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08/21/2014

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Artur Pastor

Olá
Será imperdoável não editar um livro sobre o meu pai. E concordo plenamente que o formato do presente catálogo não serve de todo.
Por outro lado falhou muito a publicitação da exposição. O timing e o local do Pavilhão Preto não foram uma aposta muito acertada, como sempre frisei.
Fala-se em itinerância mas já será com uma exposição desmembrada.
Também o lado didático que poderia ser aproveitado junto das escolas se perdeu devido à época da exposição. Dever-se-ia prolongar a exposição. O Pavilhão Preto parece não ter nada previsto proximamente, ao contrário do que sucederá com o Arquivo Fotográfico. Ainda que a exposição fosse pensada como um todo o espaço do Pavilhão Preto não deixaria de ser ilustrativo do espólio e cumprir o seu lado didático e documentalista. Aliás a exposição começou 3 semanas mais tarde do que inicialmente agendado, mas o seu termo nunca foi alterado.
Quanto ao comentário relativamente ao modo meticuloso e arquivista do meu pai este era uma realidade, mas não dispensava uma busca incessante em conhecer outras prestações fotográficas. A biblioteca de casa, com mais de 2.000 livros, era composta maioritariamente por livros de fotografia e agricultura. quando se deslocava no país ou no estrangeiro, para fazer fotografias, adquiria obras fotográficas dos locais e estudava as mesmas. Foi assinante, durante décadas, de revistas de fotografia, especialmente estrangeiras e do National Geographic Magazine. Visitava muitas exposições de fotografia em Portugal e nas suas deslocações ao estrangeiro, como Madrid, Barcelona, Paris, etc.
Nos últimos anos de vida desenvolveu uma obsessão acrescida que era publicar livros sobre Portugal. Mas tudo era mais difícil e as portas, por norma, estavam fechadas. Com o boom do turismo, e do clientelismo vigente, eram sempre os mesmos a fotografar, como era o caso do Mauricio Abreu. E foi-se isolando cada vez mais ainda que nunca desistisse de tentar publicar ou expor.

Alexandre Pomar

Ainda bem que concorda em substituir a ideia de imprimir o catálogo pela exigência de se editar um livro, um livro de fotografias, que respeite os critérios de impressão do autor (que mudaram com o tempo, como é natural, mas não abdicaram de reenquadramentos e contrastes, em vez de se tornar tudo em gamas monótonas de cinzentos por efeito do tratamento digital preguiçoso e falta de cuidado de acompanhar as provas originais - no catálogo, não na exposição), e que use com largueza a página inteira em vez do formato selo perdido entre prosas. Não havendo investigação crítica qualificada, estabeleça-se apenas uma cronologia atenta, que agora faltou.
De qualquer modo a exposição foi muito vista e muito comentada, e foi sendo, aliás, muito bem publicitada por si. Com a falta de história que tínhamos e continuamos a ter, o entendimento do trabalho de Artur Pastor, com o seu imenso labor e num contexto muito pouco favorável, ganhou agora um forte impulso, a juntar à recente reconsideração da curta obra de Lyon de Castro, à descoberta de Maria Lamas (ainda pouco vista) e à descoberta dos impulsos modernistas/formalistas actuantes nos salões dos anos 50, por sinal mas não por acaso na fortaleza operária do Barreiro. Falta a investigação monográfica e a procura de novas sínteses, mas os trabalhinhos escolares têm sido rotineiros e literatos, entregues à especulação árida e bacoca.

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