vê-se mais gente pálida, de nariz em forma de seis e de pés a direito, por modelar." A imbecilidade do texto provocou a sua censura pelo Antigo Regime e nunca se efectuou a sua distribuição.
21/7 às 1:43

AP: Julgo que os Museus nunca produzem certezas (quando muito confirmam atribuições e datas, provam ou negam informações ou hipóteses, experimentam leituras, etc; mas, pelo contrário, podem produzir ignorância, mentira e cegueira - são perigosos...).
Não confundo, mas comparo. E às vezes considero proveitoso tentar ser ofensivo. O recente trabalho do MC parece-me às vezes excelente (tenho-o dito) e às vezes desastrado e sectário (parece-me, repito, pq prefiro ter opiniões e correr riscos, sem ocupar qq cátedra).
Há textos que classificamos hoje facilmente como imbecis (os de ontem) e textos que me parecem propor (hoje) leituras redutoras e falseadas - por exemplo qd insistem na amálgama entre modernidade e vanguardismo, ou entre qualidade e ruptura - serão essas, ainda, toleráveis imbecilidades de "esquerda"? Depois da queda do Muro? A questão decisiva é que os "textos" justificam depois a escolha ou a ocultação das obras: há imagens que são factos e que fazem falta, e que conviria dar a conhecer; depois importará tentar avaliar e distinguir a importância daquilo que (agora) se mostra, tomando por obras inovadoras o que, por vezes, não passa de banal vulgarização de estilos colectivos. Confundir a importação/tradução de fórmulas com pioneirismo parece-me uma "certeza" demasiado bem instalada na história da arte portuguesa, mas eu julgo-a provinciana. A Dulce Malta serve para tornar o Museu matéria de debate, ou de agradável conversa.
21/7 às 3:16

Maria De Aires Silveira: Percebo. Nada pior que atitudes redutoras. E no meio de tudo isto há o moderno, o janota, os quadros modernos do Grupo do Leão, o conceito de modernidade, a geração modernista. Isto seria interessante problematizar. Curiosamente, um miúdo de 12-13 anos, perguntou-me na visita guiada de hoje se a Revolução Francesa marcava a época moderna.
22/7 às 0:26

AP: A RF está já no fim da época moderna se esta começa com o Renascimento: é a cronologia de uma história da arte recente (1996, Flammarion) que situa os Temps Modernes nos XVe-XVIIIe siècles. A Époque Contemporaine começa com o romantismo; a "idade das vanguardas" vai de 1891 com a Arte Nova e o Modernismo catalão... até 1915; depois vem o "regresso à ordem" do 1º pós-guerra, a distinguir dos neo-classicismos, realismos e regionalismos dos anos 30 anti-fascistas (que o SNI acompanha à sua maneira, bem e no tempo certo), etc, etc. A história afrancesada que ignora os realismos pós-impressionistas (e não-impressionistas...) que entram pelo séc. XX dentro, que desvaloriza o pouco que por cá há de moderno e que sonha com sucessivas vanguardas débeis ou inexistentes parece cada vez menos credível, e foi aplicada graças à promoção de curiosos e amadores de escassas carreiras. O seu séc. XIX estava muito bem, gostei muito, mas absorvia demasiado séc. XX e para isso seguia em parte a norma de preferir os começos de carreira às maturidades (ou as vontades de rupturas às qualidades das tradições). Se o Freud e a Paula Rego são os maiores no início do séc. XXI, a história anterior está toda mal contada. E temos muito a ganhar com as revalorizações dos grandes ignorados, desde o Puvis de Chavannes ("Vers l'art moderne", Orsay 2002), os grandes espanhois, etc...
22/7 às 3:26

Maria De Aires Silveira: De acordo. Importa valorizar e problematizar as continuidades e a importância de um gosto naturalista ao longo do século XX. Pode constituir um obstáculo à introdução de "vanguardas" mas adopta esquemas e atitudes contemporâneas, especificamente portuguesas, evitando cair em pressupostos simplistas e ideias nacionalistas. Estudar a especificidade do nosso meio como um caso nacional sem estabelecer comparações valorativas com os meios internacionais. A intenção do "meu séc XIX" foi o de privilegiar o confronto de gostos, tal como o confronto entre as rupturas e continuidades, passando pelo gosto pela narratividade e pitoresco (matéria actual através do interesse pelo património imaterial). As franjas de século XX introduzidas pretendiam acentuar este confronto real mas revalorizar os ignorados e um gosto determinante.
Sábado às 9:37

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